terça-feira, 14 de dezembro de 2010

NATAL: JESUS NASCEU E VOLTARÁ!

“Devemos permanecer firmes durante os períodos de perseguição, visto que a igreja cristã jamais entrou em um túnel sem fim. Muitas vezes, o túnel pode ter sido mais escuro e mais longo do que alguém ousou imaginar, mas os que permaneceram firmes em sua fé, apesar de tudo, eventualmente saíram, de novo, para a luz do sol. No caso da perseguição final, o sol será o da exaltação do Salvador, no fim do mundo.” (Stuart Olyott)

A igreja do Senhor Jesus nesse tempo está sendo convocada a rever suas posições escatológicas sem a preocupação cronológica dos eventos descritos nas Escrituras, mas com o coração aquecido pela certeza de que o Senhor Jesus virá com poder e grande glória buscar os seus eleitos. Em outras palavras não importa o “como” ou o “quando”, mas sim com “quem” virá de entre as nuvens em uma vinda repentina, gloriosa e iminente.
            
    A postura da igreja deve ser de cautela por conta do aparecimento do Anticristo. O Novo Testamento nos conta da vinda de um anticristo pessoal, mas também nos ensina que o espírito do anticristo já está no mundo e que muitos anticristos já surgiram (I João 2.18-19; 4.3; II João 7). Esses anticristos estão na realidade preparando o terreno para o maior deles, aquele que se encontra prefigurado na figura de Antioco Epifanio nas profecias de Daniel. O aparecimento desse cidadão do inferno fará o mundo experimentar uma modalidade excepcional de poder do império das trevas.

                Agora é fato que como ministros do evangelho temos a responsabilidade de persistirmos em nossa abordagem sistemática das Escrituras, ensinando “todo o conselho de Deus” (Atos 20.27) sem abrirmos concessões para os poderes estabelecidos deste mundo, pois como igreja ansiamos agradar a Deus e não aos homens.     

                Com tristeza verifico um flerte indecente entre a igreja apóstata e o mundo. Parece-me que cada vez mais se proliferam na igreja evangélica brasileira um espírito midiático que a faz amar a estética e desvalorizar a ética; privilegiando o discurso e abrindo mão da missão, por fim, vejo que a postura da igreja deve ser beligerante em relação aos valores do mundo, e para tanto não pode compactuar-se com o ouro das propostas indecentes e dos acordos ilícitos! A palavra de ordem de nosso tempo é: santidade!

                Termino com a fala do brilhante teólogo puritano, John Owen:
“Não há qualquer imaginação com a qual o homem é iludido, se torna mais insensato; sim, nenhuma imaginação mais perniciosa do que esta: pessoas não purificadas, não santificadas, não tornadas santas nesta vida devem, posteriormente, ser conduzidas a um estado de benção que consiste no gozo de Deus. Essas pessoas não podem desfrutar a Deus, nem Deus será a recompensa delas. A santidade é aperfeiçoada no céu; mas o seu inicio está invariavelmente confinado a este mundo. Ninguém é levado ao Céu por Deus, senão aqueles que Ele santifica na terra. A Cabeça viva não admitirá membros mortos.”

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

POR QUE EU GOSTO DE NATAL!

Em todos os anos são muitos os argumentos de pastores e teólogos, alguns fundamentadas num frio puritanismo (que procura ser mais rigoroso do que o mais rigoroso dos verdadeiros puritanos!) e outros num neo-pentecostalismo gedozista (e nesse meio alguns "batistas genéricos", alguns infelizmente de minha frágil CBB!) que defendem pura e simplesmente o banimento das celebrações natalinas no argumento de que árvores de Natal, guirlandas, pisca-piscas, e demais enfeites são na verdade evocações de divindades pagãs. A impressão que eu tenho é que o pessoal vem perdendo o bom senso há muito tempo, e quem sofre é o povo das igrejas que vivem me perguntando: e ai posso enfeitar a minha casa para o Natal.

Não pretendo fazer um estudo histórico do por que tanta gente odiar o Natal, eu tenho um palpite pessoal e é com base nele que me ponho a escrever este artigo: tem muito crente por ai achando que a alegria é pecado! São os vigiadores da própria alegria, e pior, da alegria alheia! Já li algo dos velhos puritanos sobre o Natal, eles condenavam já naquele tempo a opulência, o esquecimento do aniversariante (Jesus), a excessiva formalidade das celebrações natalinas na antiguidade onde a forma roubava a cada ano o conteúdo. Enfim, essas e outras colocações pontuais nos remetem ao fato de que o Natal desde aquele tempo (sec. XVII) já vinha perdendo o seu significado principal: o pequeno menino Deus já havia perdido a supremacia no presépio e no coração dos crentes ingleses!

