sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ADOÇÃO DE CRIANÇAS. POR QUE NÃO?

“Deus faz com que o solitário viva em família....” (Salmo 68.6)

Em minhas pesquisas, posso sugerir aos interessados em adotar uma criança:

1)      Façam o cadastro junto ao “Juizado da Infância e do Adolescente” de nossa cidade (Praça Marques de Tamandaré, 156, Centro, telefone: 24-3365-2925)

2)      No cadastro, denominado “Cadastro de Pretendentes para a Adoção”, vocês poderão escolher o perfil da criança que vocês desejam adotar: sexo, idade, tipo físico e condições de saúde.

3)      O casal passará por uma entrevista junto a um psicólogo do juizado para conhecer o estilo de vida, renda financeira e estado emocional dos futuros pais.

4)      Depois, em sendo aprovado, inclusive com uma possível visita de um assistente social em sua casa, vocês receberão o “certificado de habilitação para adotar”, válido por dois anos em território nacional.

5)      Até aqui o processo deve durar até três meses, e de posse do seu certificado, vocês entrarão automaticamente na fila de adoção do estado do Rio de Janeiro a aguardará até parecer uma criança no seu perfil desejado. Ou ainda você poderá usar o seu certificado para adotar uma criança conhecida por você aqui em Angra ou em qualquer cidade de nosso país.

6)      Uma vez conhecendo uma criança e desejando adotá-la, procure um advogado para entrar com um processo de pedido no juizado.

7)      Uma vez com a criança em sua posse legal, você poderá receber a “guarda provisória”  que pode se estender por um ano. Agora se a igreja tiver mais de dois anos você já pode solicitar a “guarda definitiva”, tudo depois de um período de adaptação e aquilo que eles chamam de “estágio de convivência”.

8)      Finalmente depois da “guarda definitiva”, o juiz emitirá uma nova “certidão de nascimento” da criança, já com o sobrenome da nova família, e você poderá trocar também o primeiro nome dela.


Gosto de pensar na frase: “o vinculo de amor não depende da genética”, mas devo reiterar que, a despeito de experiências que você já conhece, não leve para a sua casa crianças com a intenção de adotar sem seguir essas orientações legais. Temos responsabilidades de sermos cuidadosos das leis, e isso é bíblico. (Romanos 13.1,2)

PS. Esse artigo sairá na "pastoral" do boletim dominical de 09/02/2014, da Igreja Batista Central em Japuiba, Angra dos Reis, RJ, onde sou pastor. Mas, como esse assunto julgo ser oportuno para ampla divulgação, resolvi lançar no blog primeiro.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

APRENDENDO PELO TESTEMUNHO DE CRISTO

"Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade", (Colossenses 2.8,9)

Vivemos em um tempo que tem sido marcado por ensinos humanos travestidos de sabedoria bíblica. São muitos os que, no afã de serem contextualizados acabam relativizando princípios bíblicos sobretudo no que diz respeito ao governo masculino na igreja, amor para com os homossexuais, zelo pela exposição bíblica nos púlpitos e outros assuntos que passei o ano de 2013 analisando em meus artigos nesse modesto blog.

Aos meus poucos leitores quero informar que, após cada artigo publicado fico sempre com a indagação latente na alma: testemunhei de Cristo em meu escrito? Acredito piamente que não podemos nos tornar escravos de filosofias humanas, mesmo travestidas de piedade cristã quando o nome de Jesus persiste sendo ignorado e malbaratado naquilo que pensamos, falamos e agimos.

Inclusive tenho me comprometido a refletir em minhas mensagens expositivas sempre me atendo a uma relação entre o conteúdo exposto e aquilo que chamo de "testemunho de Cristo", quando relaciono os princípios aplicados no sermão com aquilo que as Escrituras falam sobre Jesus, quer seja por citações diretas, indiretas, analogias ou ainda tipologias. Não posso conceber uma mensagem que não aponte para Jesus, afinal de contas tudo o que temos escrito na Bíblia foi escrito para enxergarmos Cristo nela!

