sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SUA VIDA, UM IMPACTO PARA AS PESSOAS!

“Apesar de tudo, Deus está comigo. Sua palavra é a verdade segura e ainda que as superstições do paganismo fossem mil vezes piores do que são; ainda que fosse abandonado pelos meus e perseguido por todos, minha esperança, fundada na palavra de Deus, permaneceria sobre todos os obstáculos e triunfaria de todas as provas. A causa de Deus triunfará e eu sairei destas angústias qual ouro purificado ao fogo”. (William Carey)

Dediquei algum tempo de minha manhã para relembrar principios missiológicos sérios e contundentes. Estou persuadido que não existe ministério pastoral local e missional, mas sim existe um senso de urgência em relação à "Grande Comissão" de Mateus 28.19,20 na compreensão de que essa missão é intransferível e inadiável. Em outras palavras a verdade é que quando encontramos ecos da compreensão de "missão" que o apóstolo Paulo tinha percebemos alguns princípios muito sérios no modo como ele compreendia o seu envolvimento ministerial. Vejamos algo então somente na porção bíblica do capítulo 16 de I Corintios:

Primeiro quero dizer que nesse trecho bíblico o apóstolo Paulo considera que o modo como se deve encarar o ministério cristão passa pelo valor que devemos ter em relação às pessoas. Paulo faz questão nesse e em outros textos (sobretudo ao fim de suas cartas) de nominar os seus cooperadores (libertos e escravos), isos ele faz no sentido de valorizar, elogiar, enfim tratar o povo de suas igrejas como gente e não "massa de manobra". É muito triste vermos obreiros tratando sua membresia como números e não como pessoas! Tenho de concordar com o comentário terno do pr. Hernandes Dias Lopes, "a matéria prima da igreja é gente".

Em segundo plano, o que o apóstolo transmite em seu texto é uma preocupação para que os crentes de Corinto recebessem Timóteo, Estefánas, Fortunato e Acaico não como líderes que estavam com o peso da coordenação ministerial, ou da liderança específica sobre o rebanho, mas sim como "obreiros", isto é como trabalhadores no Senhor. Parece-me que Paulo transpira aqui o que ele havia compartilhado com a igreja de Tessalônica:


I Tessalonicenses 5:12-13
12 - E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
13 - E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós.


Ainda vejo no texto uma terceira consideração: Paulo orienta a igreja em Corinto para viver um amor que não fosse puramente teórico. A ponto dele englobar tudo na seguinte expressão: "todas as vossas obras sejam feitas em amor" (I Corintios 16.14). O amor é o ambiente onde devem orbitar todas as relações cristãs, e não existe melhor meio de se demonstrar isso do que no cultivo de relacionamentos que visam a concretização de sentimentos afetuosos, seguindo a máximo da verdade de que "o amor é o que o amor faz".

Para tornar ainda mais prático esse valor de se ser um impacto na vida das pessoas, lembro-me de uma história que li já há algum tempo de um jovem que carregava no seu ombro um menino mais novo. Quando ele foi perguntado que peso seria aquele, ele de pronto respondeu: "não é um peso, é meu irmão". Vejo que essa é a tirada que precisamos ter em nossa mente e sobretudo, nosso coração: o nosso irmão (que Jesus nos ensinou na parábola do "bom samaritano" é o nosso próximo, aquele que está perto!) é gente como a gente, e deve ser servido e considerado desse modo, a fim de não incorrermos no erro de considerarmos as pessoas como "possível campo missionário". É lamentável a postura de quem diz amar o evangelismo e ao mesmo tempo trata as pessoas com rigor excessivo! O meu consolo é saber que, mais cedo ou mais tarde as verdadeiras igrejas reconhecem e seguem os verdadeiros pastores!

Tenho dito.

sábado, 15 de outubro de 2011

POR QUE INVESTIR EM MISSÕES?

Li semana passada um trecho de uma entrevista do David Botelho (www.davidbotelho.com.br) e vi uma demonstração lógica do investimento em média do crente evangélico brasileiro, e acabei citando num culto nosso de quinta, mas ainda não consegui ser exato nas proporções dos números, por isso quero colocar agora de forma exata: se o investimento de cada crente no Brasil para missões fosse de R$ 10,00 mensais, nós aumentaríamos o nosso potencial missionário cem vezes mais! “Isso porque o investimento em média do crente brasileiro para missões é de R$1,30 por ano”!

