sexta-feira, 6 de setembro de 2013

TEOLOGIA NO MEC: O CANTO DA SEREIA!

Sempre me fazem a pergunta: "o curso teológico no SETIAR é reconhecido pelo MEC?". E eu dou a mesma resposta: "não é, e nem pretende ser".

Sou diretor do SETIAR (Seminário Teológico Interdenominacional em Angra dos Reis) há 14 anos, desde que éramos extensão do SETEMIRJ (Seminário para Missões do Rio de Janeiro), à época dirigido pelo pastor congregacional Amaury de Souza Jardim. E, tenho militado em magistério teológico desde 1997, quando comecei a dar aulas na então extensão do STBSB (Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil) em Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro.

Desde há algum tempo, os seminários denominacionais entraram em verdadeira polvorosa na ânsia de terem seus cursos teológicos reconhecidos pelo padrão MEC. Para obterem esse "imprimatur" governamental matérias biblico-teológicas foram sacrificadas, para darem lugar às outras disciplinas de cunho mais sociologizante, psicologizante e alienante do conhecimento das Escrituras! Resultado: hoje temos seminários que formam especialistas em religião, mas fraquíssimos em Bíblia! Qualquer pessoa pode se tornar aluno em nossos seminaristas. Não é a toa que o traficante Fernandinho Beira Mar é aluno de uma faculdade batista! Isso mesmo!

O reconhecimento pelo MEC faz com que haja uma intervenção estatal na elaboração dos currículos, propostas pedagógicas e disposição de materiais em bibliotecas. Além, é claro de cobrar uma organização financeiras que beira ao status empresarial, e não contempla as especificidades de um entendimento mais de "rebanho" e menos de "empresa" que vemos estampado nas Escrituras. Em outras palavras, o MEC fossiliza a teologia e sacraliza a administração eclesiástica.

Muitos professores pastores foram dispensados para darem lugar a professores pesquisadores dos fenômenos religiosos. Com isso, temos cadeiras importantes como "teologia sistemática" sendo ocupadas por professores questionadores da própria revelação bíblica! Isso, tremo em imaginar que, se já não temos, um dia teremos professores de teologia ateus em nossos principais seminários denominacionais!

Por isso, eu pergunto: para que serve o reconhecimento pelo MEC. Até onde eu sei, ministério pastoral é para chamados por Deus para o exercicio de suas atividades no seio da igreja local, com implicações transformadores na comunidade ao entorno. Logo, quando penso no apóstolo Paulo não consigo concebê-lo requerendo do império romano um título de "teólogo", ao contrário ele em seu testemunho junto aos pastores diz em letras garrafais que seu ministério era de um despojamento de valor próprio em si mesmo:

Atos 20:24
24 - Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Por isso, que tenho de concordar com Russel Shedd em relação aos dois evangelhos que temos hoje em nossa praça: "Há, portanto dois evangelhos na praça. O primeiro convoca pessoas para que supliquem o favor divino e vejam suas vidas mudando de fora para dentro, sendo que, na maioria das vezes, as coisas, quando mudam, só fazem do lado de fora. Este promete mundos e fundos para quem não é bobo, está sofrendo ou deseja viver mais confortavelmente. O outro Evangelho é aquele que convoca ao arrependimento e à fé, que resultam em transformação de dentro para fora, Este é caminho estreito, apelo para que se tome a cruz (Mt 7:13,14)".

O reconhecimento pelo MEC deve ser buscado para quem procura títulos, aspirando os aplausos dos homens e os láureos cumprimentos das autoridades constituídas em nosso país. Não é a toa de que, quem defende esse reconhecimento também apóia a institucionalização da profissão de "teólogo" no Brasil, proposta que já tramita numa das comissões da Câmara, aquela que é vem sendo dirigida por um homem que, a despeito de ter "felicidade" no nome, não demonstra em sua verve a doçura de Jesus, mas a dureza dos fariseus.

