terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SOU CONTRA PASTORA EM NOSSA DENOMINAÇÃO... ME RESPEITA?

Me parece que anda cada vez mais difícil ser contra a alguma coisa em nosso meio evangélico. Entre os pastores, a partir de "listas de discussão" tudo parece ser muito monolítico, a opinião frágil da maioria rouba de cena os "senões" de uma minoria. Quer ver um exemplo: a questão das pastoras no meio batista!

Para você que não faz parte de nossa denominação e está por fora dessa discussão, vou tentar lhe situar: o fato é que já temos no Brasil pouco mais de uma centena de mulheres que foram consagradas "pastoras" em suas igrejas, e uma discussão bastante atual é se elas poderão fazer parte de nosso órgão de classe, que denominamos "Ordem dos Pastores Batistas do Brasil". Só ai já há um contrassenso, se são "Pastores Batistas do Brasil", agora terá de ser: "Pastores e Pastoras do Brasil", uma vez que um grupo conseguiu acesso à instituição por conta de uma deliberação truncada em uma das Assembleias da Ordem.

O fato é que não se discute a autonomia de uma igreja batista local de consagrar quem quer que deseja para o ministério pastoral, isso é assunto passivo. O que se quer trazer à baila é que, como a igreja não consagra nenhum ministro (ou agora, "ministra") para si mesma, mas sim para a denominação, logo a irmã que é investida do título pastoral tem de ter todos os direitos e deveres dos outros, por uma questão de, digamos, isonomia. Então, eu pergunto: agora, pertencer a Ordem é uma questão de forma apenas, logo, o que se tem a fazer?

Mas, o que não pode ser deixado de considerar é que estamos como Batistas quebrando o princípio do governo da igreja estar biblicamente resignado aos homens, isso em textos clássicos de Atos 20.28; I Timóteo 3.2; 5.17; Hebreus 13.7; além de nossa "Declaração Doutrinária" que aborda termos no masculino para as atribuições relacionadas ao governo da igreja (o negrito é meu):

XI- Ministério da Palavra
Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo.1 Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial para o serviço distinto, definido e singular do ministério da sua Palavra.2 O pregador da Palavra é um porta-voz de Deus entre os homens.3 Cabe-lhe missão semelhante àquela realizada pelos profetas do Velho Testamento e pelos apóstolos do Novo Testamento, tendo o próprio Jesus como exemplo e padrão supremo.4 A obra do porta-voz de Deus tem finalidade dupla: a de proclamar as Boas Novas aos perdidos e a de apascentar os salvos.5 Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas nas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação divina já existente e verificada em sua experiência cristã.6 Esse ato solene de consagração é consumado quando os membros de um presbitério ou concílio de pastores, convocados pela igreja, impõe as mãos sobre o vocacionado.7 O ministro da Palavra deve dedicar-se totalmente à obra para a qual foi chamado, dependendo em tudo do próprio Deus.8 O pregador do Evangelho deve viver do Evangelho.9 Às igrejas cabe a responsabilidade de cuidar e sustentar adequada e dignamente seus pastores.10
1 Mt 28.19,20; At 1.8; Rm 1.6,7; 8.28-30; Ef 4.1,4; 2Tm 1.9; Hb 9.15; 1Pe 1.15; Ap 17.14
2 Mc 3.13,14; Lc 1.2; At 6.1-4; 13.2,3; 26.16-18; Rm 1.1; 1Co 12.28; 2Co 2.17; Gl 1.15-17
3 Ex 4.11,12; Is 6.5-9; Jr 1.5-10; At 20.24-28
4 At 26.19,20; Jo 13.12-15; Ef 4.11-17
5 Mt 28.19,20; Jo 21.15-17; At 20.24-28; 1Co 1.21; Ef 4.12-16
6 At 13.1-3; 1Tm 3.1-7
7 At 13.3; 1Tm 4.14
8 At 6.1-4; 1Tm 4.11-16; 2Tm 2.3,4; 4.2,5; 1Pe 5.1-3
9 Mt 10.9,10; Lc 10.7; 1Co 9.13,14; 1Tm 5.17,18
10 2Co 8.1-7; Gl 6.6; Fp 4.14-18