O melhor investimento que um crente pode fazer ao final de um mês é na causa missionária! Eu tenho já há algum tempo seguido a orientação de John Piper num de seus livros: “... Seja radical com a sua igreja. Não deixe que as pessoas se estabeleçam e se sintam confortáveis pela situação econômica tranquila. Convoque-as para o estilo de vida dos tempos de guerra e para a orientação das missões mundiais. Diga-lhes que podem escolher entre três opções. Podem ser os que vão, os que enviam ou os que desobedecem. Mas ignorar a causa não é uma opção cristã”.

Considero de urgente interesse da igreja evangélica brasileira um despertamento em relação ao seu potencial, e o que estamos perdendo justamente por não nos posicionarmos à altura de nossa grandeza. Pense comigo: O Brasil é um celeiro missionário, somos a terceira maior igreja do mundo e somos pigmeus em relação às nossas contribuições para o alargamento de nossas fronteiras! E a razão desse visão míope em relação às missões é justamente o grau de limitação que existe nos nossos líderes eclesiásticos. Eu tenho de denunciar de que são muitos os pastores que ainda precisam viver uma "imersão" em um campo missionário, pelo menos uma vida em sua vida!

Trabalho com motivação missionária há anos, à frente de projetos missionários no Haiti, apoiando a "Missão de Apoio à Igreja Sofredora" (www.maisnomundo.org) e já tive surpresas agradáveis no contato com os colegas no apelo para que eles abrissem espaço em suas agendas para ouvirem sobre os desafios de países pobres como o Haiti, Sudão, Borundi, dentre outros, e obtive respostas interessadas, mas é verdade que já tive o "silêncio intimidador" como resposta de outros, que pura e simplesmente não admitem investir tão longe, tendo tantas necessidades por aqui perto.

Missões não é de fato a razão central da igreja existir. Concordo com John Piper que a igreja existe para adorar ao Senhor, mas no bojo desse conceito está a ideia de que temos de proclamar o nome do Senhor entre as nações, a fim de cumprirmos a convocação que nos é feita (e repetida em outras porções bíblicas) no Salmo 105.1: "Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos". É sabido que a igreja precisa fazer missões justamente para que a glória do Senhor alcance todas as nações da terra, e essa deve ser a motivação central e não a nossa "compaixão em relação ao pecador".

Fico pensando em desafios que poderia propor aos meus leitores desse despretencioso blog e me vêm a mente as seguintes linhas de ação para aumentarmos a visão missionária de nossas igrejas, a começar pelos seus pastores:

(a) Deve-se pregar mais sobre missões nos cultos. Ouço um silêncio em muitas igrejas no que diz respeito a se ter boas mensagens missionárias. Repito, "boas mensagens"! As mensagens devem ser bíblicas, cristocêntricas, simples e de aplicações diretas para o engajamento dos crentes na obra missionária através dos já conhecidos três pilares: oração, contribuição e envio. Não se deve perder tempo com historinhas ou experiências pessoais de evangelismos bem sucedidos. Tem de se levar ao povo estatísticas sérias (e deve-se tomar o cuidado para ser o mais preciso possível) e todos os argumentos precisam estar solidificados no texto bíblico escolhido para a Exposição.

(b) Deve-se realizar campanhas de arrecadação de fundos para missões. Cada denominação tem os seus meses e alvos missionários (não estou falando de "igrejas-biroscas" que são criadas por divisão e por isso tem ojeriza a toda e qualquer orientação denominacional). E o ideal é que essas Campanhas sejam conduzidas com uma "visão de fé" desafiadora a respeito de alvos financeiros. Eu sempre parto do principio que o nosso povo tem dinheiro, o que lhe falta é objetividade no investimento. Gastamos muito "naquilo que não é pão" e por isso vemos vez por outra missionários tendo de voltar do campo justamente por ter acabado o seu sustento! Coisa triste!