Chega de se curvar diante dos homens, para termos nossos cursos reconhecidos e nossa missão aceita como credibilidade profissional. Recomendo a leitura do livro: "irmãos, nós não somos profissionais" de John Piper, e parodiando o título dele, eu diria: "irmãos, os pastores não são profissionais, e seus cursos não devem ser reconhecidos, pois os mesmos tem alcance eterno, e o MEC não alcança em seu padrão elementos para avaliar algo que vem de Deus".

É o que eu penso.

PS. Só para explicar: o "canto da sereia" exposto no meu título reporta à mitologia grega quando Ulisses em uma de suas mensagens, amarrou-se num mastro de seu navio para não ser tentado a se jogar ao mar por conta de uma região onde as sereias costumavam cantar, enfeitiçando os homens, para depois matá-los. O MEC é assim: seduz pastores e depois os matam, tornando-os apenas "bacharéis".

sábado, 31 de agosto de 2013

CALMA AI, LOBÃO!

"A Marina Silva é uma versão mais destrambelhada da esquerda porque, para piorar tudo, é evangélica. Imagine os verdes religiosos no poder- o Brasil viraria uma 'clorofilocracia' teocrata". (Lobão, "Páginas Amarelas", Revista Veja, 28/08/2013)

O cantor João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido no meio artístico como "Lobão" é um homem, com seus 55 anos, bastante controverso. Fui usuário de drogas pesadas, se indispôs com gravadoras famosas por conta do famoso "jabá" (valores exorbitantes segundo ele, cobrados por elas para emplacarem determinadas músicas), e de uns tempos para cá enveredou-se na escrita de livros com temas polêmicos, como o de sua última lavra, o "Manifesto do Nada na Terra do Nunca" em que ele expõe toda a sua decepção com o governo petista. Até ai, tudo bem, suas críticas são bem no seu característico de atirar para todos os lados, defendendo uma impossível causa de soluções simplistas para problemas complexos na política brasileira.

Mas o meu destaque é o da fala acima destacada, em que o cantor critica a presidenciável Marina Silva de ser uma versão piorada da política esquerdista por ser justamente evangélica. Compreendo que, o pensamento de Lobão a respeito dos evangélicos é reflexo do que grande parte da intelectualidade brasileira pensa a respeito do movimento evangélico em nosso país. Aceito que uma parte do nosso segmento realmente é ignorante e boçal, mas não posso concordar que por ser evangélica, Marina é "destrambelhada", porque é o contrário que é verdade, Marina só é equilibrada em seus posicionamentos políticos, por ser evangélica. Uma evangélica de firmes convicções, com lastro de uma história de milagres e que, encontra na Bíblia inspiração para suas utopias.

O que Lobão não sabe é que o movimento evangélico chegou ao Brasil de vez em 1855 com um casal de idealistas, Robert e Sara Kalley, ambos escoceses, que se estabeleceram inicialmente em Teresópolis onde se reuniram com um grupo de imigrantes para estudar a Bíblia. Inconformado em ficar isolado na linda região serrana do Rio, logo eles estabeleceram residência na capital do império, a cidade do Rio de Janeiro, onde em 1858 organizaram a primeira igreja evangélica em solo brasileiro.

Lobão também não sabe que por conta desse marco evangélico em nosso país escolas foram fundadas, projetos sociais foram desenvolvidos no interior do país, suportes para o estabelecimento de estudos sobre a própria "brasilidade" foram estabelecidos, pois a despeito dos primeiros pastores em solo brasileiro terem sido estrangeiros, todos tinham para com o nosso país uma visão inclusiva e desprovida (na maioria das vezes) de preconceitos, como os portugueses que aqui estavam para explorarem nossos ricos recursos.

Ser evangélico representa o privilégio de pertencer a um grupo que ousou ajudar nas bases de uma nação que tinha tudo para dar errado, pelos próprios paradigmas impostos pelos portugueses em nossa colonização mais que poderia dar certo pela força do seu povo. Tenho para mim que, se o Brasil não tivesse alguma presença evangélica nesse período nós teríamos nos tornado um "grande Haiti"!