Já hoje em dia polulam na internet e nos púlpitos onde a "estrela de Davi" ocupou o lugar da cruz como símbolo central da liturgia a idéia de que o Natal é idolatria, é amaldiçoado pois os pagãos foram quem inventaram. Esses doidos, por exemplo nos EUA deveriam ao meu ver, deixar de chamar o primeiro dia da semana de "sunday", que significa "dia do deus sol", ou os meses de janeiro (deus janus), março (deus marte),  e assim por exemplo... para ser fiéis a idéia de contrariedade ao Natal, deveriam deixar de celebrar a Páscoa (mas essa os neopentecostais gedozistas não deixam, pois é judaica, e eles morrem de inveja de não terem nascido judeus!). Ah, sabe de uma coisa, eu vou dizer o que penso desses e outros argumentos: eles não são cristãos mesmo, não porque não terem alegria em celebrar o nascimento do nosso Salvador os faz indignos até mesmo de honrarem a sua morte! Isso por uma razão lógica, Jesus só morreu porque nasceu!

Eu honro o Natal, com seus hinos, cantatas, cultos temáticos (eu gostaria em nossa igreja de celebrar a cada domingo de advento com uma programação variada e diversificada!), mensagens, ceia com as famílias reunidas e tudo o mais, pelo simples fato de que Jesus foi, de acordo com a profecia de Daniel a pedra que se fez carne no ventre de Maria para derrubada de todos os impérios poderosos de seu tempo, justamente para inaugurar o seu governo de paz e eqüidade entre os homens:


(Daniel 2:34) - Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.

(Daniel 2:35) - Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra.


 Desonra a Jesus quem nega o fato de que com o seu nascimento houve o cumprimento das mais diversas profecias do Antigo Testamento e a irrupção de um tempo de governo divino sem precedentes na história da humanidade! Tem que ser muito tacanho o argumento de que um e outro enfeite, um e outro adereço pode consistir em si mesmo num ídolo ou limitação de nossa festa mais aprazível! Por isso o meu conselho é: deixando o "Papai Noel" de fora (ele sim, é um intruso!) monte sua árvore, coloque seu pisca-pisca, suas guirlandas, asse o seu "Peru", doe um pouco de sua Ceia a uma família carente, chame seus parentes e à meia noite do dia 25/12 celebre com alegria lembrando-se de orar pedindo a Jesus, o aniversariante (não importa se ele nasceu ou não nesse dia, é fato que ele nasceu em algum dia....) para abençoar você, sua familia, sua igreja e aproveite para orar por mim!

É o que penso.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

E AGORA CABRAL?

Vimos com emoção a retomada do controle do Estado em relação às comunidades de Vila Cruzeiro e Alemão na semana passada, as notícias foram acompanhadas em tempo real, e vivemos aqui no nosso estado uma amostra do que vive nossos irmãos africanos e haitianos, resguardadas as devidas proporções.

Mas, agora com o domínio da ordem e da lei, apesar que começam a aparecer relatos de abuso de forças para com a população civil, me parece que algumas pontuações precisam ser feitas:

01. A população de bem, moradora das comunidades merecem o respeito das forças de segurança.

Os homens, mulheres e crianças que estavam sob o império do terror orquestrado por narcotraficantes não podem viver agora debaixo do jugo de policiais e soldados que utilizam-se da truculência para impor toques de recolher a uma população que já estava sitiada pelo mal! É importante estabelecer um bom senso, um tratamento humanitário em relação sobretudo às crianças traumatizadas pela invasão violenta de suas casas e circunvizinhanças. Enfim, o apelo tem de ser no sentido de que já que a segurança subiu no morro , que subam também as condições necessárias para uma vida digna de toda aquela comunidade.

