sábado, 31 de maio de 2008

GOL CONTRA DE PATO!

“Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo”. (I Corintios 6.18)

Meu comentário dessa semana vai da declaração do craque de futebol, Alexandre Pato, sobre sua conduta no seu namoro.

"O atacante brasileiro Alexandre Pato disse ser evangélico como Kaká, mas afirmou que não chegará virgem ao casamento como o companheiro de Milan fez.

"Chegar virgem ao casamento? Não, nem se fosse Kaká", comentou o jogador, 19 anos, em entrevista à edição italiana da revista GQ, a ser lançada nesta sexta-feira.

O jogador disse ter suas crenças religiosas, mas confessou que não segue o Evangelho "ao pé da letra". Pato falou que quer casar com sua namorada, a atriz brasileira Stephany Brito, mas sabe que ainda é muito cedo." (www.noticiascristas.blogspot.com)

Os dribles e gols bonitos de Alexandre Pato, o paranaense que fez história em sua curta passagem pelo Internacional de Porto Alegre e que agora encantam os torcedores italianos do Milan não são suficientes para desfazer a feiúra desse “gol contra”.

Ao falar que suas convicções religiosas não são “ao pé da letra” a ponto dele se resguardar para o casamento, evitando relações sexuais nesse período de namoro demonstra a fragilidade de sua fé, a inconsistência de seu caráter e o desconhecimento das orientações bíblicas a respeito desse assunto.

Na ordem de Deus para o casamento temos bem explicito qual é o procedimento padrão a respeito do casamento: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne” (Gênesis 2.24). Está claro por aqui que a ordem do casamento é: primeiro o casamento formal, onde o homem assume as responsabilidades em nível de sustento, proteção e amparo à sua esposa (abandonando a posição de sustentado para a de sustentador da casa); depois vem a união, que é o casamento em seu trâmite civil que é marcado pela assinatura dos termos do casamento civil propriamente dito e só depois há a “união de corpos”, um eufemismo para o ato sexual quando o homem e a mulher tornam-se um em conjugação carnal.

Fora desse rito processual não encontramos base bíblica para o desfrute da vida sexual. Foi muito feliz a cantora Ana Paula Valadão quando disse que Deus criou o sexo e deu-lhe o nome de casamento. Até mesmo porque temos de concordar que o sexo é mais do que um ato físico, é parte da união total de duas pessoas, incluindo suas mentes, emoções e alma, como seus corpos.

Esse principio que defendo nesse artigo, a de que o sexo é privativo ao casamento concorda com a ética puritana, que marca o pensamento evangélico conservador (hoje infelizmente tenho de usar essa expressão em meio ao fragrante crescimento de um liberalismo moral em nosso meio) até os dias de hoje.

Não podemos ficar reféns de impressões mundanas para reger a nossa ética enquanto cristãos. O jogador Kaká deu um exemplo internacional de que se pode perfeitamente namorar sem sexo. Ele esperou o tempo certo, sua esposa está esperando agora um bebê, e ambos estão certos da benção de Deus.

Já Pato, prefere se igualar aos demais, é frouxo nas suas convicções cristãs, e é bom nos pés (como jogador), mas péssimo na cabeça (como “cristão”).

sábado, 24 de maio de 2008

CALICE DA SEDE POR VINGANÇA!

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. (Romanos 12.19-21)

Um fato que chamou a minha atenção nessa semana foi do caso do delegado morto na semana passada, no Recreio dos Bandeirantes. Na resolução do caso, um triste veredicto: tudo na realidade não passou de uma ação isolada de um homem apenas, que nutria ressentimentos por ter sido preso por Iandorno há cinco anos atrás. Isso mesmo, algo premeditado por cinco anos! De fato, estamos diante de um caso de um homem, que acabou sendo executado por policiais, que bebia todas as noites um cálice de sede por vingança e que, quando teve oportunidade, não titubeou, cumpriu o seu macabro cronograma.

Alexandre na realidade já estava morto, era uma espécie de “morto-vivo”, tudo pela sede de vingança que não o deixava viver, desfrutar do aconchego dos seus, recuperar o seu prestígio como profissional, enfim recuperar sua estima como homem, como gente. Em sua casa foi encontrada uma lista, com nomes de outras que segundo ele, seriam vítimas de seu plano diabólico de vingança a qualquer custo.