Alguns historiadores fazem uma importante avaliação entre as colonizações católicas (da America Latina) e as protestantes (EUA e Canadá) e consideram que a fé evangélica tem como motor o desenvolvimento da terra para uso comum, enquanto no catolicismo fica clara a concentração dos recursos em torno de uma Coroa. Enfim, o que o Lobão se esqueceu de considerar é que por ser evangélica, Marina pode muito bem compreender que o Brasil é mais forte quando é dos Brasileiros! Um lema bem defendido pelos evangélicos históricos em todas as partes do mundo!

Uma outra observação que preciso fazer é que, embora Marina seja de uma igreja evangélica pentecostal de nosso país, a poderosa Assembleia de Deus, a própria cúpula da igreja nunca admitiu um apoio expressivo a ela, isso porque a liderança dessa que é a maior igreja evangélica de nosso país está sempre flertando com o poder politiqueiro, e tenho para mim que eles concordam mais com o Lobão do que comigo a respeito desse assunto.

Tenho dito.

sábado, 20 de julho de 2013

ABRA MÃO DO SEU ISAQUE!

Ontem dei a abertura ao nosso "II Congresso Brasil-Haiti" aqui em Porto Principe. Estou liderando uma equipe de quatorze crentes brasileiros que vieram a esse pais caribenho, o mais pobre das Américas, para refletir valores do Reino de Deus para crianças, mulheres e jovens haitianos.

Já visitamos os dois PEPES, programas de educação infantil, e deixamos neles marcas de amor, interesse e aceitação. Temos procurado demonstrar que não somos superiores por conta de nossa nacionalidade e muito menos pela cor de nossa pele. Reconhecemos que, quem nos nivela a todos é o Senhor, para quem "não há judeu nem grego; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus", Gálatas 3.28.

Diante de tudo o que temos visto nessa viagem missionária o que mais tem me marcado é a verdade de que "Deus tudo provê". Em minha mensagem ontem procurei repetir esse ponto: tudo o que precisamos para a nossa vida está em Deus". O texto da exposição foi Genêsis 22, no magistral relato da ordem que Abraão recebeu de oferecer seu único filho no monte Moriá. Fiquei pensando que "Moriá" é bem próximo do "Gólgota", logo as duas histórias são fundidas. Quando temos a convição de que Deus tudo nos proverá, iremos desfrutar ainda mais dos benefícios da morte substitutiva de Jesus Cristo, o cordeiro que foi morto em nosso lugar.

Isaque não precisou morrer, mas Abraão morreu em muitos aspectos, ele precisou morrer para suas ambições pessoais, suas lealdades e preferências distorcidas, afinal de contas ele acostumou-se com os presentes de Deus, e pouco a pouco foi esfriando em sua intimidade com o próprio Deus. Está posto diante de nós um perigo constante: idolatrarmos o que temos e absolutizarmos as bençãos em prejuízo de nossa aliança exclusiva com o Senhor!

Aqui no Haiti essa mensagem tem uma aplicabilidade bem relevante pois, o povo aqui precisa em meio a todo esse contexto de miséria e desesperança confiar unicamente na provisão de Deus. E tenho para mim que no nosso Brasil também esse princípio tem validade, pois como se diz em um provérbio: "a fartura leva à indiferença".

Deus persita sendo o seu provedor!

E, venha comigo ao Haiti em 2014. Me mande um email: ezequiaspastor@gmail.com

terça-feira, 18 de junho de 2013

A VOZ DE DEUS NAS RUAS!

"Corra, porém a sua justiça como as águas, e a retidão como o ribeiro perene". (Amós 5.24)

O profeta Amós foi comissionado pelo Senhor para uma árdua missão, no sec. VII aC: deixar a sua plantação, ele era agricultor, e desafiar o coração de Jeroboão II, rei de Israel, acerca dos seus descuidos para com os menos favorecidos. O cenário de sua época não poderia ser mais caótico, e repare que qualquer semelhança, não é mera coincidência com o que vemos hoje, em pleno sec. XXI:

* Havia um surto de crescimento econômico acompanhado com sucesso militar, um renascimento de forças impressionante.

