sexta-feira, 2 de julho de 2010

O SONHO ACABOU!

É difícil ter os nossos sonhos frustrados, sobretudo quando nos habituamos a viver no limite de nossas possibilidades! O Brasil nesta Copa de 2010 foi o reflexo de um técnico temperamental, explosivo, nervoso e desequilibrado emocionalmente em um momento ou outro. Como resultado dessa fórmula macabra milhões de torcedores perderam suas esperanças de gritar "é HEXA"!

Na verdade o que tivemos na Copa do Mundo pode ser aplicado na nossa vida pessoal. Esse time comandado por Dunga foi o seu reflexo em termos de brigas, desequilíbrios, palavrões em campo e demais fragilidades de pessoas que infelizmente nos representaram muito mal em campo sul africano.

Mas aqui fica o meu protesto: não me senti bem representado! É com lástima que digo que até mesmo o comportado Kaká desequilibrou-se e o "atleta de Cristo" (que nunca foi de Cristo nessa Copa) acabaram sendo sacrificados no meio dessa junção de jogadores medianos.

Aprendamos pois com os nossos erros e nunca brinquemos com nossa postura de cristãos! Fica assim! Seleção Brasileira de volta para casa!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

UM DIA NA VIDA DE UM NÃO-DIZIMISTA!

O "não dizimista" acorda de manhã e não encontra palavras para orar, seu semblante é carrancudo, e seu prognóstico para o dia que começa é dos um dos piores possíveis, ele logo pensa: "nada pior do que um dia após o outro, pois terei mais um dia em que terei de lutar pelo meu sustento, que aliás, só depende do meu esforço!". Ele se levanta, e ao sentar-se à mesa do café da manhã, contempla o pão, a manteiga, o café , o leite, mas não dá graças a Deus por nada! Ele apenas sussura uma prece mal-agradecida, um "obrigado, Senhor!" encabulado e sem ardor no coração.

Ele sai para o trabalho, dedica-se com empenho durante suas oito horas de batente, e logo já tem planos para os gastos advindos de tão grande peleja. Ele raciocina consigo mesmo, à semelhança daquele louco do texto de Lucas 12, que pensava em derribar seus celeiros e construir outros maiores a fim de abrigar todos os seus víveres. A vida de um não dizimista é desgastante, pois ela se limita ao "já", ao "agora", e não tem nenhuma consideração no viés da eternidade. Tudo é cogitado para as conquistas materiais e o curioso é que no caso de meu personagem aqui, mal o dinheiro recebido como salário chega em suas mãos ele se dissipa rapidamente. Um dia, o não dizimista chegou até a pensar: "Será que o fato de eu não poder cumprir meus compromissos com o salário que recebo é sinal de que estou sob o peso do devorador que o Senhor Deus se compromete a expulsar da vida de quem é fiel em suas contribuições? Ele se lembra de Malaquias 3:11: "E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos". Mas, logo o não dizimista pensa consigo mesmo (de novo, sempre sozinho!), esse é um texto do Velho Testamento, não tem nada ver com o "tempo da graça" que vivemos hoje! Mais, uma vez ele prefere se enganar do que pura e simplesmente, crer!

Ai, chega o momento mais curioso do dia do não dizimista, é quando ele vai à sua igreja (sim, ele é membro de uma igreja evangélica!). Chegando lá ele estranha que o culto está diferente, e ele repara nos detalhes: o templo está imundo, pois ele nunca contribuiu para o pagamento da zeladora. Além disso, as lâmpadas estão apagadas (ele não contribui também para o pagamento da energia elétrica do templo). Também ele fica mais ainda chocado quando não recebe um boletim na sua chegada, pois ele não colabora também no pagamento da secretária, ventilador nem pensar (ele não ajudou na compra do mesmo, e ainda mais agora, sem energia elétrica). Ele senta-se sozinho, para variar, pois os outros não dizimistas nem lá apareceram, sabe por que? Porque aquela seria a noite do levantamento de oferta missionária, e eles nem ousaram participar!

Ele logo se pergunta: onde está o pastor, quero falar com ele, me aconselhar... mas, ele descobri que como nunca dizimou, se dependesse de sua colaboração, o pastor jamais teria conseguido sustento para a sua família. Resultado: o culto do "não dizimista" não tem pastor, por conseguinte, não tem música (o som, os instrumentos e os cursos mantidos pela igreja aos músicos todos são oriundos dos dízimos dos fiéis!). Ora, não há culto, não há altar, não há vida, não há solenidade, não há Deus!