Pensando nessa linha, quero propor uma prática para o próximo ano que tem a ver com um best seller, "Em seus passos que faria Jesus", sugiro que você adquira essa obra pelo link http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10756

Posso adiantar que neste livro temos a seguinte situação de vida: O que aconteceria se os cristãos de uma igreja em certa cidade se comprometessem durante um ano inteiro a não fazer nada sem antes perguntar: Que faria Jesus em meu lugar? É esta a situação apresentada por este livro. Seguir os passos de Jesus trouxe muita alegria a inúmeros cristãos, mas também causou incompreensão, conflito e sofrimento para alguns.

Quando nos preocupamos em dar glória a Deus, e darmos testemunho de Jesus em tudo o que fazemos, pensamos e falamos podemos ficar em paz na consciência de que de fato temos sido seus imitadores. O mundo seria muito mais justo se a nossa justiça fosse a de Cristo! O mundo seria mais pacífico se vivêssemos os princípios de Jesus em nossos relacionamentos! O mundo seria mais belo se considerássemos belo aquilo que se parecesse com Jesus!

Temos de encarar tudo isso! E com coragem! Custe o que custar!

Feliz 2014!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

CHEGA DA ALGAZARRA NATALINA!

"Afinal, em meio à algazarra, ainda temos nossas compras normais e necessárias, e nessa época o trabalho em fazê-las triplica. Dizem que essa loucura toda é necessária porque faz bem para a economia. Pois esse é mais um sintoma da condição lunática em que vive nosso país – na verdade, o mundo todo –, no qual as pessoas se persuadem mutuamente a comprar coisas. Eu realmente não sei como acabar com isso. Mas será que é meu dever comprar e receber montanhas de porcarias todo Natal só para ajudar os lojistas? Se continuar desse jeito, daqui a pouco eu vou dar dinheiro a eles por nada e contabilizar como caridade. Por nada? Bem, melhor por nada do que por insanidade." (C. S. Lewis)

O Natal tornou-se já há muito tempo uma época de consumos desenfreados, e de um tempo onde compramos coisas que não precisamos para impressionar pessoas que não gostamos! Mudou-se o centro gravitacional da nossa fé do "evento Cristo" que historicamente nasceu em Belém, conforme o texto de Lucas 2.11: "É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor", para o "momento shopping center", episódio da lunática exploração comercial de vitrines exuberantes e lojas superlotadas com produtos para fazer brilhar os olhos dos consumistas inveterados.

A igreja corre o risco de capitular diante dessa troca de eixo quando em suas programações natalinas se perde em eventos mirabolantes e estéticos com ensaios intermináveis, uma correria ministerial exagerada, quando as pessoas são usadas em função da estrutura de um show pirotécnico com o nome de "cantatas", "especiais" ou "shows natalinos"! Fico a pensar se Jesus gostaria que tivéssemos uma agenda tão pesada no fim do ano que os nossos cultos acabam abarrotados de pessoas que querem assistir um espetáculo e não celebrar a Jesus, o aniversariante que deveria ser o sentido máximo de nossos ajuntamentos. Em nossa igreja já tivemos desses "especiais", mas hoje em dia entendo que a simplicidade na liturgia aproxima as pessoas da proposta do Natal ser uma reunião de pessoas e não de exibição de performances pessoais!

Fiz uma rápida enquete no facebook sobre o tema:  Como Jesus comemoraria o seu aniversário em nossos dias? E obtive as seguintes respostas:

Antonio Roque Bernado Bernado: Muito bom esse tema. Tenho certeza que não seria a base deste "consumismo exagerado e muito menos teria-mos um papai noel por perto. Deus vos abençoe nesta enquete.