* Sob a pressão de riqueza crescente, houve transformações sociais radicais, mas amplamente desiguais. Em outras palavras: ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

* Moralmente a nação patinava em índices baixíssimos de santidade, uma vez que os pobres eram tratados de modo injusto, a avareza dos ricos crescia e o consequente desprezo pelas coisas sagradas.

* No âmbito político havia tumulto, opressão, violência e roubo. Aqui cabe uma inserção de um texto do profeta:

Amós 3:9-10
9 - Fazei ouvir isso nos palácios de Asdode, e nos palácios da terra do Egito, e dizei: Ajuntai-vos sobre os montes de Samaria, e vede que grandes alvoroços há no meio dela, e como são oprimidos dentro dela.
10 - Porque não sabem fazer o que é reto, diz o SENHOR, aqueles que entesouram nos seus palácios a violência e a destruição.

Nesse ambiente turbulento, aparece Amós como um profeta (ou no radical da palavra hebraica "nabi", um "esbravejador") denonciando os pecados da nação e apelando para que o povo se voltasse para Deus, a fim de que a "justiça e o juizo" fluissem como um "ribeiro perene".

As cenas impressionantes que vimos ontem pelos telejornais nos mostram da força da mobilização popular por causas ligadas à justiça social. Não quero entrar aqui em meandros das instituições que estão em meio aos inúmeros homens e mulheres de bem que querem apenas mostrar seu desagravo com a corrupção em nosso país, a fim de aproveitar o momento para suas reivindicações que em nada somam para a democracia que buscamos para o nosso Brasil. Refiro-me às minorias de punks, ativistas gays e anarquistas que se somam ao grupo, mas não o fazem com as melhores intenções. Quero me ater apenas à voz das ruas! Todos querem "justiça e juízo".

Mas, o profeta Amós fala de "justiça e juízo" de uma forma distinta da que popularmente podemos apreender destes termos. Como "juízo" temos o hebraico "mishpat" que tem a ver com "direito, dever legal, privilégio adequado", e como "justiça", o hebraico é "tsedaque" referindo-se aquilo que é "eticamente correto", "justiça como atributo de Deus".

Agora sim, estamos próximos a entender o que o profeta desejava para o seu tempo, e o que Deus quer que compartilhemos de seu coração nestes dias em que o povo brasileiro sai às ruas para protestar contra a impunidade, a fragilização de nossas instituições políticas e o enojamento da população para com os abusos do poder financeiro global. Me parece claro que a "juizo" e a "justiça" que devemos reinvidicar diz respeito ao retorno do povo a Deus!

Não se trata de uma luta puramente humana, em que imaginamos que a força do povo estará construindo um novo tempo em nossa nação. Nada, absolutamente! Ao passo que esses movimentos sejam vitais para o exercicio de uma cidadania plena, é preciso compreendermos que o que fará durar as mudanças provocadas pela agitação popular é o retorno do coração da nossa nação a Deus! Afinal de contas, essa crise moral que estamos atravessando enquanto Brasil tem em sua causa o fato de que nosso povo tem se esquecido de Deus.

O Brasil abandona a Deus quando seus governantes usam de suas influências justamente para beneficiar seus próprios "núcleos eleitorais", já pensando em próximas eleições, sem se importar com a totalidade do povo. O Brasil abandona a Deus quando planeja distribuir kits educativos para incentivar a tolerância para com o homossexualismo (repare que não estou dizendo tolerância com o homossexual, essa é dever constitucional e bíblico). O Brasil abandona a Deus quando não desenvolve políticas públicas duradouras para lidar com a chaga das drogas a partir das grandes cidades. O Brasil abandona a Deus quando privilegia a construção de estádios com dinheiro público negando ajuda aos hospitais que carecem de recursos básicos para atender à nossa população. O Brasil abandona a Deus quando mantém nos gabinetes encarpetados de Brasilia políticos que roubaram os cofres públicos como prefeitos e governadores. O Brasil abandona a Deus quando desprestigia a força das igrejas evangélicas sérias desse país que tem condições de cooperar em muitos projetos desde que convidadas sem intenções eleitoreiras.