(c) A igreja precisa entender que missões não é só fora de suas fronteiras. A igreja precisa fazer missões em sua comunidade também. Phillip Yansey comenta em um de seus livros que uma das razões de sua decepção com a igreja em sua juventude, foi que sua igreja majoritariamente branca enviava ofertas missionárias para os que estavam trabalhando na Africa, mas não permitia que os negros do próprio bairro viessem cultuar com eles! É uma situação que, infelizmente foi bastante recorrente em um período da história dos Estados Unidos e que serve de ilustração negativa do que pode vir a acontecer em nosso contexto no sentido de chorarmos  em relação aos pecadores do outro lado do mundo e não derramarmos uma lágrima sequer pelos nossos próprios vizinhos! Só iremos levar à nossa luz bem forte longe, se ela brilhar ainda mais forte aqui perto de nós!

(d) Por fim, os pastores precisavam passar pelo menos 15 dias em um campo missionário. Qualquer um, quer seja em nosso país ou fora! Há pastores que não valorizam os missionários e é verdade que há missionários que não valorizam pastores! Essa "guerrinha" precisa acabar e uma solução que venho propor é de que todo pastor coloque em sua agenda (e leve a igreja a considerar o investimento nesse sentido) deveria passar no ano pelo menos duas semanas dando alguma contribuição em algum projeto missionário: quer seja no evangelismo pessoal, treinamento teológico, cuidado com a vida do missionário, aconselhamento pastoral, construção de novos templos, visitas em orfanatos e asilos, enfim, iniciativas para sensibilizar o pastor, que vez por outra fica muito confortável em sua estrutura eclesiástica e precisa sentir mais o "cheiro do povo".

São apenas alguns apelos, entendo que eles não são absolutos, mas vão na direção de fazer com que invistamos mais do que recursos financeiros na obra missionária, mas sim que estejamos entregamos nossas próprias vidas a essa causa tão gratificante em termos espirituais.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

VAMOS ACORDAR, POVO DE DEUS!


"Ai dos que vivem sossegados em Sião, e dos que estão seguros no monte de Samária, dos homens notáveis da principal das nações, e aos quais vêm a casa de Israel!" (Amós 6.1).

Não podemos mais viver sossegados. Quero lhes propor algumas linhas de atuação (que desafio em primeiro plano a nossa igreja (IBACEN), depois meus companheiros  de caminhada ministerial.

1) Chega de canções de prosperidade. Se queremos fazer valer as bênçãos do Deus Providente, temos de parar com nossos clamores por fartura em nossas cabeças e mesas. Temos que vestir a camisa do engajamento social com nossos protestos de uma ordem mais justa para os mais frágeis de nossa sociedade. Não adianta gritar "sou abençoado" e assistir passivamente a morte de nossos jovens sem uma atitude de quem de fato está na frente e não na retaguarda da batalha!!!

2) Chega de mensagens positivas. Os púlpitos estão cheios de pastores que não conseguem aquecer o coração de ninguém com suas pregações cheias de princípios de auto ajuda e ensinos do jeito "faça a sua parte que Deus te ajudará". Temos de ser francos e abertos com os pecadores que vêm até nós: todos, absolutamente todos, estão à beira do inferno, e... se não fosse... a mão misericordiosa do Altíssimo, estaríamos todos perdidos!!!

3) Chega de dividirmos evangelismo com ação social. Essa relação dicotomizada entre falar de Jesus e agir como Jesus definitivamente não existe! O cloro é um veneno por si só, bem como o sódio... mas quando eles são fundidos na medida certa (transformando-se em cloreto de sócio) passa a ser a fórmula do sal... justamente o sal... e Jesus estava pensando nisso quando disse que nós "somos o sal da terra" (Mateus 5.13).

4) Chega de falar que temos de orar. Todos estamos "carecas" de saber que, como crentes temos de orar e não há poder na vida sem uma vida de oração. Agora, vamos parar de falar e vamos começar a orar??? Um dos sinais da calamitosa vida de oração no nosso tempo está justamente porque temos falado muito de oração, mas não oramos!

Pastores e lideres vamos silenciar o nosso silêncio e nos fazermos ouvidos em cada rua, becos e esquinas de nossa cidade. Temos que nos mobilizar! CHEGA!!! Não é a toa que Martin Luther King disse: "No Final, nós nos lembraremos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos."

sábado, 17 de setembro de 2011

O QUE É UM CRISTÃO VERDADEIRO?

"Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento" (A. W. Tozer)

Essa frase é para mexer com a nossa consciência dita cristã! Percebo que temos vivido em uma sociedade altamente condescendente em termos de valores morais... eu sempre tenho tido que a raiz da pulverização ética que vivemos é o afrouxamento de nossa confiança na suficiência das Escrituras. A crise moral é filha do liberalismo teológico e irmã gêmea da tragédia que assistiremos em breve na igreja evangélica brasileira onde determinados “gurus virtuais” vão conseguir o que mais sonham: desfocar a missão da igreja, transformando as comunidades de fé em ambientes de entretenimento apenas!!!

E onde fica o Evangelho? John Stott em seu comentário sobre o livro de Gálatas é bem taxativo ao dizer que “o Evangelho não é, antes de mais nada, as boas novas de um nenê na manjedoura, de um jovem numa banca de carpinteiro, de um pregador nos campos da Galiléia, ou mesmo de uma sepultura vazia. O evangelho trata de Cristo na cruz”.

É cruz tem a ver com renúncia. Nossa geração precisa aprender a abrir mão de direitos pessoal, de achismos inconseqüentes para se sujeitarem às verdades eternas do Evangelho. Agora tudo fica mais difícil quando percebemos crentes arrogantes que se consideram superiores a tudo e a todos, que verbalizam “palavras de ordem” para suas congregações com termos já desgastados de seus verdadeiros significados como “unção”, “palavra profética”, “avivamento” e tantas outras que, embora sejam ricas em si mesmas, já se perderam suas essências pelo mau uso de pessoas que querem por que querem atrair algum tipo de beneficio pessoal com o uso das mesmas.

A frase de Tozer se torna urgente... precisamos assumir que somos “estranhos”... não vemos o que adoramos, somos radicalmente depravados em nós mesmos (aquilo que chamo de “carniça interior”), perdemos para podermos ganhar, andamos na contramão do sistema do mundo, somos taxados e desrespeitados quando batalhamos pelo que é certo e ético, mas mesmo assim, não podemos abrir mão de nossa integridade.

Um dos meus sonhos mais candentes é justamente sermos uma igreja que receba menos moções de aplausos em nossas “câmaras municipais”, menos verbas para nossos eventos, menos “tapinhas” nos ombros, isso para que recebamos mais elogios do próprio Deus e o reconhecimento de que nossa “esquisitice” não é em decorrência de nossos cultos estranhos mas sim por nossa postura que ameaça o equilíbrio desse mundo caótico.

No dia que formos mais “estranhos” receberemos sem dúvida nenhuma a palavra de apoio que o próprio Jesus recebeu quando saiu das águas do Jordão: Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado". (Mateus 3.17). Ai sim, estaremos fazendo diferença e seremos menos homenageados pelos homens, mas sem dúvida, receberemos os louros das mãos do próprio Senhor da Igreja: Jesus Cristo.

Maranata, Ora vem Senhor Jesus!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O MUNDO É UM JARDIM DO INIMIGO?

"Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós". (Tiago 4.7)

Acabei de ler (e publicar, como faço sempre com os comentários nesse blog) um comentário virulento em minha postagem sobre a Angra Expo que não me abalou porque como diz o apóstolo Paulo, "eu sei em quem tenho crido". Mas, me parece que há um descompasso emocional em crentes que não permitem críticas de seus eventos ou líderes prediletos, eles são cegos em relação aos seus erros, equívocos e inclusive, heresias. Com isso defendem ardorosamente seus nomes prediletos como se fossem verdadeiros semi-deuses. Numa rede social que participo fiz um comentário (admito, jocoso) do Silas Malafaia, e quase fui incinerado, disseram até que eu deveria cuidar mais da minha vida! Ufa! Quanta limitação de mente! Eu creio que o único inerrante é o Senhor Jesus, e a Ele é quem devemos imitar, agora homens (Malafaia, Feliciano, Valnice, Terra Nova, André Valadão, dentre outros) todos eles precisam estar sob o peso de observações críticas e pontuais, sempre utilizando a Bíblia Sagrada como referência de padrão de verdade.