Rosangela DEle: Ele nem comemoraria, pois nunca comemorou. Apóstolo Paulo recebeu dEle o que nos ensinou. E foi sobre a Ceia, em Corintios 11. Os únicos 2 aniversários comemorados na Bíblia foram de faraó e Herodes, sendo que este recebeu de presente a cabeça de João Batista. Meu Deus ...

Alan Mafort: Acho que ele não teria muito a comemorar nos nossos dias, mais ele comemoraria orando por todos nós.

Ulisses Pereira: Reuniria os seus e clamaria misericórdia ao Pai por ainda cometermos os mesmos erros pelos quais Ele morreu na Cruz.

Graça Pool Araujo: acho que ele nao perderia tempo pra comemorar,ele estaria muito ocupado em interceder pelos seus filhos,...nossos dias cada vez mais violento........

Luzenilda Pedro: Acho que no dia de seu aniversário, Jesus , aproveitaria para ter uma conversa muito séria com a Sua igreja, para fazer alguns ajustes.

Entendo que o Natal precisa ser de uma simplicidade absurda! E defendo esse princípio já há algum tempo! Como sobra comida nesta época! Como falta generosidade entre aqueles que se dizem cristãos e deveriam estar atentos para suprir as necessidades dos outros! Enfim, entendo que precisamos abrir nossos corações e entender que, sobretudo neste tempo, "coisa mais aventurada é dar do que receber" (Atos 20.35).

Um natal paupérrimo para você! Mesmo com mesas fartas, não se esqueçam que o nosso Jesus nasceu em um estábulo, cheirando animal! Ele foi simples o tempo todo, e deseja que não percamos nossa simplicidade também!

É isso.

PS. Preciso retomar a questão da ordenação de mulheres ao ministério pastoral batista. Persisto crendo que isso não está de acordo com as Escrituras (fui criticado pela exegese que não fiz ou pelo argumento pessoal que defendi), mas nesse arrazoado natalino digo que respeito o ministério feminino, tenho em nossa igreja mulheres pregadoras do evangelho que me fazem refletir poderosamente quando pregam. Só defendo que as mulheres, bem como os homens, devem estar sujeitos à orientação pastoral (masculina).  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SOU CONTRA PASTORA EM NOSSA DENOMINAÇÃO... ME RESPEITA?

Me parece que anda cada vez mais difícil ser contra a alguma coisa em nosso meio evangélico. Entre os pastores, a partir de "listas de discussão" tudo parece ser muito monolítico, a opinião frágil da maioria rouba de cena os "senões" de uma minoria. Quer ver um exemplo: a questão das pastoras no meio batista!

Para você que não faz parte de nossa denominação e está por fora dessa discussão, vou tentar lhe situar: o fato é que já temos no Brasil pouco mais de uma centena de mulheres que foram consagradas "pastoras" em suas igrejas, e uma discussão bastante atual é se elas poderão fazer parte de nosso órgão de classe, que denominamos "Ordem dos Pastores Batistas do Brasil". Só ai já há um contrassenso, se são "Pastores Batistas do Brasil", agora terá de ser: "Pastores e Pastoras do Brasil", uma vez que um grupo conseguiu acesso à instituição por conta de uma deliberação truncada em uma das Assembleias da Ordem.

O fato é que não se discute a autonomia de uma igreja batista local de consagrar quem quer que deseja para o ministério pastoral, isso é assunto passivo. O que se quer trazer à baila é que, como a igreja não consagra nenhum ministro (ou agora, "ministra") para si mesma, mas sim para a denominação, logo a irmã que é investida do título pastoral tem de ter todos os direitos e deveres dos outros, por uma questão de, digamos, isonomia. Então, eu pergunto: agora, pertencer a Ordem é uma questão de forma apenas, logo, o que se tem a fazer?