Mas, me parece que tudo isso é negado com a decisão de algumas igrejas em consagrar mulheres ao ministério da Palavra. Logo, só tenho a lamentar, mas pelo quadro que vivemos, essa é uma causa perdida. Algumas soluções que eu vejo:

(1) Convivermos com esse "erro hermenêutico", mas pelo bem da causa de Deus mantermos nossa cooperação como Batistas e persistirmos na proclamação do evangelho para a salvação de milhões de pessoas no mundo que carecem de Jesus, e deixarmos que questões como essas, sejam de somenos importância;

(2) Pressionarmos nossa OPBB para que, mesmo com a inclusão das mulheres no seu rol, sejam feitos fóruns para o esclarecimento de que essa posição não representa a totalidade do pensamento batista, pois a Bíblia e a nossa Declaração tem sido sacrificada no "altar da modernidade e do politicamente correto";

(3) Orarmos por misericórdia à nossa Denominação e insistirmos no respeito mútuo. Embora eu respeite e considere minhas irmãs "pastoras", jamais as chamarei por este título!

É o que eu penso.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PARA QUE SERVE UMA IGREJA MESMO?

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela”. (Mateus 16.18)

Há mais de cem anos, Moody criticou amorosamente a igreja, por não agir de maneira apropriada. Segundo ele, a igreja lhe lembrava um grupo de bombeiros endireitando quadros na parede de uma casa em chamas. Dessa maneira ele pintou um retrato do que podemos nos tornar, em qualquer geração, quando nos esquecemos das atividades básicas que o Senhor da igreja nos confiou.

Vejo nesta fala do grande evangelista americano do passado uma veemente exortação para que não se perca o foco principal da igreja do Senhor Jesus: levar o evangelho de Jesus às pessoas necessitadas de salvação. É chocante concordarmos que muitas das nossas dinâmicas ministeriais tem sido muito mais de frivolidades do que de missão genuína entre as pessoas!

É conflitante com os valores do próprio cristianismo sabermos de igrejas que entretém seus membros com musicais enquanto o mundo está à beira do caos. São verdadeiros "Neros" que se deliciam com as suas harpas enquanto "Roma" encontra-se às chamas! Somos responsáveis sim, em apresentarmos um evangelho alegre, e há momentos bem especiais para nossas confraternizações e festas, mas, não podemos nos esquecer de que em sua máxima prioridade temos de ir até às pessoas com uma mensagem franca e corajosamente anunciada!

Temos de fazer uma séria reflexão a fim de que ajustemos o foco de nosso ministério naquilo que é realmente prioritário, abandonando tradições humanas e invencionices que apenas nos afastam do principal. Não podemos nos cansar de repetir a nós mesmos: "a coisa principal é manter a coisa principal como coisa principal".

Charles Swindoll em seu livro, “a noiva de Cristo” comenta que “a igreja que fica sentada de cara fechada ao futuro, pouco fazendo além de lustrar os louros de ontem, se tornará uma igreja à qual falta relevância e entusiasmo. Ao mesmo tempo, a igreja que amolecer sua posição teológica e alterar a Escritura para combinar com o estilo do futuro, perderá seu poder”. Temos de fugir dos extremos de uma igreja contemplativa em relação aos seus desafios e outra por demais ativista das programações contemporâneas e frágil em sua base doutrinária. Que Deus nos ajude!

Cada membro de uma igreja verdadeiramente evangélica precisa pensar na seguinte direção: temos uma missão lá fora! E, não nos esqueçamos que dentro do templo trocamos o combustível, pois nossa roda precisa girar lá fora onde há pessoas que precisam ser alcançadas com o nosso testemunho.