O nosso "não dizimista" começa a chorar! Ele se lembra dos apelos bíblicos ligados à entrega voluntária e generosa de contribuições para a causa do Senhor, para o sustento de sua obra! Textos como:

(Números 18:21) - E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.

(Deuteronômio 12:11) - Então haverá um lugar que escolherá o SENHOR vosso Deus para ali fazer habitar o seu nome; ali trareis tudo o que vos ordeno; os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e toda a escolha dos vossos votos que fizerdes ao SENHOR.

(II Crônicas 31:5) - E, depois que se divulgou esta ordem, os filhos de Israel trouxeram muitas primícias de trigo, mosto, azeite, mel, e de todo o produto do campo; também os dízimos de tudo trouxeram em abundância.

(Neemias 10:37) - E que as primícias da nossa massa, as nossas ofertas alçadas, o fruto de toda a árvore, o mosto e o azeite, traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos levitas; e que os levitas receberiam os dízimos em todas as cidades, da nossa lavoura.

(Malaquias 3:8) - Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.

E isso, ele lembrou-se só do Antigo Testamento. Mas, o Senhor ainda lhe fez lembrar dos exemplos vivos do Novo Testamento. Como aquela fala de Jesus que não devemos omitir o dízimo da prática de nossa piedade:

(Mateus 23:23) - Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.

O Senhor ainda teve misericórdia do nosso "não dizimista" ao fazê-lo reflitir naquele culto às escuras do exemplo daquele viúva que "deu tudo o que tinha" e recebeu uma palavra de consideração entusiasta:

(Lucas 21:2) - E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas;
(Lucas 21:3) - E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva;

Dai, houve quebrantamento! O nosso amigo "não dizimista" resolveu se converter de verdade, e se comprometeu a ser fiel na entrega de seu dízimo mês a mês. O final da história, quem é dizimista sabe como foi... Seu dinheiro mês a mês passou a dar para todas as suas despesas, ele passou a acordar todos os dias com uma oração sincera para ser feita a Deus, e, como coroação de tudo: seu culto passou a ter mais vida, mais calor e ele deixou de sempre estar sozinho, afinal de contas: igreja é relacionamento!

Ah! não posso deixar de citar aqui: os desafios missionários de sua igreja passaram a ser todos ultrapassados! E ele pôde gritar à plenos pulmões: sou participante da obra de Deus e não mero expectador! Em outras palavras, ele disse: "Chega de ser parasita!".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

KAKÁ E DUNGA: DUAS CABEÇAS, DUAS SENTENÇAS!

"Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa; porque eu vos darei boca e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir nem contradizer". (Lucas 21.14,15)

No domingo passado, nos lances e desdobramentos da partida do Brasil contra a equipe de Costa do Marfim pela "Copa do Mundo de Futebol" pincei duas situações que estão fervilhando em minha mente a semana inteira. Foram dois momentos sugestivos: o primeiro a irritabilidade de Kaká devido à superioridade física de alguns jogadores marfinenses acabou impondo a ele uma expulsão injusta (no ato em si do segundo cartão amarelo!) e depois a entrevista coletiva em que o destemperado Dunga ataca um repórter com xingamentos de várzea!

As atitudes foram distintas: Kaká a respeito de sua inverídica colovelada disse: "vocês verão as imagens!" e Dunga em sua veia desequilibrada disse: "xxxxxxxxxxxxx", enfim termos chulos e grotescos! Nessas posturas eu deduzo duas formas de nos defendermos quando somos atacados, e faço essas considerações com o texto de Lucas em mente (e aberto aqui em minha mesa de trabalho):

01) Antes de agir, proponha harmonização em seu coração, nunca desafine!

O texto diz, "proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a defesa". Há sérios e delicados problemas em nossa precipitação no falar. Parece-me duro o fato de que quando falamos sem antes cogitarmos em nosso mundo interior a genuinidade de nossos sentimentos, na certa acabamos sendo incorretos em nossa análise!