Mas, o que não pode ser deixado de considerar é que estamos como Batistas quebrando o princípio do governo da igreja estar biblicamente resignado aos homens, isso em textos clássicos de Atos 20.28; I Timóteo 3.2; 5.17; Hebreus 13.7; além de nossa "Declaração Doutrinária" que aborda termos no masculino para as atribuições relacionadas ao governo da igreja (o negrito é meu):

XI- Ministério da Palavra
Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo.1 Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial para o serviço distinto, definido e singular do ministério da sua Palavra.2 O pregador da Palavra é um porta-voz de Deus entre os homens.3 Cabe-lhe missão semelhante àquela realizada pelos profetas do Velho Testamento e pelos apóstolos do Novo Testamento, tendo o próprio Jesus como exemplo e padrão supremo.4 A obra do porta-voz de Deus tem finalidade dupla: a de proclamar as Boas Novas aos perdidos e a de apascentar os salvos.5 Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas nas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação divina já existente e verificada em sua experiência cristã.6 Esse ato solene de consagração é consumado quando os membros de um presbitério ou concílio de pastores, convocados pela igreja, impõe as mãos sobre o vocacionado.7 O ministro da Palavra deve dedicar-se totalmente à obra para a qual foi chamado, dependendo em tudo do próprio Deus.8 O pregador do Evangelho deve viver do Evangelho.9 Às igrejas cabe a responsabilidade de cuidar e sustentar adequada e dignamente seus pastores.10
1 Mt 28.19,20; At 1.8; Rm 1.6,7; 8.28-30; Ef 4.1,4; 2Tm 1.9; Hb 9.15; 1Pe 1.15; Ap 17.14
2 Mc 3.13,14; Lc 1.2; At 6.1-4; 13.2,3; 26.16-18; Rm 1.1; 1Co 12.28; 2Co 2.17; Gl 1.15-17
3 Ex 4.11,12; Is 6.5-9; Jr 1.5-10; At 20.24-28
4 At 26.19,20; Jo 13.12-15; Ef 4.11-17
5 Mt 28.19,20; Jo 21.15-17; At 20.24-28; 1Co 1.21; Ef 4.12-16
6 At 13.1-3; 1Tm 3.1-7
7 At 13.3; 1Tm 4.14
8 At 6.1-4; 1Tm 4.11-16; 2Tm 2.3,4; 4.2,5; 1Pe 5.1-3
9 Mt 10.9,10; Lc 10.7; 1Co 9.13,14; 1Tm 5.17,18
10 2Co 8.1-7; Gl 6.6; Fp 4.14-18

Mas, me parece que tudo isso é negado com a decisão de algumas igrejas em consagrar mulheres ao ministério da Palavra. Logo, só tenho a lamentar, mas pelo quadro que vivemos, essa é uma causa perdida. Algumas soluções que eu vejo:

(1) Convivermos com esse "erro hermenêutico", mas pelo bem da causa de Deus mantermos nossa cooperação como Batistas e persistirmos na proclamação do evangelho para a salvação de milhões de pessoas no mundo que carecem de Jesus, e deixarmos que questões como essas, sejam de somenos importância;

(2) Pressionarmos nossa OPBB para que, mesmo com a inclusão das mulheres no seu rol, sejam feitos fóruns para o esclarecimento de que essa posição não representa a totalidade do pensamento batista, pois a Bíblia e a nossa Declaração tem sido sacrificada no "altar da modernidade e do politicamente correto";

(3) Orarmos por misericórdia à nossa Denominação e insistirmos no respeito mútuo. Embora eu respeite e considere minhas irmãs "pastoras", jamais as chamarei por este título!

É o que eu penso.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PARA QUE SERVE UMA IGREJA MESMO?

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela”. (Mateus 16.18)

Há mais de cem anos, Moody criticou amorosamente a igreja, por não agir de maneira apropriada. Segundo ele, a igreja lhe lembrava um grupo de bombeiros endireitando quadros na parede de uma casa em chamas. Dessa maneira ele pintou um retrato do que podemos nos tornar, em qualquer geração, quando nos esquecemos das atividades básicas que o Senhor da igreja nos confiou.