É por ai!


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A INFELICIDADE DO FELICIANO!

Recortes da coluna "Veja essa", da "Revista Veja", 25/09/2013

"Aquelas duas meninas têm de sair daqui algemadas". (Marco Feliciano, deputado federal (PSC-SP) e pastor evangélico, durante culto em São Sebastião, no litoral paulista, referindo-se a Joana Palhares, 18 anos, e Yunka Mihura, 20 anos, após vê-las beijando-se na cerimônia. As jovens, de fato, foram algemadas e levadas por agentes da Guarda Municipal para uma delegacia).

"Faríamos tudo novamente". (Yunka, falando por si e por Joana ao jornal "O Estado de S. Paulo". Elas se dizem namoradas e afirmaram que o beijo foi um protesto contra a homofobia.

"Vou ficar apanhando como um otário? Eu não sou otário. Eu faria de novo e farei sempre que for preciso". (Marco Feliciano)

Tenho em outros artigos falando de minhas dificuldades com as falas (salientei um artigo que falo de um excerto de sua mensagem em que ele fala de Cão como sendo um amaldiçoado em ter a pele negra), e vivo por aqui falando de meu estranhamento por essa postura truculenta desse deputado-pastor. Mais uma vez vou usar essas falas retratadas nesse episódio lamentável para defender o valor do verdadeiro evangelho que nos lábios dos homens e mulheres de Deus deve ser sempre de firmeza em relação ao pecado mas ternura em relação aos pecadores!

Me parece que é nesse tom que precisamos de um equilibro para não perdermos o tato de nossa prática pastoral. Há pastores que são muito duros no falar e truculentos demais na prática. Amam demais a ortodoxia, mas detestam as pessoas! Tenho reafirmado ultimamente que a agenda de Deus é o ser humano, é o que eu vejo no ministério do Senhor Jesus, que é a nossa referência. Jesus sempre parava para atender as pessoas, e o grande ponto do seu embate com os fariseus, importante partido religioso de seu tempo, era que eles valorizam por demais o ritual e não se importavam com as pessoas. Alguns comentaristas bíblicos vão nessa direção, só para confirmar a minha fala:

- William Barclay diz que para o fariseu a religião era um ritual que consistia em obedecer a certas eleis e normas; para Jesus, era servir a Deus e ao próximo.

- William Hendriksen diz que os fariseus estavam valorizando muito mais os rituais criados pelos rabinos do que a ordem divina de amar e zelar pelo bem-estar do próximo.

Esses dois testemunhos me deixam muito a vontade para olhar os evangelhos e ver um Jesus que realmente dosava as palavras para falar às pessoas carentes e oprimidas por Satanás. As palavras duras Jesus geralmente guardava para os lideres religiosos (os pastores mercenários que se preocupavam com as regalias que a lei mosaica lhes privilegiava, mesmo à custa do sofrimentos dos pobres fiéis). Se não veja comigo, a única ocorrência na Bíblia que Jesus se indignou, está justamente em:

Marcos 3:5
5 - E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.

Importante lembrar que a palavra grega para "indignação", é οργη (orgê) que tem o sentido de raiva, disposição natural, mau humor, movimento ou agitação da alma. Esse é o sentimento que Jesus teve ao ver que os fariseus estavam muito mais preocupados em observar se ele estaria transgredindo o sábado do que com o homem que estava com as mãos mirradas, impossibilidade de trabalhar para sustentar a sua família.

Ao meu ver a grande infelicidade do Feliciano é que ele está por demais preocupado com o principio bíblico contrário ao homosssexualismo (e é importante destacar que a Bíblia condena a prática homossexual, dentre outros textos, em Romanos 1.18-32) que ele não tem demonstrado amor aos homossexuais. E isso é muito sério! Mandando prender, odiando com declarações tão contraproducentes e amealhando tanta antipatia, o deputado-pastor desperta uma oposição maior ainda e isso em nada coopera para o avanço do evangelho em nosso país.