Por isso, entendo que os "Amós" de Deus estão nas ruas! Nem todos tem a consciência disso, e há aqueles que tem outras motivações, mas creio que o simbolo vivo desse momento que o Brasil atravessa é que é preciso haver um arrependimento por parte de nossos governantes. Fico pensando que esse arrependimento pode até não significar um avivamento propriamente dito, com a conversão ao cristianismo verdadeiro desses homens e mulheres, mas sem dúvida um movimento como o que ocorreu em Ninive, sob a liderança (mesmo à contragosto) de Jonas. Em seu tempo de ministério, (sec. VIII aC) uma cidade inteira deve seu fim adiado por conta de um arrependimento nacional. E a suspensão de um juizo divino em resposta a uma postura de quebrantamento por parte de um povo tem como base o texto de Jeremias 18.7-10:

Jeremias 18:7-10
7 - No momento em que falar contra uma nação, e contra um reino para arrancar, e para derrubar, e para destruir,
8 - Se a tal nação, porém, contra a qual falar se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.
9 - No momento em que falar de uma nação e de um reino, para edificar e para plantar,
10 - Se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que tinha falado que lhe faria.

Eu creio que Deus está usando das pessoas que têm ido às ruas de nossas principais cidades, para demonstrar que Ele deseja suspender o juízo que está guardado para todas as nações que insistem em abandoná-lo. E, Deus tem se utilizado desses cidadãos que, em sua maioria, são gente como a gente: estudantes, homens de negócios, advogados, professores, e tantos outros que se esforçam em ser "apenas" nas mãos de Deus.  

Isso me faz lembrar algo que recortei de um site ainda hoje: "As vezes pensamos que somos um "apenas"! Somos apenas um vendedor, apenas um agricultor, apenas uma dona de casa. Amós seria considerado um "apenas". Ele não era um profeta, um sacerdote ou um filho de um dos dois. Ele era apenas um pastor, um pequeno empresário em Judá. Quem iria escutá-lo? No entanto, ao invés de inventar desculpas, Amós obedeceu e tornou-se a voz poderosa de Deus para mudança". (www.gotquestions.org.br/Portugues/Livro-de-Amos.html)

Esse é o tempo de Deus levantar em nossa nação um sussuro por liberdade e justiça. Que seja de fato, a justiça pretendida pelo Senhor! Vamos persistir nessa esperança!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

FAMÍLIAS LIVRES DO DRAMA DAS DROGAS!

“e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8.32).

Pesquisas indicam que 22,8% da população no Brasil consomem drogas; 49% das escolas estaduais têm problemas com o consumo e o tráfico de drogas segundo pesquisa feita em cinco capitais brasileiras; 20000 brasileiros morrem a cada ano em decorrência do consumo de drogas ou de crimes relacionados ao tráfico; 80% dos crimes urbanos têm alguma relação com a droga. Apenas 5% dos dependentes de drogas conseguem viver em estado de recuperação.

Os dados frios são alarmantes! Na realidade o que vivemos em nosso Brasil é uma epidemia no uso das drogas, e isso já está fora do controle de nosso governo. Nossas famílias estão fragilizadas demais para lidarem com esse assunto sem uma base espiritual, isso porque sem Jesus não se tem como enfrentar o inferno das drogas, sem se render ao quadro desolador de crianças, adolescentes e jovens que enfermam todo o contexto familiar. É o que disse uma mãe que se assustava por saber que seu filho sairia do “Centro de Recuperação” onde estava internado: “sou uma viciada também!”.

Nossa igreja assumiu o compromisso de apoiar um centro de recuperação em Seropédica, sob a direção do meu irmão, pr. Eliel. Em setembro ele estará aqui com os internos (incluindo dois de nossa cidade) e celebraremos o tempo de graça e de oportunidade que o Senhor vem derramando sobre aqueles homens que foram marcados pelo toque da morte e hoje estão em processo de libertação, em Jesus, aquele que definitivamente pode mudar o destino do ser humano. É confortante saber que Jesus tira o homem do seu estado de morte apenas com uma ordem, como fez como Lázaro, seu amigo de Betânia, em João 11.