Somente o perdão poderia liberar Alexandre de sua existência mórbida. O que me impressiona é que ninguém nem se lembrava mais de Alexandre, o caso já havia sido prescrito, não sei ao certo se ele era culpado ou inocente no caso, mas a vida dele não precisava ter terminado assim. Ele levou para o túmulo a sua versão a respeito do assunto, e o que é pior, foi dessa vida como um assassino frio e calculista que não mediu esforços em matar a quem, supostamente, o havia prendido inocentemente. Quem é inocente nesta história? Ninguém. Absolutamente ninguém.

Quero neste artigo meditar com você que somente a cruz de Cristo pode apagar da mente do homem a dor de uma desilusão a ponto de não transforma-lo em roteiro para uma sede de vingança que é sorvida diariamente como que num cálice com cheiro de morte. Em Hebreus 4.16 encontramos um convite muito pertinente para todos aqueles que, por terem pendências com pessoas, não estão conseguindo buscar em Cristo a cura chamada “perdão”, apenas estão guardando no peito a arma da “vingança”:

“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.” (Hebreus 4.16).

Dr. David Seamands, em um precioso livro de título “A cura das memórias” expõe esse texto comentando que a cruz de Cristo significa em grande plano o fato de ele ter morrido para perdão dos nossos pecados, mas também há um outro aspecto da sua morte que não podemos desprestigiar, pelas palavras dele, “Ele não só trouxe purificação das lembranças culposas de nossos pecados que pesam sobre a nossa consciência, condenando-a; mas também trouxe cura para aquelas memórias penosas que surgem dentro de nós para atormentar e escravizar a nossa personalidade”.

Entendo esse ponto como redentor para muita gente. Não adianta viver saboreando o cálice amargo do ressentimento, tramando uma vingança que poderá sem duvida, virar-se contra você, sem dúvida, em todas às vezes, é melhor experimentar a doçura do perdão, e viver uma vida sem tramas de morte, e respirando o ar puro do recomeço, sorvendo sim, o cálice da alegria, essa que o mundo não pode roubar de quem já conhece a Jesus.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

CARREGANDO UNS AOS OUTROS!!!

Parei um tempo para reler um clássico do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer escrito em 1938, com uma fácil aplicação para as questões de relacionamento nos nossos dias tão conturbados. Segue agora o que ele comenta em cima do verso de Galatas 6.2:

"Carregai o peso uns dos outros, e assim cumprireis a Lei de Cristo".

Portanto, a lei de Cristo é carregar pesos. Carregar é sofrer. O irmão é um fardo para o cristão, justamente para o cristão. Para o pagão, o outro nem chega a se tornar um fardo. Ele evita qualquer encargo por causa dele, porém o cristão tem que carregar o fardo do irmão. Tem que suportar o irmão. O outro só será irmão quando se tornar um fardo, e só então deixará de ser objeto dominado. Tão pesado foi o fardo da humanidade ao próprio Deus que sob seu peso acabou na cruz. No corpo de Jesus Cristo, Deus de fato foi afligido pela humanidade. Carregou-a, porém, como a mãe leva uma criança, como um pastor põe no ombro a ovelha perdida. Deus aceitou os seres humanos e eles o esmagaram. Deus, porém, ficom com eles, e eles com Deus. Suportando as pessoas, Deus manteve comunhão com elas. Essa é a lei de Cristo cumprida na cruz. Os cristão tomam parte nessa lei. Devem suportar e carregar o irmão, e, o que é mais importante, agora podem suportá-lo sob a lei de Cristo cumprida.

Esse excerto do pensamento de Bonhoeffer vai como uma singela homenagem aos milhares de chineses mortos no maior terremoto daquele país no últimos 30 anos. Eu sinto parte do peso de vocês. Debaixo daquelas enormes pedras de concreto um pouco de mim também foi soterrado!

Estou de luto!!!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

CHORORÔ FLAMENGUISTA!

“Bem aventurados os que choram, porque eles serão consolados”. (Mateus 5.4)

Deu uma tremenda repercussão o choro coletivo do time do Botafogo na final da Taça Guanabara (primeiro turno do campeonato estadual aqui do Rio de Janeiro). Os jogadores ombrearam-se em uma lamentação pela derrota infligida pelo Flamengo. A meu ver de telespectador a reclamação não era justa, pelos lances reclamados nunca tive dúvidas de que prevaleceu naquele jogo quem jogou melhor, dou méritos ao time rubro-negro.

