quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MEU DEUS, VOLTOU A CHOVER!

Confesso que a volta das chuvas me assusta bastante. Está posto um bom exercício para a minha fé! Eu tenho pensado ultimamente nas duas categorias da fé consideradas pelos irmãos puritanos (crentes ingleses do sec. XVII): fé por aderência e fé por evidência.

A fé por aderência é a crença que tem como base os grandes postulados teóricos do evangelho. É a confiança de que a verdade de Deus está contida nas Escrituras Sagradas, é o resultado do ouvir, conforme Romanos 10.17: "a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo". Neste e em outras centenas de versos, a palavra fé diz respeito ao pensamento centrado na letra do evangelho.

Essa fé é suficiente para que a vida do crente adquira nova cor, no sentido de ter seus pensamentos voltados para o alto e não para a terra. O que mais temos presenciado nestes dias é o temor por dias piores, devido à fé frágil das pessoas que não têm confiado no Senhor como centro de suas vidas. Para estes é importante relembrar o que disse o profeta Habacuque: "mas o justo por sua fé viverá" (Habacuque 2.4).

Agora o que precisamos demonstrar no mundo, em nosso trabalho, no contexto familiar e eclesiástico é a "fé por evidência". Essa é a fé ilustrada pelo autor da carta aos Hebreus em seu capítulo 11. Trata-se da fé excelente, daquela que é encarnada, vivida e respirada por homens e mulheres que, mesmo em situações de dúvidas cruéis crêem, simplesmente crêem.

Temos de acabar com os "achismos" em nosso meio! A dúvida não pode encontrar terreno em nossos corações, ela é o inimigo maior da nossa fé. A dúvida no coração faz nascer o desânimo que adoece a alma e azeda o espírito.

Li certa feita uma historieta interessante: Satanás estava vendendo suas armas, e pôs-se a comercializar todas: sexo livre, pornografia, vícios diversos, espíritos familiares, enfim... todas as suas quinquilharias infernais! Mas uma ele deixava no canto e não tocava! Logo um demoniozinho lhe perguntou: "Chefinho, e essa não vai vender?". O diabo respondeu: essa não! com ela eu consigo o que quero com as pessoas! É o desânimo.

As pessoas que figuram na "galeria da fé" em Hebreus 11 venceram reinos, viveram em justiça na prática, alcançaram promessas do Senhor, taparam a boca de vários leões, apagaram a força do fogo, escaparam da morte certa, tornaram-se poderosos na terra e foram mais do que vencedores por Cristo Jesus. Isto porque não abriram mão do seguinte princípio: "sem fé é impossível agradar a Deus". (Hebreus 11.6)

Agora, alguns dos meus (poucos) leitores devem perguntar: mas e o título do artigo: "meu Deus, voltou a chover!" o que tem a ver com os conceitos de "fé como aderência" e a "fé como evidência"?

Digo, tudo a ver! Aqui em Angra ainda estamos traumatizados... toda chuva carrega lembranças assustadores das 52 mortes e das centenas de desabrigados e desalojados (que sofrem até hoje!). Logo é tempo de colocarmos nossa fé em ação! Crendo que a despeito de tudo há um Deus no controle, e o que nos encanta o coração é saber que esse Deus é BOM!

Fique com Deus!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

NÃO FALE! FAÇA!

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. (Mateus 7.21)

C. H. Spurgeon costumava pregar, uma vez por ano, "pelos seus órfãos". nesta grande reunião, muitos vinham ouvir o conhecido pregador e uma oferta era recebida para o sustento do orfanato. Após uma destas reuniões, quando ele deixava o prédio onde o serviço havia sido realizado, um indivíduo baixinho, "super espiritual", sem qualquer visão ou sensibilidade em relação à obra de Deus, o abordou e questionou: "Sr. Spurgeon, eu pensei que o senhor pregava e orava pelas almas perdidas e não por dinheiro!" A história relata que Spurgeon, solenemente, respondeu: "Quero que saiba, Sr. Fulano, que normalmente eu prego pelas almas perdidas e não por dinheiro, mas, meus órfãos não podem comer almas e, se pudessem, meu irmão, seriam necessários pelo menos quatro de seu tamanho para satisfazer-lhes a fome!"

Nem todos possuem, infelizmente, sensibilidade social! Há pessoas que pensam somente em si mesmas e são incapazes de olhar com carinho o outro, sobretudo o “outro que sofre”. Jesus sempre reiterou que o cristianismo é uma religião de prática e não meramente de conhecimento, repare no texto bíblico acima que ele diz: “aquele que faz a vontade de meu Pai”. Não basta ter vontade de fazer e não fazer, isso porque “de boas intenções o inferno está cheio”.