Fico imaginando o que Jesus faria ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando enquanto ele prega... não o vejo mandando prender... mas o vejo olhando com amor, como fez a Pedro quando de sua negação, enquanto Jesus estava sendo sentenciado em Lucas. Veja o texto:

Lucas 22:61
61 - E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.

Termino com a fala de Tim Keller: "O evangelho não diz que os bons estão em alta e os maus estão por fora, nem que os que têm a mente aberta estão em alta e os que gostam de julgar os outros estão por fora. O evangelho diz que quem está em alta são os humildes, os e os arrogantes, em baixa. Diz também que bem-aventurados são os que sabem que não são os melhores, nem mais mente aberta, nem mais moralistas do que ninguém, e que as pessoas que pensam estar do lado certo dessa divisão é que estão em apuros."

Cuidado Feliciano e seus seguidores: o evangelho é para os que nada são!

É o que penso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

TEOLOGIA NO MEC: O CANTO DA SEREIA!

Sempre me fazem a pergunta: "o curso teológico no SETIAR é reconhecido pelo MEC?". E eu dou a mesma resposta: "não é, e nem pretende ser".

Sou diretor do SETIAR (Seminário Teológico Interdenominacional em Angra dos Reis) há 14 anos, desde que éramos extensão do SETEMIRJ (Seminário para Missões do Rio de Janeiro), à época dirigido pelo pastor congregacional Amaury de Souza Jardim. E, tenho militado em magistério teológico desde 1997, quando comecei a dar aulas na então extensão do STBSB (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) em Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro.

Desde há algum tempo, os seminários denominacionais entraram em verdadeira polvorosa na ânsia de terem seus cursos teológicos reconhecidos pelo padrão MEC. Para obterem esse "imprimatur" governamental matérias biblico-teológicas foram sacrificadas, para darem lugar às outras disciplinas de cunho mais sociologizante, psicologizante e alienante do conhecimento das Escrituras! Resultado: hoje temos seminários que formam especialistas em religião, mas fraquíssimos em Bíblia! Qualquer pessoa pode se tornar aluno em nossos seminaristas. Não é a toa que o traficante Fernandinho Beira Mar é aluno de uma faculdade batista! Isso mesmo!

O reconhecimento pelo MEC faz com que haja uma intervenção estatal na elaboração dos currículos, propostas pedagógicas e disposição de materiais em bibliotecas. Além, é claro de cobrar uma organização financeiras que beira ao status empresarial, e não contempla as especificidades de um entendimento mais de "rebanho" e menos de "empresa" que vemos estampado nas Escrituras. Em outras palavras, o MEC fossiliza a teologia e sacraliza a administração eclesiástica.

Muitos professores pastores foram dispensados para darem lugar a professores pesquisadores dos fenômenos religiosos. Com isso, temos cadeiras importantes como "teologia sistemática" sendo ocupadas por professores questionadores da própria revelação bíblica! Isso, tremo em imaginar que, se já não temos, um dia teremos professores de teologia ateus em nossos principais seminários denominacionais!

Por isso, eu pergunto: para que serve o reconhecimento pelo MEC. Até onde eu sei, ministério pastoral é para chamados por Deus para o exercicio de suas atividades no seio da igreja local, com implicações transformadores na comunidade ao entorno. Logo, quando penso no apóstolo Paulo não consigo concebê-lo requerendo do império romano um título de "teólogo", ao contrário ele em seu testemunho junto aos pastores diz em letras garrafais que seu ministério era de um despojamento de valor próprio em si mesmo:

Atos 20:24
24 - Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Por isso, que tenho de concordar com Russel Shedd em relação aos dois evangelhos que temos hoje em nossa praça: "Há, portanto dois evangelhos na praça. O primeiro convoca pessoas para que supliquem o favor divino e vejam suas vidas mudando de fora para dentro, sendo que, na maioria das vezes, as coisas, quando mudam, só fazem do lado de fora. Este promete mundos e fundos para quem não é bobo, está sofrendo ou deseja viver mais confortavelmente. O outro Evangelho é aquele que convoca ao arrependimento e à fé, que resultam em transformação de dentro para fora, Este é caminho estreito, apelo para que se tome a cruz (Mt 7:13,14)".