Agora, logo em seguida, na mesma semana, o “demolidor” Souza, em um gol num jogo da Libertadores, comemorou chacoteando o choro botafoguense com arrogância e desprezo para com os seus colegas de profissão. Punição: nenhuma pública, a não ser a promessa de que, por conta dos ânimos exaltados, ele não participaria do jogo seguinte contra o Botafogo já no segundo turno do campeonato estadual.

A questão cresceu junto à hoste flamenguista com o canto em que se parodiava uma canção de amor ao time do Botafogo (“e ninguém cala esse nosso amor!!!”) que passou a ser entoado pela maior torcida do mundo no seguinte refrão: “e ninguém cala esse chororó, chora o presidente, chora o jogador, chora o torcedor!”. E na final do campeonato domingo passado (04/05/2008) num jogo eletrizante, o torcedor flamenguista saiu-se com essa pérola após o apito final na conquista do bicampeonato: “mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, dá chupeta para o Fogão não chorar”.

O desprezo para com o choro dos outros é recriminado na Bíblia. Até mesmo, porque tal postura indica “soberba” e Deus reserva um recado importante para os soberbos em Salmo 138.6: “Ainda que o Senhor é excelso, contudo atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe”.

É impressionante, como Deus guarda sua ira para com aqueles que se desencaminham para esse sentimento pobre e pernicioso. Lembro-me de outro texto, agora em Provérbios 21.24: “Quanto ao soberbo e presumido, zombador é o seu nome; ele procede com insolente orgulho.”.

A zombaria do jogador Souza (e alguns outros) e da torcida rubro-negra acabou lhes custando um preço muito alto: o choro agora, da derrota frente à auto-suficiência. O técnico Joel Santana era para ser homenageado domingo passado, dia 04/05 com a conquista do título estadual, mas resolveu ficar mais um pouco até o segundo jogo das oitavas de final da Libertadores contra o lanterna do campeonato mexicano, América, num jogo que já começava ganhando de 4 x 2.

A entrada em campo do time rubro negro foi linda, apoteótica, presentes foram dados a Joel Santana, fogos, luzes da ribalta, enfim, tudo de pirotécnico, a vitória estava certa, diziam já os mais ardorosos torcedores. Eu estava no dia (07/05/2008) em um aniversário de uma das jovens de nossa igreja, e havia um ruidoso grupo torcendo efusivamente e eu comentando com outro jovem, vascaíno, “a pressão do América será total!”, eu dizia com ares proféticos.

Não precisou de pressão alguma, foram cinco chutes a gol e três entraram! Resultado final: 3 x 0 e Flamengo desclassificado da Libertadores. E o que houve depois?: chororó de Obina e de Bruno.

Não tem como, “um dia é da caça e outro é do caçador”, já dizia o ditado popular. A arrogância tem um preço muito alto. Se o time entrasse em campo com o coração empenhado em fazer um bom espetáculo e... depois, sim, fazer as homenagens merecidas ao técnico campeão, nada mais justo. Agora, fazer tudo antes, mexeu com os brios dos mexicanos que infligiram uma derrota histórica e tiveram como aliados à soberba delirante da direção do time rubro-negro.

Na vida, podemos fazer algumas aplicações extremamente pertinentes desse episódio futebolístico:

01) Quando o outro chora, se você não puder chorar com ele, ao menos respeite o seu choro.

A Bíblia nos recomenda em Romanos 12.15 b: “chorai com os que choram”. Mas, eu entendo que às vezes nossa humanidade insensível nos prega peças, impondo nossa insensibilidade para com o drama das pessoas, e devemos como dizia Leonard Ravenhil “chorar por não termos lágrimas para chorar”. E ao menos, se nos encontrarmos indiferentes ao choro do outro, a ponto de não chorarmos com ele, pelo menos façamos silêncio!

