quinta-feira, 2 de abril de 2009

BEM AVENTURADOS OS MANSOS....

No desafio de expor o "sermão do monte" (Mateus 5-7)em nossa igreja nesses dias, tenho assumido junto o compromisso de fazer sempre uma reflexão "a partir de mim" e nunca pelo prisma do que os outros fazem ou deixam de fazer. Confesso-lhes que isso tem mexido com a minha estrutura, e me ensinado a olhar para o enegrecimento de meu pecado e a necessidade que tenho da graça do meu Salvador.

Manso é aquele que abre mão de se defender, de se colocar como vítima dos outros e das maquinações da sociedade perversa que vivemos. Enfim, é aquele que ousadamente escolhe em se calar , deixando sair de si mesmo um grito silencioso da dor! O manso não é o masoquista que opta pelo sofrimento na iminência de tentar fazer de seu sofrimento o alimento de sua alma insaciável por prazer e nem muito menos a atitude mimada de quem se julga vítima do sistema o tempo todo. O manso é aquele que é pecador e admite sê-lo não apenas diante de Deus mas também diante dos homens. O manso não banca o bonitão que tem as respostas para tudo e que considera-se dono de algo nesse mundo, pois só é manso quem dedica tudo o que tem a Deus. E tudo é tudo mesmo!

Olhando para o prisma das razões de seu sofrimento, o manso é aquele que curva-se diante da gloriosa providência e diz simplesmente: "Deus quis assim! Rendo-me a Ele!" E isso não deve ser confundido com casuísmo, conformismo ou resignação barata, não... o que estou falando é de submissão cega ao mandato do Senhor na vida da gente! Trata-se de uma postura corajosa de primeiro dizer como Moisés "eu não posso guiar esse povo", para depois assumir o compromisso desde que a presença do Senhor fosse com Ele (Exodo 3 e 33).

Eu tenho aplicado esse principio da "submissão cega" no momento que passo aqui em Angra dos Reis. Um grupo tem estabelecido uma igreja (ou seria projeto de igreja não sei...) bem próximo ao nosso templo aqui... na realidade bem ao centro das duas fortes igrejas batistas que temos aqui no bairro (a Primeira, pastoreada por um homem de Deus, chamado Alcir Baia e a Central, pastoreada por mim).

Esse grupo tem reunido pessoas oriundas de várias igrejas, incluindo a nossa, e tem como direção pastoral um rapaz que foi enviado ao seminário por nossa igreja e conduzido ao ministério por mim e pela liderança amada aqui... Eles tem convidado carnalmente pessoas de nossa igreja para congregar com eles e também tem feito propostas mirabolantes no estabelecimento de uma igreja que faltava aqui na cidade! Enfim, o mesmo enredo, só que com protagonistas distintos!

A direção que tenho recebido do Senhor é de que o trabalho precisa ser mantido em trabalho, abnegação e dedicação ao chamado para expor a Palavra com contundência e compromisso com a fidelidade do Evangelho. E, nesse quesito, mansidão seria considerar que a igreja não é minha, não pertence à nossa liderança e nem ao amável povo que congrega aqui... a igreja é de Deus!

Paulo reunindo-se com os pastores da Asia na cidade de Mileto, disse: "cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue" (Atos 20.28).

Só existe uma forma de manter a sanidade fisica, mental, emocional e espiritual quando enfrentamos pelejas assim no ministério: estabelecermos fortemente o principio da "submissão cega" na clara compreensão de que nada é nosso, tudo é de Deus, e acima de todos nós há um olho que tudo vê!

Vamos ser mansos assim! No poder do Espírito Santo de Deus!

Um comentário:

Pr Wagner Araújo disse...

Pastor Ezequias

A "livre-concorrência" no Reino é algo que me enoja. Pessoas sem a menor ética se estabelecem na frente de nossas catedrais ou de pequeninas congregações, colocando uma tabuleta onde se lê: "VENHA, ESTA É MELHOR QUE AQUELA, MUITO MAIS POR MUITO MENOS". E os incautos e pouco comprometidos os seguem.

Não irão avante, pois cedo o deus desse século será descoberto. E como esses tais não são pastores, mas impostores, não aguentarão as crises e irão a outras freguesias, enganando e sendo enganados.

Parabéns pela sua meditação.

Wagner Antonio de Araújo