02. As igrejas precisam aproveitar o tempo para pregar o evangelho puro e simples.

Sem invencionices pentecostais do que tipo: o Morro do Alemão é do Senhor Jesus! ou outras pérolas do gosto de tantos que preferem se apegar aos mantras que recolhem de textos bíblicos isolados do seu contexto, com declarações de vitória sobre o Diabo e seus anjos. Temos de lutar contra o Diabo sim! Mas, também temos de lutar contra a injustiça. Esse é o tempo de denunciarmos a quem patrocina a miséria dos mais pobres, isto é todo o sistema capitalista que vê o mais miserável sofrer sem fazer absolutamente nada para minorar o seu sofrimento. Não podemos nos esquecer de que, quem financiava o tráfico dos morros eram muitos dos jovens do asfalto, moradores em mansões de luxo, mas tristemente viciados!

Um texto pertinente para esse ponto é:


(Amós 5:12) - Porque sei que são muitas as vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate, e rejeitais os necessitados na porta.

(Amós 5:13) - Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau.


03. Nessa guerra infelizmente não há mocinhos e bandidos: todos são vítimas do pecado.

O pecado não pode ser visto apenas na sua dimensão pessoal, que seria a transgressão oriunda de uma inclinação fatal que o ser humano tem em relação à desobediência aos princípios e valores divinos. Absolutamente.  O pecado também tem sua dimensão social, e um dos seus tentáculos é o que estamos vendo na cidade do Rio de Janeiro. É o pecado que tem feito com que nossos jovens, descamisados e maltrapilhos, vivam como bichos que se reúnem para celebrar de modo instintivo a fabricação e a venda de drogas que servem de destruição de outras vidas! Olha, eu fico pensando só o ser humano faz algo desse jeito a outro ser humano. Os traficantes são vendedores de morte!

E as forças de segurança também são vítimas do pecado, porque são treinadas para defender os interesses de defesa de nossa nação, mas também como contexto de atuação justamente outros seres humanos! São homens lutando com outros homens! Uma espécie de auto-destruição da dignidade humana. Quando um homem mata um outro homem que também é imagem de Deus, está se autodestruindo um pouco também! O homem que se utiliza de uma arma por mais ou menos sofisticada ele se torna um pouco animal!

Afinal de contas, Deus quando o criou o homem e a mulher considerando-os "muito bom" jamais teve em seu propósito original que fosse verdade o que um filósofo já disse: "o homem é o lobo do homem"! Em outras palavras o que temos visto nos telejornais a respeito do Rio é que na batalha contra o terror, o mal já venceu há muito tempo! Porque até para derrotar o terror é preciso espalhar mais terror!

Maranatha! Ora, vem Senhor Jesus!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ESTAMOS EM GUERRA....

Meu filho ontem me perguntou: "pai, você também vai para a batalha?". Não entendi imediatamente, mas ele estava se referindo aquilo que eu disse na igreja horas antes sobre o fato do Rio estar vivendo uma guerra. Eu comecei o culto lendo o Salmo 20, dando destaque aos versos 7 a 9:

"Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus. Uns encurvam-se e caem, mas nós nos erguemos e ficamos de pé. Salva-nos, Senhor; ouça-nos o Rei quando clamarmos".

Temos de estar preparados para uma batalha a cada dia de nossas vidas! Nos sentimos inseguros ao sair de casa e ao permanecer em casa também... o clima nas ruas de nossa capital, Rio de Janeiro é de desespero sem tamanho, temos vivido dias de intensas preocupações com parentes e amigos que estão próximos a essas zonas de guerra, mas concordo que precisamos pontuar algo nesse momento crucial na história da segurança pública de nossa sociedade.

01. Há falhas na "inteligência" da polícias do Rio de Janeiro.

Isso é fato atestado por especialistas em variados programas jornalisticos: há vazamento de informações sigilosas de operações policiais, trocas de correspondências entre comandos e facções criminosas, um certo aliciamento de policiais que acabam trabalhando para os dois lados, enfim, a "banda podre" continua tendo seus tentáculos na estrutura policial de nosso Estado.

02. Temo pela truculência de policiais e soldados nas operações.

Soldados até pouco tempo atrás "aquartelados" foram convocados para estarem nas ruas. Alguns deles bem treinados, sim, mas para um contexto de enfrentamento puro e simples e não para o trato com a população civil que, amedrontada ontem colocava lençóis brancos nas janelas pedindo "paz". Não podemos aceitar de modo algum prisões arbitrárias, execuções sumárias ou atuações de perversidade por parte de homens que deveriam estar à serviço do Estado na proteção dos seres humanos direitos e não na violação dos direitos humanos.