O tema acima, é uma provocação em relação à peça que nossa cidade receberá na FITA (Feira Internancional de Teatro de Angra dos Reis) nesses próximos dias, denominada "O Jardim do Inimigo". Eu assisti a peça, e quero fazer algumas pontuações. No Wikipédia há um resumo da peça e também alguns dados da produção, que eu transcrevo aqui:

"O Jardim do Inimigo é uma peça teatral realizada pela companhia de teatro Jeová Nissi, foi apresentada pela primeira vez entre os anos 2000, é vista e conhecida por muitas regiões do Brasil e muito comentada entre as igrejas evangélicas, posteriormente foi lançada em DVD em 2007. Foi escrita, dirigida e protagonizada por Caique Oliveira que é o fundador da companhia.
Possui o tema abordando vários fatos que acontecem em relações humanas e cristãs, como violência doméstica, uso de drogas, prostituição, miséria, pobreza, descompromisso com Deus e a igreja. O texto é narrado pelo personagem principal, dito como o Acusador, o Diabo (Caique Oliveira), que acusa todos aqueles que seguem o caminho pecaminoso de uma forma sarcástica e entretida com Humor Negro. Apesar de ser um drama trágico-impactante foi aceito pelos mais diversos publicos e idades, O teatro é feito para jovens e segue uma linha de humor e drama."
 
Diante dessa apresentação e à luz do que eu vi, posso dizer que a peça é um desserviço ao evangelismo. O autor (que é o personagem principal, praticamente em forma de um monólogo aterrorizante) faz apologia aos estratagemas do Diabo, colocando-o como responsável absoluto de todas as desgraceiras da vida, e com tentáculos inclusive no seio da igreja evangélica. O tom é de um sarcasmo irreverente, e sem nenhum cuidado em não "carregar demais nas tintas" o nosso arqui-inimigo é apresentado em cores tão atraentes que os incautos vão desejar servi-lo ao invés do próprio Deus.

É incrível como a teologia protestante brasileira se vê em confusão a respeito do Diabo. Digo isso porque é sabido que as igrejas (sobretudo pentecostais e neo-pentecostais) dão um cartaz promocional a Ele a cada culto, creditando-o todos os erros, abusos e irresponsabilidades que ao invés de serem assumidas são tercerizadas para o Diabo e seus demônios, isso posto porque é mais fácil espiritualizar tudo e demonizar nossas fraquezas do que assumi-las diante da Cruz de Cristo na confissão sincera de nossos pecados. Em muitos cultos de libertação o Diabo possui  lugar de destaque, pois todas as vicissitudes da vida são atribuidas a ele. Parece-me que há o desconhecimento da podridão que é o coração humano em sua capacidade desmedida de fazer grandes males e de provocar tragédias insondáveis no mundo.

Não estou com isso, dizendo que o Diabo não está ao nosso derredor (I Pedro 5.8), ou ainda que o mundo não jaz no maligno (I João 5.19), ou ainda que ele não seja o pai da mentira (João 8.44). Longe de mim ser um "advogado do Diabo". Creio que ele é a única criatura do universo que não devemos esperar nenhuma possibilidade de salvação, mas não posso deixar também de afirmar categoricamente que ele é servo de Deus. Sim, o Diabo é um súdito do Reino de Deus, uma vez que ele não pode fazer absolutamente nada sem a permissão do Senhor. Lembra-se do episódio ocorrido na vida de Jó, e como Satanas precisou da permissão do Senhor para tocar em sua vida (Jó 1.12). É importante também recordar que, quando da tentação de Jesus, o Diabo foi colocado em seu devido lugar, apenas na citação pura e simples das Escrituras, três vezes pelo Senhor Jesus: Mateus 4.4; 7, 10.

Não podemos de maneira alguma compreender esse mundo (criado pelo Senhor com requintes de criatividade), que de acordo com o Salmo 24.1 pertence a Deus como "um jardim do inimigo", isso é heresia das mais hediondas. O mundo é de Deus, ele jaz no maligno em seus valores pervertidos por ocasião da queda do homem, agora o jardim do Eden (em simbolismo vivo, representando o lugar de deleite da presença de Deus) não se transformou em palco onde Satanás (o outro nome de Diabo) se tornou ator principal! Absolutamente! Quem continua ditando as regras nesse mundo é o Senhor. Gosto de afirmar e reafirmar isso categoricamente: Não há outro Senhor no céu e na terra!