O reconhecimento pelo MEC deve ser buscado para quem procura títulos, aspirando os aplausos dos homens e os láureos cumprimentos das autoridades constituídas em nosso país. Não é a toa de que, quem defende esse reconhecimento também apóia a institucionalização da profissão de "teólogo" no Brasil, proposta que já tramita numa das comissões da Câmara, aquela que é vem sendo dirigida por um homem que, a despeito de ter "felicidade" no nome, não demonstra em sua verve a doçura de Jesus, mas a dureza dos fariseus.

Chega de se curvar diante dos homens, para termos nossos cursos reconhecidos e nossa missão aceita como credibilidade profissional. Recomendo a leitura do livro: "irmãos, nós não somos profissionais" de John Piper, e parodiando o título dele, eu diria: "irmãos, os pastores não são profissionais, e seus cursos não devem ser reconhecidos, pois os mesmos tem alcance eterno, e o MEC não alcança em seu padrão elementos para avaliar algo que vem de Deus".

É o que eu penso.

PS. Só para explicar: o "canto da sereia" exposto no meu título reporta à mitologia grega quando Ulisses em uma de suas mensagens, amarrou-se num mastro de seu navio para não ser tentado a se jogar ao mar por conta de uma região onde as sereias costumavam cantar, enfeitiçando os homens, para depois matá-los. O MEC é assim: seduz pastores e depois os matam, tornando-os apenas "bacharéis".

sábado, 31 de agosto de 2013

CALMA AI, LOBÃO!

"A Marina Silva é uma versão mais destrambelhada da esquerda porque, para piorar tudo, é evangélica. Imagine os verdes religiosos no poder- o Brasil viraria uma 'clorofilocracia' teocrata". (Lobão, "Páginas Amarelas", Revista Veja, 28/08/2013)

O cantor João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido no meio artístico como "Lobão" é um homem, com seus 55 anos, bastante controverso. Fui usuário de drogas pesadas, se indispôs com gravadoras famosas por conta do famoso "jabá" (valores exorbitantes segundo ele, cobrados por elas para emplacarem determinadas músicas), e de uns tempos para cá enveredou-se na escrita de livros com temas polêmicos, como o de sua última lavra, o "Manifesto do Nada na Terra do Nunca" em que ele expõe toda a sua decepção com o governo petista. Até ai, tudo bem, suas críticas são bem no seu característico de atirar para todos os lados, defendendo uma impossível causa de soluções simplistas para problemas complexos na política brasileira.

Mas o meu destaque é o da fala acima destacada, em que o cantor critica a presidenciável Marina Silva de ser uma versão piorada da política esquerdista por ser justamente evangélica. Compreendo que, o pensamento de Lobão a respeito dos evangélicos é reflexo do que grande parte da intelectualidade brasileira pensa a respeito do movimento evangélico em nosso país. Aceito que uma parte do nosso segmento realmente é ignorante e boçal, mas não posso concordar que por ser evangélica, Marina é "destrambelhada", porque é o contrário que é verdade, Marina só é equilibrada em seus posicionamentos políticos, por ser evangélica. Uma evangélica de firmes convicções, com lastro de uma história de milagres e que, encontra na Bíblia inspiração para suas utopias.

O que Lobão não sabe é que o movimento evangélico chegou ao Brasil de vez em 1855 com um casal de idealistas, Robert e Sara Kalley, ambos escoceses, que se estabeleceram inicialmente em Teresópolis onde se reuniram com um grupo de imigrantes para estudar a Bíblia. Inconformado em ficar isolado na linda região serrana do Rio, logo eles estabeleceram residência na capital do império, a cidade do Rio de Janeiro, onde em 1858 organizaram a primeira igreja evangélica em solo brasileiro.