É muito duro quando fazemos riso de situações que custaram lágrimas ao nosso semelhante. Não podemos fazer circo das covas do nosso irmão! A dor dele é nossa dor, somos parceiros na esfera da humanidade e temos por obrigação humana, repito essa é uma causa humanitária, não apenas cristã, respeitarmos o sofrimento do outro. É o que dizia Santo Agostinho: “se você não puder ajudar, pelo menos mostre que você se importa”.

02) Não se julgue isento de em outro momento ser você o “chorão” da história.

É verdade, como um seminário que está fazendo maior sucesso entre os jovens batistas em nosso estado: “a fila anda, a catraca gira, e Deus sonda os corações”. As pessoas tem dificuldade de entender que a vida é processual. Hoje as coisas estão de um jeito, e amanhã poderão estar de outro jeito. Somos vez por outra, como dizia Lulu Santos, “como uma onda do mar”. E ai, e quando os papéis se inverterem o que você fará nas situações em que você não valorizou o tempo de choro do seu próximo? Nós somos rápidos no julgamento e lerdos no consolo, com isso, sempre julgamos que sempre estaremos em cima e nunca em baixo. É, mas a vida costuma ser muito dura para quem só rotula o outro e nunca se coloca para ser avaliado pelos mesmos padrões que avalia os outros.

Há vez por outra uma inversão de papéis que ninguém está imune. Pedro foi alguém que vivenciou isso na pele e aprendeu à duras penas o exercício da humildade. Ele certa feita disse para Jesus: “eu nunca o negarei”. Depois teve de amargar sua tripla negação antes do cantar do galo. O interessante é que os quatro evangelistas relatam esse fato (Mateus 26.69-75; Marcos 14.66-72; Lucas 22.54-62 e João 18.15-18, 25-27). Esse registro tão criterioso é para servir-nos de uma lição grandiosa: temos de nos cuidar das palavras pretensiosas que insistem em sair de nossos lábios, para não sermos traídos por elas. Eu temo e tremo diante de Deus em saber que, muito do que eu digo poderá se voltar contra mim, se eu não estiver consciente desse risco constante que eu corro.

03) Só se pode comemorar a ponto de ignorar o choro do outro, quando a possibilidade do meu choro não é considerada corretamente.

Caso a direção do Flamengo pudesse prever a maneira pífia que o time enfrentaria o time mexicano, guardaria a homenagem a Joel Santana para o dia seguinte em uma cerimônia fechada e reservada para amigos íntimos. Tenho para mim, que o próprio Joel Santana iria optar em ter encerrado seu ciclo de vitórias no Flamengo no jogo passado. Mas sabe o que acontece? As pessoas erram muito ao não prever a possibilidade da derrota. Não se esqueça disso: ninguém está mais longe da vitória do que quando não considera a possibilidade da derrota!

O próprio sucessor do Joel Santana, o jovem Caio Júnior ao ser apresentado ao time disse: “eu vim aqui para ser campeão do mundo!”. E agora, tem três dias para remontar a combalida equipe em sua motivação e auto-estima.

Amados e amadas, é bom celebrar as vitórias de nossa vida, agora não podemos nos esquecer de comemorarmos apenas quando o assunto já estiver consumado, e não houver possibilidade real do jogo virar ao contrário das nossas pretensões. A Bíblia nos recomenda à cautela: “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça...” (Lucas 12.15).

Que Deus nos livre de um espírito altruísta que sacrifica o cuidado para com a miséria do outro, e também de uma indiferença a ponto de haver deboche em questões que fazem marejar os olhos de um semelhante nosso.

Creio que o mundo seria bem melhor se todos nós carregássemos no bolso dois lenços, um para as nossas lágrimas, em nossas lutas cotidianas e sofrimentos da alma afligida pelo Diabo, a Carne e as circunstâncias e outro para emprestarmos solidariamente ao nosso próximo, a fim de minorarmos, ao menos simbolicamente, o drama de alguém que também foi criado pelo mesmo Deus que dizemos crer e amar em nossos encontros de adoração. Em outras palavras, adoração sem lenços para enxugar lágrimas é teatro de conveniências pessoais e não derramamento de nossas questões diante do trono do Pai.

Que haja em nossos olhos lágrimas para chorar. E que ao menos, choremos pela nossa incapacidade de compreender o choro dos outros, na maioria das vezes. E que, ao chorarmos também, creiamos no consolo que vem de Deus, aquele que um dia prometeu nos levar para um lugar onde Ele enxugará de nossos olhos toda lágrima, “e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor...” (Apocalipse 21.4).