O nosso cristianismo precisa ser colocado em xeque se o mesmo não está produzindo atos concretos de ajuda ao próximo, transformação de maus hábitos e ajustes em relação ao passado recente. Não temos opção entre mudar ou não mudar. É preciso mudar! A nossa trilha no “caminho apertado” depois de passarmos pela “porta estreita” não nos deixa ter outra escolha a não ser renunciarmos nossos caprichos pessoais e partimos para uma vida altruísta e perdoadora. Quem perdoa se alivia de cargas pesadas do passado e vive com a alegria do novo nascimento em Cristo Jesus.

É muito comum encontrarmos crentes que não se aplicam na ajuda! São insensíveis a ponto de não dizimarem, dificilmente ofertam, não visitam os órfãos e as viúvas, e ainda são críticos em relação às iniciativas ministeriais da igreja. Eu fico a pensar: para quê serve a igreja? Não é para estar à disposição de quem precisa? Mas, e os que gostam de se aproveitar disso para angariar benefícios ilícitos? Eu respondo: a estes o Senhor Deus julgará! Temos de ter discernimento, fazer valer o nosso cuidado pelos recursos que Deus ministra a igreja, mas não podemos “fechar o nosso coração para o necessitado”.

Termino com a consideração feita pelo apóstolo João em sua primeira carta: “Filhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade”. (I João 3.18)

Façamos o bem sem olharmos a quem!

Um abração.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

VOE MAIS ALTO!

“mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão”. (Isaías 40.31)

Hadley Page foi um dos pioneiros da aviação. Certa vez ele pousou numa área deserta durante uma viagem. Sem que ele percebesse, um rato entrou no avião. Durante a próxima etapa da viagem ele ouviu o terrível som do animal roendo alguma peça do seu pequeno avião. Desconfiado que era um roedor ele começou a imaginar os danos que o animal poderia causar aos mecanismos frágeis que controlam um avião. Também ele estava longe de lugares onde poderia pousar e consertar alguma peça danificada. O que é que ele poderia fazer? Ele lembrou que um animal como o rato não sobrevive acima de certas altitudes. Aí ele puxou os controles do avião. O avião subiu e subiu até que o próprio piloto teve dificuldade em respirar. Ele escutou atentamente e finalmente respirou aliviado. O som do roedor havia cessado. Quando chegou ao destino ele achou o rato morto atrás da cabine do piloto.

Nesses dias de Carnaval quero desafiá-lo a voa mais alto! Vivo imaginando que devemos neste tempo tão tumultuado que nossa cidade vive, nos enclausurar em um “quarto secreto” para ouvirmos de Deus quais são as orientações dEle para nossas vidas. Estou desafiado a nestes dias falar com a igreja sobre o nosso chamado! Autoridade Espiritual é um tema intimamente ligado à nossa vocação como filhos de Deus para exercermos em nossa geração uma presença significativa e duradoura! O que o mundo poderia esperar de você, enquanto crente em Cristo Jesus? Quais as marcas que você deixará ao sair desse mundo? O que as pessoas falarão a seu respeito quando você morrer? Você será lembrado como alguém que caminhou nas pegadas de Jesus?

Nesse tempo tão cansativo que vivemos onde somos cobrados o dia inteiro a respeito de nossa postura como cristãos não podemos dormir, nem desanimar, o preço que o Senhor nos cobra em nossa santidade é bastante significativo! J. C. Ryle comentou algo importantíssimo: “Uma religião que nada custa, nada vale! Um cristianismo barato, destituído de cruz, mostrará ser um cristianismo inútil, que não pode obter a coroa”.

Existe um preço a pagar para viver nas alturas, onde todos os “ratos” são mortos, isso mesmo, aqueles pecados que nos desgastam e que podem causar graves acidentes no percurso de nossa caminhada para os céus. Desafio você aqui no Retiro nesses dias ou você que está na igreja no domingo, a fazer a seguinte oração ao Pai:

“Senhor, me ajude a cumprir esse propósito que faço diante do Senhor: quero voar além das nuvens de bronze, preciso cumprir seus propósitos para com a minha vida nesta geração. Que eu não seja como alguém que recebe um tesouro e deixa-o enterrado inutilmente no chão infértil das circunstâncias. Eu quero prosseguir contigo! Dá-me tua mão! Venha voar comigo! Não me deixe cair!”.

Um abração.

Ezequias (www.ezequiaspastor.blogspot.com)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ANGRA VOLTARÁ A SORRIR?

(Jó 19:25) - Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.