Quando o famoso evangelista Billy Graham esteve no Brasil nos anos 60, foi lhe proposto sair em carro aberto para saudar a população do Rio. Ele secamente respondeu: "Deus não divide a sua glória com ninguém". Fico a pensar sobre o propósito de uma peça (dita evangélica) que atribui tanta glória ao Diabo que deixa sem dúvida, o espectador assustado, mas não mais temente ao Senhor! Quero terminar dizendo que a peça causa sim, assombro pelo Diabo, pelo Inferno, mas não provoca honra ao Criador, pois mesmo na confissão de pecados secretos há muito mais "pena de si mesmo" do que reconhecimento sincero que Deus é tudo em todos, e não levará ninguém ao céu por temor ao inferno! Termino com uma frase que gosto muito:  "não é o temor do Inferno o que me há-de levar ao Céu; o Amor de Quem lá Se deixa ver e gozar, sim."

Tenho dito. E não verei e não recomendo a peça "O Jardim do Inimigo".

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O VALOR DA COOPERAÇÃO

Chegando do Haiti nessa semana, depois de 15 dias de um abençoado "Projeto Missionário", começo a refletir sobre o valor da cooperação ministerial, uma vez que nesse tempo tive a oportunidade de liderar pessoas de 12 igrejas diferentes, e pude ter o privilégio de focar todo o grupo numa visão: dar a nossa contribuição para a reconstrução do país mais pobre das Américas.

Há muito tempo venho pensando a respeito da importância de uma imagem correta do que vem a ser uma igreja do Senhor Jesus. A Bíblia vai se utilizar de metáforas ( comparações) para expressar a igreja: edifício, rebanho, geração eleita, sacerdócio real, povo adquirido, corpo, e tantos outros. Em todas essas idéias há um elemento presente: cooperação. A cooperação é a participação de cada indivíduo para o desenvolvimento de um projeto comunitário. Daí a necessidade de se ter cooperação para a existência de uma igreja.

Para resgatarmos esse princípio na vida da igreja encontro no texto de Êxodo 17.8-13 alguns principios muito sólidos do que vem a ser uma vivência que viva na prática esse conceito. No texto encontramos o povo de Israel em uma peleja árdua com seus inimigos imediatos, os amalequitas, e um episódio chama a atenção de todos. Enquanto isso, Josué liderava o povo na frente de batalha, Moisés sobe ao monte para visualizar a batalha, seguido por Arão e Hur, dois de seus assistentes.

Repare comigo que a ordem de Moisés foi clara a Josué: “selecione os homens para a batalha e saia à campo, e amanhã eu vou estar no cume do monte, com a vara de Deus.” A vara de Deus, foi a mesma que abriu o Mar Vermelho, no texto ela é símbolo da intervenção sobrenatural de Deus na história natural do homem.

Moisés se compromete a assumir posição de intercessão na batalha. Não se tratava de uma posição de camarote, mas sim uma posição de guerra. Ora, Arão era sacerdote, Hur era um ancião, a terceira autoridade em Israel, ambos estavam dispensados da batalha, poderiam assumir uma postura de criticismo. Mas eles preferiram, segundo o verso 10 subirem também ao cume do Monte. Eles queriam participar!

Uma verdade que você jamais deve se esquecer: o “nós” é bem mais forte do que o “eu”. A força da comunidade é um valor que não se percebe com facilidade em nossa sociedade individualista. Geralmente se fala em participação popular apenas em época de campanha eleitoral. Mas o fato é que “o povo não sabe ainda, a força que possui”, isso em termos de protesto, denúncias, mas principalmente no campo das construções, das realizações.

Arão e Hur, pela posição que tinham na comunidade, poderiam muito bem, ficarem de braços cruzados questionando: “prá mim, não foi boa idéia de Moisés de guerrear contra este povo.” E aí outro respondia : “eu estou pagando para ver!”. Mas não ambos somaram!