Ezequias Amancio Marins (Igreja Batista Central em Japuiba, Angra dos Reis, RJ).

OBS. Nesse artigo eu procuro pontuar os princípios que devem servir para edificação de todos, não apenas dos torcedores rubro-negros, na realidade, uso o futebol aqui como metáfora da vida.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O BRASIL CHORA POR ISABELLA!

Todo o país acompanha atordoado os desdobramentos do crime que tem tirado o sono de muita gente. O assassinato frio e cruel de uma criança de 05 anos, que como suspeitos únicos estão o pai e a madrasta. Os dados periciais revelados a publico nesta sexta, dia 18 de abril são contundentes, daí o indiciamento do casal por homicídio qualificado, por motivo torpe, cruel e sem oferecimento de defesa por parte da vítima.

Até o aonde vai a insanidade humana? Essa pergunta não quer se calar, eu tenho pensado fortemente no fato de que não foi só a Isabella que foi atirada da janela naquela tarde fatídica de 29 de março, na realidade toda a sociedade brasileira precipitou-se em um grande vazio ético e humano, deflagrando uma grave crise de valores que passa a nossa estrutura familiar.

Alguém que deveria ajudar zelar, acompanhar com carinho, na realidade carregou no colo a criança já asfixiada pela esposa e a precipita pela janela na tentativa de criar um quadro de suicídio insano que só fazia sentido na mente perversa de Alexandre Nardoni. Morremos um pouco junto com a Isabella.

E sempre me recordo em situações de morte da bela poesia do pastor protestante do século XIX, John Donne, intitulada “por quem os sinos dobram”: “A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Esse verso me faz pensar na minha responsabilidade de, como parte dessa sociedade não me tornar indiferente ao sofrimento de meu próximo.

Vivemos em uma sociedade narcisista onde o prazer está sempre em primeiro plano. É uma miséria viver em uma sociedade que não chora mais pelos seus mortos. Apesar da minha aparente frustração com o gênero humano o que eu tenho assistido acerca do caso da menina Isabella estão enchendo meu coração de esperança.

É fácil vermos nos noticiários as multidões que tem se acotovelado nas imediações da casa dos Nardoni e também da delegacia onde os mesmos prestam depoimentos, e isso atesta a generosidade do povo brasileiro e o choque que os pais de família estão recebendo país a fora.

É tempo de fazermos uma opção pela vida. Temos de resolver de vez essa questão que parece não querer parar dentro de cada coração humano: a da violência dentro de casa. Tudo nos leva a crer que houve uma discussão doméstica e quem recebeu o ônus do desequilíbrio do pai e da madrasta foi a meiga Isabella. Há homens e mulheres que nunca poderiam ser pais ou mães, não tem preparo, não tem controle, são desequilibrados. Eu tremo diante de pais e mães que só sabem conjugar os verbos recheados de brutalidade animalesca!

No ano de 2005 eu fui um entusiasta da campanha pelo “SIM” à limitação do porte de armas em nosso pais. Até hoje estou convencido de que temos de desarmar os cidadãos, isto porque nunca foi em nosso pais “direito” de alguém possuir arma, uma vez que é sabido de todos que o porte de armas é “concessão do Estado” e não direito da população em geral. Mas, é bem verdade que temos de começar desarmando o coração dos nossos cidadãos.
Tudo leva a crer que a Isabella não foi morta pelo uso de alguma arma, ela padeceu pelas mãos de quem deveria receber aconchego e carinho. Mãos que matam! A menina foi levada pelo colo até a janela em meio à um rastro de sangue, num cortejo fúnebre antecipado com um desfecho só previsível pelos adoentados de mente: a precipitação de uma janela do 5º andar.

Tenho de concordar com Calvino que vai dizer o seguinte: “O intelecto do homem está de fato cegado, envolto em infinitos erros e sempre contrário à sabedoria de Deus; a vontade, má e cheia de afeições corruptas, odeia a justiça de Deus; e a força física, incapaz de boas obras, tende furiosamente à iniqüidade”.