Deus nos dotou de um filtro de avaliações denominado "consciência", e pouca gente compreende o fato de que ela corresponde àquilo que os puritanos denominavam de "Deus dentro de nós"! A consciência é nosso senso de orquestração do mundo interior, e uso esse termo de propósito uma vez que se o nosso coração não estiver harmonizado como uma música bem executada, os nossos atos e atitudes serão totalmente desorientados e intempestivos! Por isso, um conselho: não fale nada enquanto você não puder ouvir do seu coração o som afinado de uma musicalidade tranquila! Deve ser por isso que Salomão disse que é "estultícia falar antes de pensar!"!

02. Deixe Deus e os outros lhe defenderem, nunca fique na defensiva!

Enquanto o jogador evangélico, com testemunho ilibado em clubes por onde passou, e com uma "ficha limpa", preferiu que as imagens o desabonassem, como realmente aconteceu! Dunga destratou um repórter que estava falando ao telefone, supondo que o mesmo estivesse falando dele! Kaká tem um senso grandioso da soberania de Deus, enquanto Dunga tem um senso grandioso de si mesmo! A enfermidade de quem está sempre na defensiva, é que ele sempre está achando que todos estão falando dele! Isso se chama, "ego inchado".

Jesus disse: eu vos darei boca e sabedoria, a qual nenhum dos vossos adversários poderá resistir nem contradizer", em outras palavras, devemos aguardar a defesa de Deus antes de atacarmos os homens! Olha que princípio libertário: pare de se defender, de se proteger, de lançar torpedos de críticas nos seus críticos! Deixe-os (os críticos) fazerem seu trabalho! Faça o seu, perdoe... surpreenda seus opositores com um sorriso... limpe seu coração de ressentimentos... confie na defesa de Deus em relação ao seu ministério e à sua reputação!

Eu já decidi! Entre Kaká e Dunga, quero ser mais Kaká, pois ser Dunga me levará à morte de meus sonhos em Deus, e me tornará refém dos próprios argumentos e sofismas! Posso dizer que já aprendi que, quanto mais eu me defendo mais eu deixo Deus distante de mim, e quanto mais eu espero a defesa de Deus mais eu cresço em sobriedade e humildade. Não é a toa que a cruz é o túmulo de nossas vaidades pessoais e de nossas auto-justiças! Na cruz Jesus tomou para si meus achismos e minhas defesas!

E, para terminar: Obrigado Kaká por seu testemunho, só peço que fique mais calmo com as marcações! E Dunga, cuidado com os seus impulsos, a Bíblia chama isso de "inclinações pecaminosas"!

É o que penso.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ESSA PROSPERIDADE É POBRE DEMAIS!

Recentemente veio o pr. Silas Malafaia novamente pleitear de seus fiéis mais um desafio de sua megalomaníaca visão: ter mil templos espalhados no mundo e mais um canal de televisão para a sua nova denominação: "Assembléia de Deus Vitória em Cristo".

Embora Jesus nunca tenha pedido dinheiro para sua missão, é “favas contadas” que a igreja dele sempre precisou de recursos dos mais diversos para manter seus projetos de serviço, sustento e solidificação da obra de Deus! De maneira alguma venho dizer que a igreja não pode dispor e nem ao menos solicitar o que é legitimado pelas Escrituras para o sustento da obra: os dízimos e as ofertas.

Textos bíblicos podem ser citados com exagero para afirmar o valor bíblico das contribuições de santos. Fico apenas com II Coríntios oito, onde encontramos o apóstolo Paulo enaltecendo a generosidade das igrejas da Macedônia que haviam descoberto a graça de poder participar com as suas posses para a ajuda aos irmãos de Jerusalém que passavam por revezes financeiros. No texto temos até a expressão: “o privilégio de participarem deste serviço a favor dos santos” (v. 4).

É sabido que a igreja desde o primeiro século sobreviveu por doações de fiéis, e até mesmo a igreja do Velho Testamento tinha como princípio o recolhimento dos dízimos e das ofertas para a manutenção do culto e o sustento dos seus ofícios (no caso, os sacerdotes), como vemos em Levitico 27.30: “Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor”.