Lobão também não sabe que por conta desse marco evangélico em nosso país escolas foram fundadas, projetos sociais foram desenvolvidos no interior do país, suportes para o estabelecimento de estudos sobre a própria "brasilidade" foram estabelecidos, pois a despeito dos primeiros pastores em solo brasileiro terem sido estrangeiros, todos tinham para com o nosso país uma visão inclusiva e desprovida (na maioria das vezes) de preconceitos, como os portugueses que aqui estavam para explorarem nossos ricos recursos.

Ser evangélico representa o privilégio de pertencer a um grupo que ousou ajudar nas bases de uma nação que tinha tudo para dar errado, pelos próprios paradigmas impostos pelos portugueses em nossa colonização mais que poderia dar certo pela força do seu povo. Tenho para mim que, se o Brasil não tivesse alguma presença evangélica nesse período nós teríamos nos tornado um "grande Haiti"!

Alguns historiadores fazem uma importante avaliação entre as colonizações católicas (da America Latina) e as protestantes (EUA e Canadá) e consideram que a fé evangélica tem como motor o desenvolvimento da terra para uso comum, enquanto no catolicismo fica clara a concentração dos recursos em torno de uma Coroa. Enfim, o que o Lobão se esqueceu de considerar é que por ser evangélica, Marina pode muito bem compreender que o Brasil é mais forte quando é dos Brasileiros! Um lema bem defendido pelos evangélicos históricos em todas as partes do mundo!

Uma outra observação que preciso fazer é que, embora Marina seja de uma igreja evangélica pentecostal de nosso país, a poderosa Assembleia de Deus, a própria cúpula da igreja nunca admitiu um apoio expressivo a ela, isso porque a liderança dessa que é a maior igreja evangélica de nosso país está sempre flertando com o poder politiqueiro, e tenho para mim que eles concordam mais com o Lobão do que comigo a respeito desse assunto.

Tenho dito.

sábado, 20 de julho de 2013

ABRA MÃO DO SEU ISAQUE!

Ontem dei a abertura ao nosso "II Congresso Brasil-Haiti" aqui em Porto Principe. Estou liderando uma equipe de quatorze crentes brasileiros que vieram a esse pais caribenho, o mais pobre das Américas, para refletir valores do Reino de Deus para crianças, mulheres e jovens haitianos.

Já visitamos os dois PEPES, programas de educação infantil, e deixamos neles marcas de amor, interesse e aceitação. Temos procurado demonstrar que não somos superiores por conta de nossa nacionalidade e muito menos pela cor de nossa pele. Reconhecemos que, quem nos nivela a todos é o Senhor, para quem "não há judeu nem grego; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus", Gálatas 3.28.

Diante de tudo o que temos visto nessa viagem missionária o que mais tem me marcado é a verdade de que "Deus tudo provê". Em minha mensagem ontem procurei repetir esse ponto: tudo o que precisamos para a nossa vida está em Deus". O texto da exposição foi Genêsis 22, no magistral relato da ordem que Abraão recebeu de oferecer seu único filho no monte Moriá. Fiquei pensando que "Moriá" é bem próximo do "Gólgota", logo as duas histórias são fundidas. Quando temos a convição de que Deus tudo nos proverá, iremos desfrutar ainda mais dos benefícios da morte substitutiva de Jesus Cristo, o cordeiro que foi morto em nosso lugar.

Isaque não precisou morrer, mas Abraão morreu em muitos aspectos, ele precisou morrer para suas ambições pessoais, suas lealdades e preferências distorcidas, afinal de contas ele acostumou-se com os presentes de Deus, e pouco a pouco foi esfriando em sua intimidade com o próprio Deus. Está posto diante de nós um perigo constante: idolatrarmos o que temos e absolutizarmos as bençãos em prejuízo de nossa aliança exclusiva com o Senhor!