03. O Estado demonstrou que quando quer agir, ele sabe agir!

Olhando para os telejornais fico a me perguntar: se eles já tinham essas informações antes, esses recursos antes, essa capacidade de aglutinação de forças, por que tudo isso não foi usado à mais tempo para controlar favelas e implantar os beneficios do cidadão do asfalto para os moradores das comunidades do Rio? A impressão que eu tenho como leigo em segurança pública é que sempre houve uma tolerância excessiva com esses vacínoras narco-traficantes que aliciam nossos jovens para o vício enquanto eles se enriquecem à custa da morte dos mesmos e das lágrimas de suas mães.

04. A igreja não pode se calar.

Uma equipe de nossa igreja e de outras denominações aqui de nossa cidade estiveram na Vila Cruzeiro na semana passada e oraram pedindo que o governo de Deus que já existe fosse expressado em vivas cores na expressão que foi usada na ocasião: "a Vila Cruzeiro pertence ao Senhor Jesus!". E, agora com o domínio daquele morro e com a fuga desesperada (e animalesca) dos traficantes vemos cumprido esse desejo do nosso coração! Temos de orar, não se trata de coincidência, trata-se de ação providente do Senhor.

Quero terminar com a famosa oração da serenidade, que foi feita por Reinhold Niebuhr e que creio ser muito pertinente a esse tempo que vivemos aqui em nosso querido Rio de Janeiro:



“Meu Deus, concede-me a serenidade de aceitar as coisas que não posso mudar,
a coragem de mudar as coisas que posso
e a sabedoria de perceber a diferença.
Vivendo um dia de cada vez;
apreciando um momento de cada vez;
aceitando os reveses como caminho para paz;
percebendo, como Jesus fez,
este mundo perverso como ele é,
não como eu gostaria que fosse;
confiando que endireitarás as coisas,
se eu me entregar à tua vontade;
para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida
e supremamente feliz contigo para sempre na outra.  Amém.”




sábado, 20 de novembro de 2010

PAREI PARA PENSAR: POR QUE SOU PASTOR?

"Tenho lutado, com todas as minhas forças, para obter a posição da completa independência de todos os homens. Tenho descoberto, às vezes, que, quando fui muito elogiado, se o meu coração cedeu um pouquinho, e prestei atenção às lisonjas, e fiquei satisfeito, na próxima vez em que fui censurado e maltratado senti a censura e a maldade muito profundamente, pois o próprio fato de ter aceitado o elogio me deixou mais sensível à censura. Por isso, tenho tentado ultimamente não me importar com o louvor do homem mais do que com a sua censura, mas simplesmente repousar sobre esta verdade- sei que tenho uma motivação pura no que tento fazer; estou consciente de que me empenho em servir a Deus com vistas apenas à sua glória; portanto, não preciso receber o louvor nem a censura do homem, mas permanecer independemente sobre a rocha do fazer o que é certo". (C. H. Spurgeon)

Daqui a algumas horas vamos estar consagrando formalmente ao ministério pastoral o quinto obreiro nesses 18 anos de história como igreja neste lugar. Incluindo eu, em 1994 até agora, 2010 com a ordenação do Leonardo Almeida (que será um dos meus auxiliares), todos exceto de um, estão integrados no ministério pastoral batista espalhados em dois Estados de nosso país (Rio de Janeiro e Santa Catarina)! Por todos eles, podemos dizer: a Deus toda a glória!

Mas, me pôs a refletir nesse dia por inteiro sobre este tema latente: "por que sou pastor?". Tenho dezessete anos de ministério pastoral nessa mesma igreja desde o inicio, a Igreja Batista Central em Japuiba (www.ibacen.com.br) e tenho convivido com preciosos irmãos que tem me ensinado e muito a pastorear e a crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus! Temos passado por provas duras, testes decisivos, desgastes muitas vezes desnecessários, mas temos crescido! Eu tenho amadurecido! Mas ainda não cheguei lá...

O ser pastor nos reserva as experiências mais contraditórias que existem na vida, não é a toa que David Fischer vai dizer:  "O ministério pastoral é a estranha combinação de ser amado e desprezado, aceito e criticado, seguido e rejeitado. É parte entusiasmo, parte depressão. Satisfação calma misturada com descontentamento destrutivo. Muita afeição e, às vezes, até ira. É o poder do Evangelho e a fraqueza da humanidade, tudo envolto em uma só experiência".