As cenas de grandes chuvas que vejo na TV sobre a cidade de São Paulo parecem-me insistir em manter o meu coração sensível ao drama daqueles que ficam perdidos em meio ao caos da destruição inundante que chega em casa, destruindo sonhos e desesperando corações. O quadro sucessivo de tragédias climáticas nesse inicio de ano precisa levar-nos a sérias constatações acerca de nossa vida pessoal.

01. Será que temos nos importado como deveríamos?

A insensibilidade social é uma praga de nosso tempo. As pessoas, embora uma e outra demonstrem generosidade em todo o tempo, em geral manifestam expressões de egoísmo e raquitismo de alma quando são confrontadas com realidades de dor e sofrimento alheios. A impressão, é que embora o gênero humano tenha evoluído no quesito de conhecimento e tecnologia, ainda mantém sua alma no período pré-histórico, onde a caça aos alimentos, no quadro pintado pelos evolucionistas humanistas, era disputada entre homens e animais!

Soube de pessoas ricaças em nossa cidade que ficaram chateadas por não poderem exibir suas novas sinuetas com corpos lipoaspirados e peles bronzeadas artificialmente! Muitos são os que acharam um cúmulo desmedido a atitude do prefeito em cancelar a "procissão marítima" no dia primeiro e as comemorações do aniversário da cidade! Na realidade, esse quadro me lembra as "vacas de basã" condenadas pelo profeta agricultor, Amós:

(Amós 4:1) - OUVI esta palavra vós, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, que oprimis aos pobres, que esmagais os necessitados, que dizeis a vossos senhores: Dai cá, e bebamos.

Se eu posso falar de um dos benefícios (e eu uso esse termo, reconhecendo sua precariedade) dessa crise que vivemos em nossa cidade foi que os olhos do mundo foram abertos para o fato de que a "Angra das novelas" também convive com a "Angra dos morros". Não foi sem um propósito definido que as mortes não escolheram geografia (morro e ilha) e muito menos classe social (ricos e pobres). A Angra parasidíaca não representa o todo da nossa realidade. Os angrenses não podem ser seduzidos pelo senso estético de nossas praias enquanto não tivermos resolvido sérios problemas sociais e culturais de nossa população! Precisamos nos importar! Não imitemos as "vacas de Basã" preocupadas apenas com os seus vestidos cheios de lantejoulas!

02. Será que nossas igrejas se portaram bem?

Para falar desse quesito eu saliento alguns pontos de referência: o primeiro no que diz respeito à ajuda imediata, aquelas primeiras horas de janeiro, houve sim, mobilização e apoio institucional. Doações foram feitas, pastores se esmeraram na ajuda aos seus membros e familiares, enfim, a ação generosa e operacional foi feita!

O que eu lamento é o uso politiqueiro de líderes eclesiásticos que ainda não acordaram para o fato de que igreja não pode ser um partido político! Olha, igreja é do alto! Paulo disse isso ao se despedir dos pastores da Ásia quando ele estava na cidade de Mileto:

(Atos 20:28) - Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.

A igreja é de Deus e custou um preço muito caro, não dá para barateamos o sacrificio expiatório do Senhor Jesus com cestas básicas e ações inexpressivas de ajuda ao nosso contexto citadino que carece de presença pastoral, amiga, acolhedora e estratégica de assistência às necessidades reais de nosso povo! Fico pensando e me recordo do que uma menininha me perguntou domingo agora passado em nosso culto pela manhã: "essa igreja aqui é evangélica?". A pergunta dela mexeu comigo: será que temos sido evangélicos em nossa proposta de igreja? Será que Cristo tem sido nossa principal bandeira? Será que nosso atrelamento político é o que o Senhor tem pedido para a sua igreja?

Em resumo precisamos orar pela conversão de pastores em nossa cidade! E digo isso com tristeza, pois nutro carinho por muitos que, creio que estão perdidos na máquina, mas que têm inclinações ao conserto espiritual com o Senhor da igreja!

03. Será que continuaremos os mesmos de antes da crise?

O que me choca é saber que para muita gente nada mudou! Os churrascos inconsequentes com suas baducadas infernais continuaram. O carnaval persistirá com suas orgias que desembocarão nove meses depois em crianças que serão criadas sem pai e sem mãe. Os poderosos da cidade continuaram com sua ótica politiqueira rasa e raquítica. As igrejas interesseiras no poder dos homens continuaram tornando seus púlpitos em palanques. Meu Deus, quando tudo isso acabará?