Mas o que temos visto já há muito no programa do Silas Malafaia e de outros famosos tele evangelistas é um descalabro, um verdadeiro assalto à mão armada, usando a Bíblia obviamente como arma letal para capturar dividendos dos incautos membros das nossas igrejas, sobretudo dos que já vivem endividados pelos cartões de crédito e empréstimos bancários e que, no afã de se tornarem de um dia para outro prósperos acabam contribuindo para ministérios em troca de orações e bíblias de estudo!

Desde ontem, quando expus em nossa igreja a porção bíblica de I Corintios 3.9-15, estou refletindo sobre alguns pontos que não me sae de minha mente e vem incendiando o meu coração:

Há uma urgente necessidade de fazermos um auto-exame constante para verificação de atitudes, posturas e inclinações acerca da natureza do nosso trabalho na Obra do Senhor. E eu lhe desafio a fazer isso a partir do momento em que você coloca os seus olhos neste artigo.

Isso se torna imperioso quando pensamos sobre os materiais com que o "edificio de Deus", a igreja pode ser ornamentada sobre o fundamento que já está posto, a saber, o próprio Cristo. Esses materiais que podem ser ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha constituem a nossa contribuição para o desenvolvimento da obra de Deus em nossa vida aqui na terra. Schrader coloca essa questão assim: "Alguns homens edificam com o ouro da fé, com a prata da santidade e com as imperecíveis pedras preciosas do amor; mas outros edificam com a madeira morte de esterilidade nas boas obras, com a palha vazia da falta de espiritualidade, com a ostentação do conhecimento, e com a cana quebradiça do espírito continuamente em dúvida".

Quando eu li isso pela primeira vez foi inevitável fazer um contraponto entre o evangelho do Senhor Jesus e esse pseudo-cristianismo denominado "evangelho da prosperidade!". Não se trata obviamente de me colocar como referência de qualquer consideração sobre a bíblica doutrina dos "galardões", mas sim de levar em consideração que, a despeito do nosso fundamento ser Cristo, e isso é verdade também para tantos neo e pseudo-pentecostais que andam diluíndo a Palavra de Deus, chegará um tempo em que todos os disfarces caírão e todos nós vamos estar diante de um fogo que revelará a resistência do material com que adornamos a igreja do Senhor Jesus, e fico então diante de duas (únicas) situações.

Trata-se da primeira, aquela onde aqueles que receberão o galardão de acordo com as suas obras, não em consideração ao "sucesso" de suas empreitadas, pois Deus não analisa a performance, mas à fidelidade, em conformidade com o seguinte texto:

(I Corintios 3:14) - Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão.

E, a segunda consideração, será relacionada à esterilidade de frutos que permanecerão para a vida eterna, com muito show e pouca unção, muito dinheiro envolvido e pouca lisura ética, enfim, muita badalação na carne e pouca piedade no espírito. E o verso para essa situação está em:

(I Corintios 3:15) - Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.

Meu coração se rasga diante dessa verdade, e fico a pensar de que o resultado não será nada animador para aqueles que, a despeito da salvação já estar adquirida por graça e méritos de Cristo, tiverem de amargar uma eternidade sem o brilho de ricas experiências espirituais onde Cristo constituíria verdadeiramente "tudo em todos"!

Uma lástima! Eu quero o meu galardão no céu e não a prosperidade aqui na terra, pois ela, sem a benção de Deus, é pobre demais!

É o que eu penso!

terça-feira, 15 de junho de 2010

ORA QUE MELHORA! SERÁ?

"Muitas vezes tenho me perguntado: 'Por que é que nós, os crentes ocidentais, não oramos mais?' e 'Por que as igrejas não dão mais atenção à oração?'. Afinal de contas, já que a oração é o ato supremo de intimidade com Deus, não deveria ser a atividade central de toda a nossa vida? Não é por falta de ensino sobre a oração. Nunca tivemos tantos livros e seminários sobre oração como hoje. A triste verdade, quer a admitamos quer não, é que não oramos porque, lá no fundo, não achamos que realmente precisamos de DEus. Não sabemos como orar porque a verdadeira oração só pode originar-se de uma vida totalmente esvaziada de autossuficiência." (K. P. Yohannan)

Esse tema me veio à mente por conta de um periódico que eu recebo com artigos edificantes para o pensamento bíblico sobre a profundidade de nossa relação com o Senhor. Tenho parado para pensar já há muito sobre a necessidade de termos crentes mais piedosos e inclinados à oração em nossas igrejas! Fico imaginando que em grandes concentrações onde há presença de artistas de nome sempre se vê um contingente de "adoradores" (se de Deus ou do artista, isso é foro intimo de cada um!), agora em reuniões de vigílias e orações sempre temos 10% da frequência da igreja, e esse número tem de ser comemorado! Falta interesse do nosso povo em orar. Sobra interesse em incensar os artistas gospéis de plantão! Que lástima!