Pensando nessa direção, eu chego a alguns arrazoados bem práticos:

01. Eu não sei o segredo do sucesso no ministério pastoral, mas do fracasso eu já descobri: é tentar agradar a todo mundo!

Definitivamente não dá! Muitas são as vezes que implantamos uma metodologia, ministramos uma verdade bíblica ou ainda tecemos um e outro comentário e logo a nossa pseudo-unanimidade cai por terra. Por que? Pelo fato de nos posicionarmos a respeito de algum princípio eterno! Os pastores não são homens aqui da terra, representam uma autoridade espiritual que se funde com a fragilidade da existência humana, por conta disso amealham admiradores temporários, sobretudo em contextos onde as verdades bíblicas não são acolhidas com espírito obediente no coração!

Tenho para mim que o obreiro precisa questionar se ele anda recebendo muitos tapas nos ombros, muitos elogios babosos, muitos convites para almoçar e jantar fora, isso porque quase sempre essas propostas são aduladoras, pois é fato que o homem de Deus encontra-se muito mais à vontade nos calabouços e solitárias do que nos palacetes e hotéis de luxo! Temos de ser intransigentes em relação aquilo que as Escrituras prescreve, e nosso espírito de amor não pode ser adocicado pelas palavras elogiosas dos homens, senão isso comprometerá a nossa integridade pessoal. As palavras do apóstolo Paulo asseveram o que tento lhe comunicar: "Porventura , procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo." (Gálatas 1.10)

02. O centro da atividade pastoral é a exposição bíblica do púlpito de sua igreja!

Definitivamente não estou sozinho nesse pressuposto: pregar é mais importante que visitar, administrar, aconselhar, dirigir reuniões, ir a aniversários, fazer casamentos, apresentar crianças, enfim... O ato pastoral por excelência é a exposição fiel das Escrituras por um obreiro que tem tempo para estudar, recursos financeiros para comprar os livros que desejar e uma igreja que investe em cursos de capacitação ministerial! Feliz é o obreiro que deleita-se nas Escrituras sem outras preocupações terrenas!

Percebo essa preocupação na exaltação do ministério de pregação em vários homens, sobejamente nos escritos de Martin Lloyd Jones. No seu clássico "pregação e pregadores", o doutor nos orienta: "Se alguém quer conhecer outra razão, eu diria, sem hesitação, que a mais urgente necessidade da igreja cristã, na atualidade, é a pregação autêntica. E, visto que esta é a maior e mais urgente necessidade da igreja, evidentemente ela é também a maior necessidade do mundo".

As pessoas não são transformadas por um show pirotécnico, que insistimos em chamar de culto, elas são confrontadas com o peso da mensagem de vida eterna que sai dos lábios quentes de um homem de Deus que teve um encontro com Deus para compartilhar algo de Deus a elas! Homens de Deus falam de Deus! E para falar de Deus tem de se curvar diante da Palavra de Deus!

03. Por fim, o pastor tem de limpar o seu coração de ressentimentos.

Sempre falo isso para mim mesmo. O obreiro não pode ter um coração rancoroso, se há perdão para ser liberado, o mesmo precisa ser liberado para o bem da saúde do perdoador, não necessariamente do perdoado! E explico: eu não falo de reconciliação com a parte ofensora, falo de perdão! Perdão é a abertura do coração, reconciliação é o resgate do relacionamento! Em outras palavras eu creio que não pode haver reabertura de relacionamentos com traidores e rebeldes que ainda não se viram suficientemente arrependidos de seus feitos ordinários em direção a um homem de Deus! Mas, creio firmemente que deve haver perdão!

Somente o perdão libera o coração para olhar para quem lhe fez mal, e ainda orar por ele! Somente o perdão libera o coração para dar uma chance se o mesmo estiver claramente consternado! Somente o perdão faz com que se vire uma página em um relacionamento que tinha tudo para ser duradouro e por conta de vaidades pessoais se esvai!

O obreiro não pode se dar ao luxo de ter receio em confiar novamente nas pessoas, isso porque elas são errantes e carentes de atenção sobretudo do nosso sumo Pastor, Jesus Cristo! Tenho uma verdade ainda mais clara para anunciar: somos pastores para sofrermos mesmo! É próprio da prática pastoral o choro incontido pelos desobedientes, a dor pelos que não se corrigem dos mesmos pecados cometidos constantemente e também das pressões da própria vida e do cosmos que conspiram contra aqueles que optam em servir ao Senhor fielmente.