Eu passo pelo Rio Santos e vejo destruição. Eu passo pelo Morro da Cruz e vejo destruição. Eu passo pelo Retiro e vejo destruição. Eu olho para o coração de muitos crentes em nossa cidade e eu vejo, o mesmo: destruição! Serão muitos os que continuaram com suas bíblias nas mãos e com as novelas no coração. Serão muitos os que persistirão em seus pecados sexuais, confiados em seus códigos secretos. Serão muitos os que abrirão tranquilamente suas novas igrejas-biroscas, verdadeiras sucursais do inferno divisionista. Serão muitos os que permanecerão frios como um pedra de gelo para as coisas de Deus e vibrantes como fogo para os estrategemas carnais de seus torpes pensamentos.

Só uma coisa me enche de esperança: saber que o Senhor persiste em seu trono de glória, governando todas as coisas. Deus não precisa de conselheiros, nem de aliados, muito menos de defensores. Ele se basta, Ele é o grande "Eu sou". E por conta disso, poderemos cantar com plenos pulmões em nossos corações:

"Minha esperança, até o fim,
é Cristo, que morreu por mim.
Eu creio só no meu Senhor,
no nome do bom Redentor.

A minha fé e o meu amor
estão firmados no Senhor,
estão firmados no Senhor."

(Hino 348 HCC- A Minha Fé e o Meu Amor- Mote/Silva/Bradbury)

Que o Senhor abra o nosso sorriso angrense! Está difícil voltar a crer no melhor, mas não podemos entregar nossos projetos de início de ano ao deus-acaso, pois cremos em um Deus que é socorro bem presente na angústia! (Salmo 46.1)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EXIGÊNCIAS DE UM DEUS SANTO!

"O Sermão da Montanha expunha a santidade divina e as exigências de um Deus santo. Descreve o tipo de justiça que Deus espera dos que venham a conhecê-lo pela fé". (J. D. Pentecost)

Eu tenho me inclinado reverentemente diante do texto sagrado (Mateus 5 a 7) todas as semanas para trazer ao meu povo aqui em Angra exposições sobre o famoso e pouco assimilado "sermão do monte".

Fiquei assustado com a fala do então candidato a presidente dos EUA sobre a ineficiência dos principios do sermão do monte em nossa contemporaneidade. Em suas miseráveis palavras, Barack Obama disse: "Ou vamos nos apegar apenas ao sermão da montanha? Uma passagem que é tão radical, que é improvável que nosso departamento de defesa sobreviveria à sua aplicação", (com risos e aplausos da platéia).


Tudo isso precisa nos levar a pontuar nossa vida cristã. O que Deus quer de nós enquanto cidadãos de duas pátrias, a terrena e a celestial? Até que ponto as exigências que encontramos na Bíblia são condicionadas pelo nosso tempo? A Bíblia continua sendo Palavra de Deus para nortear nossa conduta hoje?

Eu tenho crido que é tempo da igreja do Senhor Jesus passar por uma reforma! Há muitos "porcos" e "cães" em nosso meio. Infelizmente nós temos chamado muito "filho do diabo" de irmão em nossas igrejas! Tudo porque o nosso evangelismo está errado. Lí essa denúncia, feita por um dos meios prediletos pregadores de nosso tempo, Joel Beeke, "O problema, em todos os lugares no mundo, hoje, é que a evangelização freqüentemente começa num lugar errado. 'quando olhamos atrás para a história da Igreja, e também na história bíblica, observando as épocas de avivamento verdadeiro, não produzido pelo homem, qual era o elemento evidente naquela época que hoje está claramente ausente? Respondemos sem hesitação que é a ausência de profunda convicção de pecado. Este é um grande problema nos nossos dias.'”

Logo, creio que não podemos chamar de irmão nosso aquele que ainda não demonstrou em sua vida prática que é filho do mesmo Pai! E isso tem desdobramentos em todas as áreas de nossa vida. Por isso, o sermão do monte trata de todas as áreas de nossa vida: caráter, testemunho, perdão, reconciliação, casamento, dinheiro, oração, devoção, ética, enfim, tudo que diz respeito ao "ser humano".

Você tem cumprido as exigências do Deus santo para sua vida? Tem chorado por seus inúmeros pecados? Tem tido consciência da presença de Deus em seu dia a dia? Sua igreja prega fielmente o evangelho? Você se relaciona com crentes de verdade ou com falsários travestidos de "cren-tinos"?

Deus tem exigências para você! Não rebaixe o seu nível de compromisso. Persevere. Não se apequene!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

DIFICIL VOLTAR AO NORMAL!

Parei essa semana para ler um livro que comenta teologicamente o best seller "A cabana", de William Yong. Trata-se de "Deus e a cabana. Entendendo a presença divina no best-seller de William P. Young" de Roger E. Olson.