Vejo nesta fala do grande evangelista americano do passado uma veemente exortação para que não se perca o foco principal da igreja do Senhor Jesus: levar o evangelho de Jesus às pessoas necessitadas de salvação. É chocante concordarmos que muitas das nossas dinâmicas ministeriais tem sido muito mais de frivolidades do que de missão genuína entre as pessoas!

É conflitante com os valores do próprio cristianismo sabermos de igrejas que entretém seus membros com musicais enquanto o mundo está à beira do caos. São verdadeiros "Neros" que se deliciam com as suas harpas enquanto "Roma" encontra-se às chamas! Somos responsáveis sim, em apresentarmos um evangelho alegre, e há momentos bem especiais para nossas confraternizações e festas, mas, não podemos nos esquecer de que em sua máxima prioridade temos de ir até às pessoas com uma mensagem franca e corajosamente anunciada!

Temos de fazer uma séria reflexão a fim de que ajustemos o foco de nosso ministério naquilo que é realmente prioritário, abandonando tradições humanas e invencionices que apenas nos afastam do principal. Não podemos nos cansar de repetir a nós mesmos: "a coisa principal é manter a coisa principal como coisa principal".

Charles Swindoll em seu livro, “a noiva de Cristo” comenta que “a igreja que fica sentada de cara fechada ao futuro, pouco fazendo além de lustrar os louros de ontem, se tornará uma igreja à qual falta relevância e entusiasmo. Ao mesmo tempo, a igreja que amolecer sua posição teológica e alterar a Escritura para combinar com o estilo do futuro, perderá seu poder”. Temos de fugir dos extremos de uma igreja contemplativa em relação aos seus desafios e outra por demais ativista das programações contemporâneas e frágil em sua base doutrinária. Que Deus nos ajude!

Cada membro de uma igreja verdadeiramente evangélica precisa pensar na seguinte direção: temos uma missão lá fora! E, não nos esqueçamos que dentro do templo trocamos o combustível, pois nossa roda precisa girar lá fora onde há pessoas que precisam ser alcançadas com o nosso testemunho.

É por ai!


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A INFELICIDADE DO FELICIANO!

Recortes da coluna "Veja essa", da "Revista Veja", 25/09/2013

"Aquelas duas meninas têm de sair daqui algemadas". (Marco Feliciano, deputado federal (PSC-SP) e pastor evangélico, durante culto em São Sebastião, no litoral paulista, referindo-se a Joana Palhares, 18 anos, e Yunka Mihura, 20 anos, após vê-las beijando-se na cerimônia. As jovens, de fato, foram algemadas e levadas por agentes da Guarda Municipal para uma delegacia).

"Faríamos tudo novamente". (Yunka, falando por si e por Joana ao jornal "O Estado de S. Paulo". Elas se dizem namoradas e afirmaram que o beijo foi um protesto contra a homofobia.

"Vou ficar apanhando como um otário? Eu não sou otário. Eu faria de novo e farei sempre que for preciso". (Marco Feliciano)

Tenho em outros artigos falando de minhas dificuldades com as falas (salientei um artigo que falo de um excerto de sua mensagem em que ele fala de Cão como sendo um amaldiçoado em ter a pele negra), e vivo por aqui falando de meu estranhamento por essa postura truculenta desse deputado-pastor. Mais uma vez vou usar essas falas retratadas nesse episódio lamentável para defender o valor do verdadeiro evangelho que nos lábios dos homens e mulheres de Deus deve ser sempre de firmeza em relação ao pecado mas ternura em relação aos pecadores!