Aqui no Haiti essa mensagem tem uma aplicabilidade bem relevante pois, o povo aqui precisa em meio a todo esse contexto de miséria e desesperança confiar unicamente na provisão de Deus. E tenho para mim que no nosso Brasil também esse princípio tem validade, pois como se diz em um provérbio: "a fartura leva à indiferença".

Deus persita sendo o seu provedor!

E, venha comigo ao Haiti em 2014. Me mande um email: ezequiaspastor@gmail.com

terça-feira, 18 de junho de 2013

A VOZ DE DEUS NAS RUAS!

"Corra, porém a sua justiça como as águas, e a retidão como o ribeiro perene". (Amós 5.24)

O profeta Amós foi comissionado pelo Senhor para uma árdua missão, no sec. VII aC: deixar a sua plantação, ele era agricultor, e desafiar o coração de Jeroboão II, rei de Israel, acerca dos seus descuidos para com os menos favorecidos. O cenário de sua época não poderia ser mais caótico, e repare que qualquer semelhança, não é mera coincidência com o que vemos hoje, em pleno sec. XXI:

* Havia um surto de crescimento econômico acompanhado com sucesso militar, um renascimento de forças impressionante.

* Sob a pressão de riqueza crescente, houve transformações sociais radicais, mas amplamente desiguais. Em outras palavras: ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

* Moralmente a nação patinava em índices baixíssimos de santidade, uma vez que os pobres eram tratados de modo injusto, a avareza dos ricos crescia e o consequente desprezo pelas coisas sagradas.

* No âmbito político havia tumulto, opressão, violência e roubo. Aqui cabe uma inserção de um texto do profeta:

Amós 3:9-10
9 - Fazei ouvir isso nos palácios de Asdode, e nos palácios da terra do Egito, e dizei: Ajuntai-vos sobre os montes de Samaria, e vede que grandes alvoroços há no meio dela, e como são oprimidos dentro dela.
10 - Porque não sabem fazer o que é reto, diz o SENHOR, aqueles que entesouram nos seus palácios a violência e a destruição.

Nesse ambiente turbulento, aparece Amós como um profeta (ou no radical da palavra hebraica "nabi", um "esbravejador") denonciando os pecados da nação e apelando para que o povo se voltasse para Deus, a fim de que a "justiça e o juizo" fluissem como um "ribeiro perene".

As cenas impressionantes que vimos ontem pelos telejornais nos mostram da força da mobilização popular por causas ligadas à justiça social. Não quero entrar aqui em meandros das instituições que estão em meio aos inúmeros homens e mulheres de bem que querem apenas mostrar seu desagravo com a corrupção em nosso país, a fim de aproveitar o momento para suas reivindicações que em nada somam para a democracia que buscamos para o nosso Brasil. Refiro-me às minorias de punks, ativistas gays e anarquistas que se somam ao grupo, mas não o fazem com as melhores intenções. Quero me ater apenas à voz das ruas! Todos querem "justiça e juízo".

Mas, o profeta Amós fala de "justiça e juízo" de uma forma distinta da que popularmente podemos apreender destes termos. Como "juízo" temos o hebraico "mishpat" que tem a ver com "direito, dever legal, privilégio adequado", e como "justiça", o hebraico é "tsedaque" referindo-se aquilo que é "eticamente correto", "justiça como atributo de Deus".

Agora sim, estamos próximos a entender o que o profeta desejava para o seu tempo, e o que Deus quer que compartilhemos de seu coração nestes dias em que o povo brasileiro sai às ruas para protestar contra a impunidade, a fragilização de nossas instituições políticas e o enojamento da população para com os abusos do poder financeiro global. Me parece claro que a "juizo" e a "justiça" que devemos reinvidicar diz respeito ao retorno do povo a Deus!