Quando a família crê no poder recuperador do Senhor Jesus enfrenta o drama das drogas, mesmo ciente de que na realidade quem vive dominado pelas drogas não vive, sobrevive, e ainda com resquícios de miserabilidade extrema! Nesse domingo, o meu desafio é que você separe um tempo para interceder por aqueles que, reféns das drogas estão enfermando seus ambientes familiares numa busca sofrida pela esperança e pelo deleite em uma tragada ou cheirada!


Creio em famílias abençoadas, mas não posso deixar de registrar que a benção do Senhor, somente ela pode definitivamente escrever uma nova história em nossos lares, derramando esperança onde antes só havia perturbação, e fazendo cumprir aquilo que nos diz Jeremias 31.25: “Pois saciarei a alma cansada, e fartarei toda alma desfalecida”.

sábado, 11 de maio de 2013

MÃES ABENÇOADAS PARA ABENÇOAR!


“Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”. (Isaías 49.15).

Mãe nunca se esquece de seu filho! Deus é Pai com coração de Mãe! Ser mãe é lembrar-se sempre do seu filho! Fico imaginando nestas três afirmativas e minha mente vagueia pelo mistério do amor materno. Tenho sentido em minha vida o privilégio de ter uma mãe que insistentemente se lembra de mim, e em todos os momentos de minha trajetória pude perceber que estava sempre sendo observado de perto: por minha mãe.

O profeta lança um paralelo entre o amor incorrigível de uma mãe com o de Deus, e chega à conclusão de que, mesmo em um absurdo de uma possibilidade de esquecimento por parte de uma mãe ao seu filho, o nosso Deus jamais se esquecerá de um filho seu! Essa é uma verdade consoladora! Jamais seremos esquecidos!

Nesse “dia das mães” quero homenagear nossas bravas mulheres com uma reflexão sobre essa capacidade extraordinária de lembrar-se sempre. A nossa memória é de um potencial incrível, e tenho para mim que as mães não se lembram apenas com a mente, mas, sobretudo com o coração. No coração de uma mãe cabem os filhos mais inquietos, mais serelepes, mais agitados, mais ingratos! Ser mãe é sofrer um pouco do mal que assola o relacionamento da humanidade com o Criador: o abandono.

Há filhos que abandonam suas mães ao ostracismo! Mas, mesmo assim jamais são esquecidos por elas! Que imagem linda é o de uma mãe que, mesmo sem ser procurada por um filho (ou uma filha) depois de anos e anos, ainda encontra no coração lágrimas para verter em seus olhos, por que, simplesmente, ela nunca se esquece! Quem é mãe não vira a página de seu livro de existência desconsiderando um filho ou uma filha que se encontra fora de casa! Há até um ditado popular: “na casa de mãe sempre cabe mais um”.

Um apelo pastoral que quero fazer aos filhos é: honrem a lembrança de suas mães! Não permitam que o frio caldo da ingratidão seja tomado à conta gotas por suas mães! Lembrem-se delas não apenas neste dia em que comercialmente se comemora (trata-se da segunda melhor ocasião de vendas no Brasil, superada apenas pelo Natal!), mas todos os dias de suas vidas!

E para as mães digo: lembrem-se de abençoar seus filhos! Evitem que as suas lágrimas sejam desacompanhadas de orações! Pare de falar a seus filhos sobre Deus e fale mais a Deus sobre os seus filhos! Lancem palavras de bênçãos sobre cada um de seus filhos, do menor ao maior, e não desista de ver a sua casa sendo completada na presença do Senhor!

Um abração.