Me parece que é nesse tom que precisamos de um equilibro para não perdermos o tato de nossa prática pastoral. Há pastores que são muito duros no falar e truculentos demais na prática. Amam demais a ortodoxia, mas detestam as pessoas! Tenho reafirmado ultimamente que a agenda de Deus é o ser humano, é o que eu vejo no ministério do Senhor Jesus, que é a nossa referência. Jesus sempre parava para atender as pessoas, e o grande ponto do seu embate com os fariseus, importante partido religioso de seu tempo, era que eles valorizam por demais o ritual e não se importavam com as pessoas. Alguns comentaristas bíblicos vão nessa direção, só para confirmar a minha fala:

- William Barclay diz que para o fariseu a religião era um ritual que consistia em obedecer a certas eleis e normas; para Jesus, era servir a Deus e ao próximo.

- William Hendriksen diz que os fariseus estavam valorizando muito mais os rituais criados pelos rabinos do que a ordem divina de amar e zelar pelo bem-estar do próximo.

Esses dois testemunhos me deixam muito a vontade para olhar os evangelhos e ver um Jesus que realmente dosava as palavras para falar às pessoas carentes e oprimidas por Satanás. As palavras duras Jesus geralmente guardava para os lideres religiosos (os pastores mercenários que se preocupavam com as regalias que a lei mosaica lhes privilegiava, mesmo à custa do sofrimentos dos pobres fiéis). Se não veja comigo, a única ocorrência na Bíblia que Jesus se indignou, está justamente em:

Marcos 3:5
5 - E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.

Importante lembrar que a palavra grega para "indignação", é οργη (orgê) que tem o sentido de raiva, disposição natural, mau humor, movimento ou agitação da alma. Esse é o sentimento que Jesus teve ao ver que os fariseus estavam muito mais preocupados em observar se ele estaria transgredindo o sábado do que com o homem que estava com as mãos mirradas, impossibilidade de trabalhar para sustentar a sua família.

Ao meu ver a grande infelicidade do Feliciano é que ele está por demais preocupado com o principio bíblico contrário ao homosssexualismo (e é importante destacar que a Bíblia condena a prática homossexual, dentre outros textos, em Romanos 1.18-32) que ele não tem demonstrado amor aos homossexuais. E isso é muito sério! Mandando prender, odiando com declarações tão contraproducentes e amealhando tanta antipatia, o deputado-pastor desperta uma oposição maior ainda e isso em nada coopera para o avanço do evangelho em nosso país.

Fico imaginando o que Jesus faria ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando enquanto ele prega... não o vejo mandando prender... mas o vejo olhando com amor, como fez a Pedro quando de sua negação, enquanto Jesus estava sendo sentenciado em Lucas. Veja o texto:

Lucas 22:61
61 - E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.

Termino com a fala de Tim Keller: "O evangelho não diz que os bons estão em alta e os maus estão por fora, nem que os que têm a mente aberta estão em alta e os que gostam de julgar os outros estão por fora. O evangelho diz que quem está em alta são os humildes, os e os arrogantes, em baixa. Diz também que bem-aventurados são os que sabem que não são os melhores, nem mais mente aberta, nem mais moralistas do que ninguém, e que as pessoas que pensam estar do lado certo dessa divisão é que estão em apuros."

Cuidado Feliciano e seus seguidores: o evangelho é para os que nada são!

É o que penso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

TEOLOGIA NO MEC: O CANTO DA SEREIA!

Sempre me fazem a pergunta: "o curso teológico no SETIAR é reconhecido pelo MEC?". E eu dou a mesma resposta: "não é, e nem pretende ser".

Sou diretor do SETIAR (Seminário Teológico Interdenominacional em Angra dos Reis) há 14 anos, desde que éramos extensão do SETEMIRJ (Seminário para Missões do Rio de Janeiro), à época dirigido pelo pastor congregacional Amaury de Souza Jardim. E, tenho militado em magistério teológico desde 1997, quando comecei a dar aulas na então extensão do STBSB (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) em Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro.