Por isso, em homenagem aos pastores que saíram de nossa IBACEN: André (que não está mais entre nós, os Batistas), Luis Fernando (pastor da Igreja Batista em Lídice, Rio de Janeiro), Egonzir (pastor em Palmitos, Santa Catarina) e agora Leonardo (um dos meus auxiliares aqui na igreja) encerro o artigo com as palavras do pastor Paulo:

"Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério". (II Timóteo 4.5)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CRISTIANISMO DE MENOS!

“Não temos demasiado Islão, temos pouco Cristianismo. Temos poucas discussões sobre a visão cristã da humanidade”. (Angela Merkel  em um evento de seu partido, a "União Democrata Cristã") http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?did=128932

O contexto de sua fala é um comentário sobre o fato real de que há 4 milhões de muçulmanos morando na Alemanha, e eles encontram em solo europeu um ambiente respeitoso, algo que não é verdade nos países de maioria islâmica onde a perseguição ao cristianismo costuma ter requintes de crueldade. Merkel, que é a primeira ministra do seu país ainda diz que é preciso reforçar a identidade judaico-cristã de seu país, sem com isso prejudicar as relações de civilidade com outras religiões, uma vez havendo respeito e consideração pela história do povo alemão. “Esperamos que aqueles que venham para cá a respeitem [a tradição judaico-cristã], mantendo todavia a sua identidade pessoal”, ela disse.

Eu sempre defendi que os paises denominadamente cristãos precisam cobrar junto aos organismos internacionais o mesmo respeito que nutrimos aqui pelos muçulmanos em nossos territórios para os nossos irmãos cristãos em paises majoritariamente islâmicos. Mas, me parece que não há força de vontade política para, inclusive oferecer sanções a países perseguidores de cristãos como a Arábia Saudita, o Irã e o Sudão. Como resultado desse quadro tenebroso recebemos notícias de cristãos acuados em países onde o totalitarismo parece ser a palavra de ordem!

Enquanto na Alemanha, Merkel prega a liberdade e o respeito em relação aos cristãos, a  A Organização da Conferência Islâmica, que compreende 57 países, sendo a maioria de população muçulmana, apresentará mais uma vez a Resolução da Difamação da Religião na Assembleia Geral das Nações Unidas, no final deste ano. Essa resolução: dá ao governo o poder para determinar quais visões religiosas podem ou não podem se expressar nesses países; dá ao Estado o direito de punir aqueles que expressam posições religiosas “inaceitáveis”, de acordo com o que eles acreditam;  torna a perseguição legal;  visa criminalizar palavras e ações consideradas contra uma religião em particular, nesse caso, o Islã; tem o poder de estabelecer legitimidade internacional para leis nacionais que punem a blasfêmia ou, por outro lado, proíbem críticas à religião. 

Temos de orar e lutar para que essa resolução não seja aprovada pela ONU! Quer fazer algo? Entre no site http://www.portasabertas.org.br/freetobelieve/ baixe vídeos da campanha, mostre em sua igreja, e assine abaixo-assinados eletrônicos para exercermos algum tipo de pressão sobre as autoridades.

Sabe, mais uma vez a fala de Martin Luther King se estabelece: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Vamos nos mexer! Já! Agora!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

VIVENDO O FAVOR DO SENHOR!

"Uma noite com o Rei, muda tudo eu sei. Uma noite em sua mansão pode mudar tua direção. Um momento em sua presença mudará toda tua aparência. Uma noite com o Rei muda tudo, eu sei." (Aretha Franklin)

Ester estava sendo preparada para o encontro com o Rei Assuero. Ela, segundo o texto bíblico, "alcançava graça aos olhos de todos quantos a viam", Ester 2.15. Não demorou para que, como resultado do seu encontro com Assuero, ele a amasse "mais do que a todas as mulheres", e o melhor estava por vir, "ela alcançou graça e favor diante dele mais do que todas as virgens; de sorte que lhe pôs sobre a cabeça a coroa real, e a fez rainha em lugar de Vasti". (Ester 2.17)