Isso me faz lembrar uma fábula. A centopéia é aquele animalzinho, parecido com uma lagarta, que tem cerca de 100 patinhas. Cada uma das patinhas é importante para a movimentação da centopéia. Certo dia o macaco perguntou à centopéia: “qual das cem perninhas você mexe primeiro para andar?”. A centopéia então ficou tão preocupada em saber qual das pernas ela mexia primeiro que não andou mais!

A igreja só existe por causa da participação de todos em um projeto só: ora, temos uma visão: “sermos uma comunidade de fé e amor que vive em um ambiente de comunhão, proclamando Jesus Cristo, como Salvador do Mundo”, e não podemos descansar enquanto esse projeto não for plenamente  realizado.

Agora, um dado que não pode passar despercebido, e isso serve para todos nós, que somos líderes e que, vez por outra nos cansamos e nos desgastamos no ônus da liderança, está no verso 12, lá podemos encontrar o seguinte: “as mãos de Moisés, porém, ficaram cansadas”. Às vezes pode-se pensar que a liderança da igreja, por serem formadas de pessoas espirituais não se cansa, mas o fato é que muitos dos nossos líderes tem cedido ao estresse!

Ora o que é estresse: “ir além dos limites”. O sentido original da palavra estresse veio da mecânica. Trata-se do trabalho de determinar a resistência de um material, o que é importante na construção de pontes, edifícios, aviões. Então para se determinar a resistência de um material é preciso submetê-lo a estresse, isto é, forças, até o ponto de ele se partir. Tomo um tijolo, coloco-o numa prensa e vou apertando, quando ele partir, eu terei chegado ao ponto de “estresse” do tijolo.

Moisés sobe ao monte, Arão e Hur o segue, e ele começa a perceber que quando ele levanta as mãos o povo de Israel prevalece, mas quando abaixa o povo perece. Mas ele não percebe que vem o cansaço. Nem sempre vamos poder estar dando o máximo de nós! Precisamos aprender a separar tempo para o nosso descanso! E, para isso, precisamos entender que não somos super-homens, muito menos, super-mulheres! Temos as nossas debilidades pessoais e vez por outra vamos precisar de pessoas nos apoiando com suas fortes e descansadas mãos.

Quero, aproveitar essa postagem para agradecer a feliz e singela homenagem que recebi ontem em nosso culto, pela passagem do meu aniversário, e pelos inúmeros recados e felicitações via redes sociais. Completei 37 anos no dia 26 de agosto, data que eu ainda estava no Haiti. Fico pensando em nossa igreja, e imagino os vários momentos de minha vida em que precisei que muitos desses irmãos e irmãs sustentassem minhas mãos na condução de várias batalhas. E, posso dizer: em Deus vencemos juntos, e hoje podemos dizer: "até aqui nos ajudou o Senhor!".

Obrigado.

PS. Esse artigo é para aqueles que carregam o peso da liderança e que precisam aprender, dentre tantas coisas, que precisam de pessoas. Como alguém já disse: "pessoas precisam de pessoas para serem pessoas".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

VENCENDO O PRECONCEITO! VIVA O HAITI!

Gosto de pensar em Jesus como um “quebrador de tradições humanas”. Esse é um dos títulos que mais me emociona ao pensar sobre o Jesus a quem eu sirvo. Empolgo-me em refletir em um Jesus que simplesmente vê as coisas por um “outro ângulo” e com isso, recebe quem não é recebido por ninguém e afasta aquele que é tolerado por todos. Um Jesus que, com suas armas pacíficas é capaz de enfrentar o mais furioso dos preconceituosos.

O preconceito é uma das doenças mais perversas de nossos dias. Não estava errado Albert Einstein quando sussurrou: “que triste é o nosso mundo; em que é mais fácil dividir um átomo do que destruir um preconceito!”. Mas, em matéria de demolir preconceitos, Jesus, estava à frente de seu tempo. E foi assim, num texto que meditei na semana passada para uma mensagem em minha congregação: Mateus 9.20-22 na história da mulher que padecia de uma hemorragia crônica e ousou tocar em Jesus.