Desde há algum tempo, os seminários denominacionais entraram em verdadeira polvorosa na ânsia de terem seus cursos teológicos reconhecidos pelo padrão MEC. Para obterem esse "imprimatur" governamental matérias biblico-teológicas foram sacrificadas, para darem lugar às outras disciplinas de cunho mais sociologizante, psicologizante e alienante do conhecimento das Escrituras! Resultado: hoje temos seminários que formam especialistas em religião, mas fraquíssimos em Bíblia! Qualquer pessoa pode se tornar aluno em nossos seminaristas. Não é a toa que o traficante Fernandinho Beira Mar é aluno de uma faculdade batista! Isso mesmo!

O reconhecimento pelo MEC faz com que haja uma intervenção estatal na elaboração dos currículos, propostas pedagógicas e disposição de materiais em bibliotecas. Além, é claro de cobrar uma organização financeiras que beira ao status empresarial, e não contempla as especificidades de um entendimento mais de "rebanho" e menos de "empresa" que vemos estampado nas Escrituras. Em outras palavras, o MEC fossiliza a teologia e sacraliza a administração eclesiástica.

Muitos professores pastores foram dispensados para darem lugar a professores pesquisadores dos fenômenos religiosos. Com isso, temos cadeiras importantes como "teologia sistemática" sendo ocupadas por professores questionadores da própria revelação bíblica! Isso, tremo em imaginar que, se já não temos, um dia teremos professores de teologia ateus em nossos principais seminários denominacionais!

Por isso, eu pergunto: para que serve o reconhecimento pelo MEC. Até onde eu sei, ministério pastoral é para chamados por Deus para o exercicio de suas atividades no seio da igreja local, com implicações transformadores na comunidade ao entorno. Logo, quando penso no apóstolo Paulo não consigo concebê-lo requerendo do império romano um título de "teólogo", ao contrário ele em seu testemunho junto aos pastores diz em letras garrafais que seu ministério era de um despojamento de valor próprio em si mesmo:

Atos 20:24
24 - Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Por isso, que tenho de concordar com Russel Shedd em relação aos dois evangelhos que temos hoje em nossa praça: "Há, portanto dois evangelhos na praça. O primeiro convoca pessoas para que supliquem o favor divino e vejam suas vidas mudando de fora para dentro, sendo que, na maioria das vezes, as coisas, quando mudam, só fazem do lado de fora. Este promete mundos e fundos para quem não é bobo, está sofrendo ou deseja viver mais confortavelmente. O outro Evangelho é aquele que convoca ao arrependimento e à fé, que resultam em transformação de dentro para fora, Este é caminho estreito, apelo para que se tome a cruz (Mt 7:13,14)".

O reconhecimento pelo MEC deve ser buscado para quem procura títulos, aspirando os aplausos dos homens e os láureos cumprimentos das autoridades constituídas em nosso país. Não é a toa de que, quem defende esse reconhecimento também apóia a institucionalização da profissão de "teólogo" no Brasil, proposta que já tramita numa das comissões da Câmara, aquela que é vem sendo dirigida por um homem que, a despeito de ter "felicidade" no nome, não demonstra em sua verve a doçura de Jesus, mas a dureza dos fariseus.

Chega de se curvar diante dos homens, para termos nossos cursos reconhecidos e nossa missão aceita como credibilidade profissional. Recomendo a leitura do livro: "irmãos, nós não somos profissionais" de John Piper, e parodiando o título dele, eu diria: "irmãos, os pastores não são profissionais, e seus cursos não devem ser reconhecidos, pois os mesmos tem alcance eterno, e o MEC não alcança em seu padrão elementos para avaliar algo que vem de Deus".

É o que eu penso.

PS. Só para explicar: o "canto da sereia" exposto no meu título reporta à mitologia grega quando Ulisses em uma de suas mensagens, amarrou-se num mastro de seu navio para não ser tentado a se jogar ao mar por conta de uma região onde as sereias costumavam cantar, enfeitiçando os homens, para depois matá-los. O MEC é assim: seduz pastores e depois os matam, tornando-os apenas "bacharéis".