A igreja do Senhor Jesus é tipificada por Ester nessa passagem bíblica. Estamos como que, sendo adornados enquanto povo para o encontro com o nosso Noivo por excelência, o Senhor Jesus! Somos uma igreja cheia de incoerências e desafios nesse tempo onde valores, crenças e excelências tem sido questionados constantemente. A impressão que eu tenho é que como igreja não temos direitos a nada, apenas a morrer, e isso nos basta. Quando leio sobre relatos da igreja no Oriente, meus olhos ficam marejados, e algumas lágrimas insistem em cair. Hoje mesmo li sobre um cristão chinês, o nome dele (obviamente trocado para fins de segurança), Yuan que, com seus noventa anos de idade, 27 deles preso por amor a Jesus e ao evangelho compartilhou que ele ajudou a fundar o movimento de igrejas clandestinas nos tempos da ocupação japonesa. Suas prisões consistiram em momentos demorados de torturas em celas sem janelas. "Eu cobria a cabeça com um cobertor e orava. Durante dez anos, nenhuma carta de minha família chegou a minhas mãos. Eu não tinha uma Bíblia; mas algumas passagens e salmos ficaram comigo, juntamente com um hino."

O hino era: "A velha e rude cruz eu hei de amar, e um dia de meus troféus me desfarei. A velha e rude cruz eu hei de amar, e em troca uma coroa um dia terei". Essa consciência do evangelho levado aos limites é que eu desejo para nossa igreja aqui em Angra dos Reis, a IBACEN (www.ibacen.com.br) que completa nesse fim de semana, 18 anos! Confesso que estou cansado de um cristianismo puramente festivo e juvenil que comemora as conquistas, mas não sonha mais com o futuro de morte! Desejo sinceramente um ano de muito sofrimento para nossa igreja e antevejo um tempo de severas perseguições em relação ao novo governo e sobretudo, pelo nível de frieza do evangelicalismo brasileiro!

Hoje em dia, os insubordinados e rebeldes que saem de nossas igrejas abrindo suas "biroscas eclesiásticas" são considerados heróis e detentores de uma nova visão! Os pastores sofredores, à moda antiga, são considerados antiquados e irrelevantes! Tudo se imita ao espírito do mundo, onde pastores são confudidos por gerentes de crescimento e obreiros em geral são rotulados como empresários da fé! Rebanho é visto como mercado e a Bíblia deixou de ser relevância para muitos pseudo-pregadores. Li recentemente que um pastor teve a audácia de dizer que antes ele lia a Bíblia e tinha os jornais como fontes de ilustrações, e que agora ele levava para o púlpito as notícias do jornal, e usava a Bíblia apenas como ilustração!

Só poderemos viver o favor do Senhor em nossa igreja se formos crentes que amem a Palavra de Deus acima de qualquer outro bem, sem contemporanizar o que ela nos determina em termos de prática e conduta. Nossos casamentos, finanças, empreendimentos, enfim tudo o mais precisa estar sendo levado cativo ao crivo das Escrituras, a ponto de vez por outra, reconhecermos como o filho pródigo: "pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho..." (Lucas 15.18,19). Penso que falta em nossos dias crentes que tenham coragem de chegar diante do Pai admitindo que não são dignos! Há pessoas que se acham dignos de mais! E, quando cantam, "eu não preciso ser reconhecido por ninguém..." isso soa como artificial, pois na primeira oportunidade de brilharem, eles correram para os holofotes, porque gostam de aparecer, de serem vitrines!

O verdadeiro favor do Senhor é estar na presença do Rei, como Mefibosete! Aquele que veio de Lo-Debar, "terra do silêncio", aleijado dos pés, esquecido de todo o povo que um dia admirava seu pai, o bravo Jônatas, filho de Saul. Isso mesmo, Mefibosete, da linhagem real praticamente mendigava sem ser visto ou notado por ninguém! Mas, de repente a sua sorte muda quando ele recebe um convite: apresentar-se diante do rei Davi, diante de quem ele recebe a honra de ser devidamente valorizado. O texto bíblico registra: "Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém, porque sempre comia à mesa do rei. E era coxo de ambos os pés". (II Samuel 10.13)

Que sejamos como IBACEN, uma igreja-Mefiboste, coxa sim, limitada, enclausurada pelas pressões do sofrimento de nossa gente, politicamente irrelevante, uma névoa branca em meio à escuridão de nossa cidade cruelmente capitalista! Mas, ao mesmo tempo, com a honra de se assentar diuturnamente na mesa do nosso Rei, a raiz de Davi, Jesus Cristo, diante de quem devemos toda a razão de existir como igreja nesta parte esquecida de nossa cidade, chamada Japuiba.

Que Deus nos dê a graça de nos mantermos fiéis até a vinda do Senhor da Igreja!