Confesso que vez por outra me retorci na cadeira. O autor, um teólogo de linha neo-ortodoxa me pareceu muito mais preocupado em adequar o que ele leu em "A cabana" aos seus frágeis moldes teológicos do que fazer uma análise bíblica sobre o tema central do livro: o que Deus está fazendo em meio a dor e ao sofrimento no mundo?

Eu fiquei lendo esse livro enquanto ajustava e minha mente e o meu coração em cima dos pressupostos que julgo serem caros para todo cristão: Deus é soberano, e Ele não empresta sua glória para ninguém!

A soberania de Deus é algo patente nas Escrituras e serve de esteio para a nossa fé, uma vez que não cremos em um Deus que age no vazio, mas sim intervem com poder e graça manifestando seu juizo amoroso sobre seus filhos.

Na realidade, temos de contrapor os pensamentos arbitrários de um Deus que não sabe o que pretende fazer a esse mundo, com os princípios sólidos de um Deus que está no controle sim, de tudo (e não apenas "no comando" como sugere o autor de "A cabana")>

A. W. Pink vai dizer no seu livro sobre "soberania divina": "Os crentes não devem interpretar o que acontece só pelo que seus olhos vêm, senão que devem interpretar as coisas através da fé. ("Porque andamos por fé, e não por vista", 2 Co 5:7). Os crentes acreditam o que Deus tem falado na Bíblia, e a Bíblia sempre tem advertido que o que está acontecendo no mundo é o que devia suceder (porque assim foi determinado por Deus desde o princípio)."

Eu tenho falado ao nosso povo aqui em Angra: não nos guiemos por vista! Guardemos a nossa fé! Estamos seguros nas promessas do Senhor:

(Salmos 115:3) - Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.

(Jeremias 18:6) - Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.

(Hebreus 11:1) - ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.

domingo, 10 de janeiro de 2010

ANGRA MENOS BELA!

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. John Donne

Não tenho dúvidas alguma de que nossa cidade ficou menos bela após as mortes trágicas de 52 pessoas nas primeiras horas de 2010. Eu ainda estou me refazendo do susto de ter de tirar água da minha casa na madrugada, indo dormitar na casa de pessoas queridas da igreja, e ainda sem saber das mortes, dos desastres, enfim da amplitude da crise que povoava os céus da cidade que Deus escolheu para eu morar.

Não admito festas, churrascos, celebrações ou programações festivas nesse mês de janeiro, estou de luto! E o meu luto não é nostálgico, sentimentalóide, coisa de adolescente em frases no perfil do MSN ou do orkut, absolutamente é um "luto engajado", atitude de quem está alerta para novas tragédias, para outras vidas que podem ser ceifadas por mais chuvas, e mais deslizamentos em nossa cidade nos próximos dias!

A frase em cima da poesia do pr. Jonh Donne, esse mestre anglicano, poeta sensivel pelas circunstâncias humanas, um homem que conseguiu antever com palavras e sermões melancólicos o que de melhor (e de pior) no ser humano que me apresento diante de Deus para mais uma semana. Na realidade, a segunda do ano, mas no meu espírito parece que o ano de 2010 já começou terminando, sem alegria, sem festejos, isso porque ainda não consegui falar "feliz ano novo" para ninguém com o coração sinceramente gostoso! Não dá para sorrir, não dá para dormir, não dá para respirar o mesmo ar que poderia estar sendo inalado por vidas tão queridas que foram ceifadas nestes últimos dias!

Tenho visitado lugares de nossa cidade, e tenho encontrado lágrimas e dor, muita dor. A impressão que tenho é que algo de pior ainda está por vir, me perdoem o tom apocalíptico, mas não consigo fugir desse imperativo: "vamos vigiar!".

Angra definitivamente ficou menos bela em 2010. Estamos sem comemorar nosso aniversário. É hora da igreja do Senhor Jesus se levantar com uma palavra de fé, de reconstrução, de esperança. Aproveitemos o fato que não houve oferecimento de nossa cidade aos orixás no inicio do ano, e nem as entidades travestidas de santos católicos no dia 06 (dia dos santos reis magos). Vamos nos levantar com caráter e carisma. Com poder e palavra. Com autoridade e dinamismo. Para apregoar aos quatro ventos: Angra está menos bela, mas pode-se levantar das cinzas como uma fênix, deixando para trás as lembranças da dor do passado, emprestando as dores uma voz pedagógica, aprendendo com a tragédia, e, nunca deixando de crer que a felicidade é um dom de Deus!

Choremos por Angra! Amemos a Angra! Preguemos Jesus em Angra! Angra menos bela em si mesma! Oportunidade para ser bela diante de Deus!