Não se trata de uma luta puramente humana, em que imaginamos que a força do povo estará construindo um novo tempo em nossa nação. Nada, absolutamente! Ao passo que esses movimentos sejam vitais para o exercicio de uma cidadania plena, é preciso compreendermos que o que fará durar as mudanças provocadas pela agitação popular é o retorno do coração da nossa nação a Deus! Afinal de contas, essa crise moral que estamos atravessando enquanto Brasil tem em sua causa o fato de que nosso povo tem se esquecido de Deus.

O Brasil abandona a Deus quando seus governantes usam de suas influências justamente para beneficiar seus próprios "núcleos eleitorais", já pensando em próximas eleições, sem se importar com a totalidade do povo. O Brasil abandona a Deus quando planeja distribuir kits educativos para incentivar a tolerância para com o homossexualismo (repare que não estou dizendo tolerância com o homossexual, essa é dever constitucional e bíblico). O Brasil abandona a Deus quando não desenvolve políticas públicas duradouras para lidar com a chaga das drogas a partir das grandes cidades. O Brasil abandona a Deus quando privilegia a construção de estádios com dinheiro público negando ajuda aos hospitais que carecem de recursos básicos para atender à nossa população. O Brasil abandona a Deus quando mantém nos gabinetes encarpetados de Brasilia políticos que roubaram os cofres públicos como prefeitos e governadores. O Brasil abandona a Deus quando desprestigia a força das igrejas evangélicas sérias desse país que tem condições de cooperar em muitos projetos desde que convidadas sem intenções eleitoreiras.

Por isso, entendo que os "Amós" de Deus estão nas ruas! Nem todos tem a consciência disso, e há aqueles que tem outras motivações, mas creio que o simbolo vivo desse momento que o Brasil atravessa é que é preciso haver um arrependimento por parte de nossos governantes. Fico pensando que esse arrependimento pode até não significar um avivamento propriamente dito, com a conversão ao cristianismo verdadeiro desses homens e mulheres, mas sem dúvida um movimento como o que ocorreu em Ninive, sob a liderança (mesmo à contragosto) de Jonas. Em seu tempo de ministério, (sec. VIII aC) uma cidade inteira deve seu fim adiado por conta de um arrependimento nacional. E a suspensão de um juizo divino em resposta a uma postura de quebrantamento por parte de um povo tem como base o texto de Jeremias 18.7-10:

Jeremias 18:7-10
7 - No momento em que falar contra uma nação, e contra um reino para arrancar, e para derrubar, e para destruir,
8 - Se a tal nação, porém, contra a qual falar se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.
9 - No momento em que falar de uma nação e de um reino, para edificar e para plantar,
10 - Se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que tinha falado que lhe faria.

Eu creio que Deus está usando das pessoas que têm ido às ruas de nossas principais cidades, para demonstrar que Ele deseja suspender o juízo que está guardado para todas as nações que insistem em abandoná-lo. E, Deus tem se utilizado desses cidadãos que, em sua maioria, são gente como a gente: estudantes, homens de negócios, advogados, professores, e tantos outros que se esforçam em ser "apenas" nas mãos de Deus.  

Isso me faz lembrar algo que recortei de um site ainda hoje: "As vezes pensamos que somos um "apenas"! Somos apenas um vendedor, apenas um agricultor, apenas uma dona de casa. Amós seria considerado um "apenas". Ele não era um profeta, um sacerdote ou um filho de um dos dois. Ele era apenas um pastor, um pequeno empresário em Judá. Quem iria escutá-lo? No entanto, ao invés de inventar desculpas, Amós obedeceu e tornou-se a voz poderosa de Deus para mudança". (www.gotquestions.org.br/Portugues/Livro-de-Amos.html)

Esse é o tempo de Deus levantar em nossa nação um sussuro por liberdade e justiça. Que seja de fato, a justiça pretendida pelo Senhor! Vamos persistir nessa esperança!