PS. Esse texto sairá no boletim dominical de nossa igreja (www.ibacen.com.br) agora neste fim de semana. Dedico-o à duas mulheres: minha mãe, Zilda Dias Amancio Marins, mulher que com fibra em suas orações me mantiveram de pé durante toda a minha caminhada cristã, e também à minha esposa, Débora Fritz Santos Marins, que assumiu a empreitada de orar por mim e me fortalecer dia após dia no auxílio de meu ministério.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

UM BRASIL AO PÉ DA CRUZ

Henry Martin era um ministro anglicano que serviu ao Senhor como missionário na India e na Persia. Em uma de suas viagens ele passou pelas terras brasileiras, e isso em 1805, então com 24 anos, e ficou admirado ao ver a capital do Brasil à epoca, Salvador, com as suas inúmeras cruzes nos pináculos dos templos católicos à epoca. Em meio à essa consternação ele exclamou: "vejo tantas cruzes, mas quando o verdadeiro evangelho da cruz será ensinado?".

Esse suspiro de Martin ainda ecoa em meu coração: quanto teremos nesse país com tantas cruzes, a verdadeira cruz de Cristo erguida? Confesso que isso dá um nó em minha cabeça e me deixa vez por outra sem palavras. Tenho assistido a pulverização dos valores do evangelho nas mais diversas mídias e também nos contextos de nossas igrejas que estão cheias de pessoas vazias! Falta cruz, falta renúncia, falta pagar o preço do discipulado, parece-me que o que o Senhor Jesus disse está distante na vida de muitos dos que "pulam na presença do Senhor" em alguns dos cultos barulhentos de nosso Brasil:

Mateus 16:24
24 - Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;

O que a doutrina da cruz faria em nosso contexto evangélico brasileiro: Fico a imaginar, como se estivesse sonhando:

* Os pastores seriam mais éticos ao entender que pastoream as ovelhas de Jesus e não as suas próprias, de modo que, considerariam como algo abominável se utilizar dos aparentes benefícios do ministério para se enriquecerem.

* As igrejas promoveriam mais "cultos do choro", do que "louvorzões", pois não sei se temos mais motivos de rir do que chorar, ao percebermos crentes que, se escondem em seus próprios pecados para denunciarem de modo vil os pecados dos outros.

* Os púlpitos seriam completamente mudados em suas propostas de mensagens temáticas, mercantilistas e utilitaristas, e no lugar viria apenas a exposição da Palavra de Deus.

* As reuniões de oração seriam as maiores reuniões da igreja, ao invés de serem as mais raquíticas, porque é fato que o nosso povo não gosta de orar, e quando o faz, em algumas vezes o interesse próprio é o grande mote das orações.

* Os avanços missionários seriam notados ao longe, pois os crentes sacrificariam parte de suas rendas, tempo, energias e tudo o mais para que o evangelho alcançasse os não alcançados e tocasse os que não vêm sendo tocados.

* As reuniões de liderança e de negócios eclesiásticos seriam pautados pelo amor às pessoas e não por julgamentos precipitados, linguas ferinas e suspeitas indevidas.

* Os louvores cantados nos cultos expressariam mais da grandeza de Deus do que das possibilidades humanas.

* O aconselhamento nos gabinetes pastores seriam menos influenciados pela vã psicologia e mais pelo entendimento das Escrituras Sagradas.

* Os jovens e adolescentes iriam pautar suas vidas em valores eternos e não em realidades tão transitórias como namoricos e jogos de entretenimento virtuais.

* As familias se amariam mais, e fariam questão de passar mais tempo juntas.

Enfim, são tantos sonhos, que chegam a ser devaneios mesmo, mas acredito que a mensagem da cruz mudaria todas as coisas, seria como um retorno à simplicidade do evangelho. Quando me vejo afastado desse ideal, lembro-me, e quase vou às lágrimas com uma canção do Paulo César Baruc, "Jardim da Inocência" que em um trecho chega a dizer: "Ah ! que vontade de andar contigo!
Pelo jardim, na viração dos dias. Pegar em tuas mãos e voar e  pela imensidão da terra e te adorar."

Tenho vontade de viver tudo isso com o Senhor, e simplesmente rever do seu amor o seu senso de permanência intima: viver para ele, ao pé da cruz de seu Filho!

É por ai.