São esses crentes reféns das músicas triunfalistas, que ousam decretar a hora do milagre acontecer, que quando se vêem sozinhos e tendo de lidar com a própria humanidade acabam sucumbindo à depressão espiritual. Martin Lloyd Jones fala sobre a depressão espiritual, e só para começar ele diz algo contundente: "de certa forma, um cristão deprimido é uma contradição de termos, e é uma péssima recomendação do evangelho."

Mas, eu quero insistir que há crentes que se deprimem por que não seguem um evangelho puramente cristocêntrico, mas são escravos de sua própria performance, de sua fé decretada, de promessas reinvidicadas ao som de um shofar ou em orações concordantes com algum pregador histrionicamente pentecostal! Não me refiro aos verdadeiros pentecostais, é claro, os que amam ao mesmo Senhor que nós e que são fervorosos em uma fé poderosa, estou citando os vassalos de uma vivência meramente estética, que representam papel de "He-mans" espirituais! E, que ousam vez por outra, se possível fosse, cantar o hino "grandioso és tu!" olhando para o espelho!

Ai, quem acredita que é só orar que tudo melhora, acaba se deprimindo, adoencendo a alma, pois nem sempre o milagre vem, a unção prevalece e as promessas são para o "aqui e agora!". Vez por outra temos de esperar, e temos de clamar pela misericórdia do Senhor. Por isso, cabe aqui um valiosíssimo hino da "Harpa Cristã" como referência final de meu artigo que denuncia a proclamação de uma fé tipo "shazan" e um Jesus que se parece como um mero "resolvedor de problemas" ou mal comparando um "auxiliar de serviços gerais" da humanidade. Reflita no hino verdadeiramente pentecostal e não idiotizado como alguns dos cantores atuais, influenciados pelo "evangelho da prosperidade":

Se tu, minh'alma a Deus suplica
E não recebes, confiando fica
Em Suas promessas que são mui ricas
E infalíveis pra te valer

Porque te abates, oh, minha alma?
E te comoves, perdendo a calma
Não tenhas medo, em Deus espera
Porque bem cedo, Jesus virá

Ele intercede por ti, minha'lma
Espera nEle com fé e calma
Jesus de todos seus males salva
E te abençoa dos altos céus

Terás em breve as dores findas
No dia alegre da Sua vinda
Se Cristo tarda, espera ainda
Mais um pouquinho e O verás.

Por fim, prefiro essa fé cega na provisão de Deus do que a reinvidicação de bençãos com olhos voltados apenas para a prosperidade material enquanto a alma abriga uma depressão sem tamanho!

É o que eu creio.

terça-feira, 8 de junho de 2010

RECOMENDO: "O LIVRO DE ELI"!

Ontem assisti um filme belicoso, de inicio sombrio, com cenas fortes de mortes sanguinolentas, mas com um bom enredo. Já havia lido sobre ele em um artigo na revista "Cristianismo hoje" em que exaltava a militância evangélica de seu principal protagonista: Denzel Washington!

O filme fala do resultado apocalíptico de um mundo destruido por uma "grande explosão", uma guerra de proporções bíblicas e a promessa de Deus de que apenas um livro daria inicio a uma nova civilização: e o portador desse livro é justamente, Eli, personagem de Denzel.

Como não poderia deixar de ser o filme narra uma luta contra o mal, no filme encarnado por um ator Gary Oldmann que assombra toda uma cidade e lidera uma gangue que se especializa em assaltos e saques na tentativa de recuperar para o seu governo esse livro poderossísimo, capaz de dar autoridade a quem deseja adquirir a alma das pessoas!

Percebo no filme um espaço midiático do que já temos vivido em nossa sociedade onde o caos impera, justamente pelo afastamento das pessoas em relação ao livro santo: a Bíblia Sagrada. Todos nós somos como "Eli" portadores de uma mensagem, de uma esperança para o mundo, da única possibilidade de um re-começo!