Michael Harper em seu livro “As curas milagrosas de Jesus” faz um comentário interessante sobre essa passagem: “Esta estória é confortadora para os que sentem que ninguém tem tempo para eles, menos ainda Deus. É também desafiadora para os que são demasiadamente ocupados e cujas vidas são por demais programadas. Jesus sempre parecia encontrar tempo para lidar com a necessidade humana genuína e assim devíamos nos fazer”.

O fato é que Jesus estava tremendamente ocupado com a solicitação de um oficial judeu que estava com a sua filha à beira da morte. E no caminho para a casa do homem importante na sinagoga (lugar de cultos dos judeus no tempo bíblico), Jesus é surpreendido com um toque em meio a uma multidão. Ele então solicita que tal pessoa se manifeste e nisso a história dessa mulher foi eternizada.

Ela sofria de uma menstruação crônica e com isso, segundo a lei dos judeus, ela era imunda, e tudo quanto tocasse imundo se tornava (Levítico 15.25-27). Ela vivia em desespero de vida, e já havia gastado tudo o que tinha em procura de sua cura. Olha, a grosso modo, podemos perceber pelo contexto histórico, que como naqueles tempos não haviam os absorventes modernos, que aliviam, ao menos em uma certa porcentagem, os “maus jeitos” desses dias de sangramento, aquela mulher sofria profundamente.

Certamente não era casada. Não recebia um abraço de ninguém. Ninguém lhe beijava, ela não recebia nenhum  “chamego”, um sussurro de afeto. Era seca por dentro e gotejante de sangue por fora! Triste sina, diríamos hoje... Mas, essa mulher encontrou-se com Jesus e isso mudou a sua história.

Ela foi ousada em sua fé. E logo pensou: “olha se seu simplesmente tocar na pontinha das roupas de Jesus, ficarei curada”. Pensando sobre essa ousadia cheguei a algumas conclusões:

(*)  Essa ousadia nasceu no cansaço daquela mulher em buscar a cura por seus próprios recursos.

Chegou um determinado tempo que ela se cansou e aí veio a idéia: “tocar em Jesus”. O toque em Jesus iria mudar o seu estigma, e ela cria que Jesus não era um milagreiro qualquer, era o próprio Filho de Deus.

Essa nova consciência de quem Jesus de fato foi e continua sendo, fez com que um dos homens mais poderosos da história se curvasse diante do personagem Jesus. Esse homem foi Napoleão Bonaparte, olha a declaração que tenho arquivada dele: “Com todos os meus exércitos e generais, por um quarto de século não consegui subjugar nem um único continente. E esse Jesus, sem a força das armas, vence povos e culturas por dois mil anos.”

(*)  E por último, essa ousadia foi a atitude que levou a mulher a não sair de perto de Jesus sem ter uma página de sua história virada.

“Página virada” tem a ver com mudança de tom, de ambiente e de conceito de vida. Não é a toa que Jesus ao se referir a ela, no verso 22, a chama de “filha”. Ela que não era notada por ninguém, salvo para chamá-la de imunda ou talvez de “fetida”,  agora recebe um título familiar que reforça o carinho com que Jesus trata as pessoas. Para ele, todos nós, independente de nossos sangramentos existenciais somos “filhos e filhas”.

Olha, me emociono com esse Jesus, ele de fato é único em sua amplitude de ser. Mas também ele é único na amplitude de seu amor. Ele me ama como se eu fosse o único ser criado no universo, e isso me faz especial.

Por isso que, me dirigindo a você, posso lhe garantir: ninguém nunca lhe amará mais nessa vida do que Jesus. Tenha ousadia, toque nele, e eu posso lhe garantir:  a cura que você espera virá, e com ela você adquirirá a vivência na esfera da graça amorosa de Jesus, a participação em um novo ambiente familiar e um conceito novo de um Jesus que sempre terá boas intenções a seu respeito.

PS. Vou ao Haiti na próxima semana, fico lá até o dia 31/08. Serão 15 dias de "imersão missionária", envolvendo-me com pessoas que são alvos do amor de Jesus. São os "intocáveis" de nosso tempo! Peço que me acompanhem em oração e em breve trarei novas notícias daquele país que capturou o meu coração!