Fico animado em saber que Deus tem contato conosco nesse tempo, e ainda emocionado com a vida de John Knox a quem tive oportunidade de debater hoje em um programa de TV de nossa cidade, posso dizer claramente: que homens verdadeiramente de Deus possam clamar como o grande reformador, quando de seu falecimento em 1572: ele pediu à sua esposa que lesse para ele João 17, "onde", ele disse, "lancei minha primeira âncora".

Onde está lançada a âncora de sua alma?

Espero que seja, no livro de Eli!

domingo, 6 de junho de 2010

ADEUS, PR. REGINALDO!

"Então o rei disse aos seus servos: Não sabeis que hoje caiu em Israel um líder, um grande homem?" (II Samuel 3.38)

Acabo de chegar do velório do pr. Reginaldo, pai do Christiano (que é membro de nossa igreja!). Conheci o pr. Reginaldo quando era presidente do Conselho de Pastores em nossa cidade há cerca de cinco anos! Seu jeito simples, cativante e empolgado o notabilizava como um líder comunitário, um pastor amoroso de seu rebanho e um entusiasta pela expansão do evangelho!

Ele começou o seu ministério na Assembléia de Deus, ministério Sul Fluminense e depois aliou-se à CADERBRAS (um outro ramo das "Assembléias de Deus") e estabeleceu no Campo Belo, um bairro notadamente carente de nossa cidade uma igreja inicialmente plantada pelos seus próprios recursos pessoais.

A obra de Deus, independente da coloração denominacional tem suas marcas comuns, e pela vida do pr. Reginaldo eu cito algumas:

(1) A abnegação pelo calor da expansão de igrejas!

A necessidade de mais igrejas em nossa cidade incendiava o coração desse gigante de trabalho e dedicado presidente regional de sua convenção denominacional. Podemos em um homem ou outro questionar suas motivações sobretudo, em questões de ímpetos imperialistas, mas no que diz respeito ao pr. Reginaldo a simplicidade de sua vida falava por si mesma! Ele não viveu em opulência, não granjeou riquezas humanas, e nem aspirou ter o que não poderia manter, prefirou guardar aquilo que ninguém poderia lhe roubar, a saber a sua vida eterna!

(2) Seu amor pelos filhos, independentemente da escolha denominacional deles!

Seu filho, Christiano é batista! Está em nossa igreja! E mesmo sendo assembleiano de peleja, ele incentivava o filho a ser fiel ao seu pastor e à sua igreja, sem revanchismos denominacionais! Um exemplo de equilíbrio! Recentemente ele esteve em um culto de aniversário de nossa igreja! Estávamos juntos no "conselho de pastores" em um tempo onde todos tinham igualdade, independente do número de membros de seus ministérios! Pr. Reginaldo, tinha uma visão global! E isso o distinguia de muitos dos seus pares! Ele amava os seus filhos... e não os queria tê-los por perto apenas para perpetuar seu "reinado", afinal de contas, ele não era rei de nada! Era servo, apenas servo!

(3) Colaboração com projetos sociais!

O pr. Reginaldo acreditava que o pastoreio de almas não pode estar dissociado do cuidado pelas vidas, enquanto seres sociais, agentes da misericórdia em uma sociedade tão desigual como a que vivemos! Ora, ele lançava sua voz em protestos pela justiça social! Era militante de uma visão utópica de igualitarismo, que em nenhum momento passava por sua mente ver o oprimido sendo pisado e ele por perto, sem fazer nada! Sua opção sempre foi pelo confronto de idéias e pela ajuda concreta a quem de fato, necessitava!

Muitas vezes presenciei a simplicidade do pr. Reginaldo sendo motivo de risos! Mas, ele persistia e corajosamente levou à cabo o seu chamado, vivendo intensamente e morrendo em plena forma ministerial, uma vez que o acidente automobilístico que o vitimou aconteceu no retorno de um dos cultos! Viveu pela obra! Morreu por amor à obra!

Não posso deixar de homenagear esse homem, uma pena que não fui mais próximo a ele! Mas, mesmo à distância eu o admirava e fica aqui minha humilde contribuição à sua história e ao seu legado. E, como eu tive oportunidade de dizer em seu velório: "a obra de Deus não pode parar!".