Essa verdade assusta os naturalistas que insistem em acreditar no mito da bondade natural do ser humano. Na realidade, o pecado enfeou o homem na sua essência, e o tornou depravado até aos ossos. Nada é bom no ser humano, e quando presenciamos situações vis de violência isso na realidade reforça nosso descrédito em relação ao ser humano caído e degenerado pela sua própria iniqüidade.

O que nos resta a fazer é lamentarmos profundamente. Acompanharmos com sofreguidão os passos do processo dos Nardoni e nos sentirmos afligidos pela certeza de que nossas crianças não estão completamente seguras neste mundo e que, somente a graça de Deus pode nos resgatar desse estado de pessimismo e devassidão.

A contribuição que a Reforma Protestante deu na defesa da vida pode parecer paradoxal: primeiro ela afirmou a pecaminosidade no ser humano, dizendo entre outras coisas que ele é mau na sua essência, embora ainda não o seja como deveria ser, e também atestando que a graça de Deus revelada em Jesus pode fazer deste individuo que é capaz das mais cruéis barbaridades alguém que compartilha da vida do próprio Deus sendo seu representante na luta pela justiça.

Jesus disse em seu famoso sermão: “bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5.6) e Lutero tem uma interessante contribuição nesse assunto: “A realeza, o império, a autoridade, o professor, o estudante, o pai, a mãe, o senhor e a senhora, o peão e a doméstica-todos são máscaras, pessoas que Deus deseja que sejam tratadas com respeito e reconhecidas como criação sua. É preciso que existam nessa vida, mas ele não quer que se lhes confira caráter divino”.

Embora não sendo “deuses” cabe aos homens e mulheres de nosso tempo denominado HOJE, fazer valer a intenção de Deus em fazermos ecoar os gritos de “justiça” não apenas enquanto as emoções estão à flor da pele pela morte de Isabella, mas todos os dias. Pesquisas apontam que a cada 40 minutos uma criança é agredida em nosso país. Os números não mentem. Precisamos gritar e protestar de que mãos foram criadas por Deus para acariciar e colo para aconchegar, nunca para servirem de instrumentos de tortura e execução sumária. O Brasil chora por Isabella e chora por indignação e luto. Morremos um pouco junto com a menina cujo drama capturou o coração de toda uma nação.

Ezequias Amancio Marins, presidente da Missão Angrense Reformada, diretor do Seminário Interdenominacional em Angra dos Reis e pastor da Igreja Batista Central em Japuiba.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

AVIVAMENTO PURO E SIMPLES!

Minha reflexão persiste na temática do avivamento. Compreendo que o tempo que vivemos antecede um derramar especial de Deus, porque na história dos avivamentos sempre os vemos sendo precedidos por crises.

Temos no momento em nosso meio a crise do superdimensionamento do valor do culto. Entendo que o culto ao Senhor deve ser simples, reverente, coerente com a natureza do Deus que é três vezes Santo (Isaias 6.3) e deve ter o mínimo possível de manipulação humana, quer seja no extravasamento de emoções quer seja no ritmo frenético dos instrumentos musicais.

Já há muito tempo tenho pensado sobre a influência da música sobre a esfera do poder, acerca da mobilização que ele impõe naquilo que alguns têm chamado de “massificação”. O que encontramos em Daniel 3 quando Nabucodonozor constrói a sua estatua de ouro e solicita que todo o seu reino se curva, vemos a música desempenhando um papel de coerção à submissão irrestrita ao poder estatal. A música esteve aliada nos extermínios orquestrados por Hitler que tinha em Wagner, seu compositor predileto. Nos famosos encontros dos “gedozistas” sabemos de músicas em forte tom que são usadas para preparação do ambiente para verdadeiras lavagens cerebrais, isso sem falar das canções recheadas de repetições, formando aquilo que já tenho chamado de “mantras e extravagâncias”.

Aprendi com Peter Masters, pastor no Tabernáculo Metropolitano de Londres (a mesma igreja que foi pastoreada por Spurgeon no século XIX) que “o louvor não é uma apresentação de habilidades, beleza ou dons pessoais a Deus. O louvor é a comunicação da nossa alma com Deus, tão somente por meio dos méritos do nosso Senhor Jesus Cristo e do poder capacitador do Espírito Santo”.

Pensando nessa direção fica claro para mim que música na igreja não deve ser a essência da adoração, mas sim acompanhamento. O que Deus não rejeita é o coração quebrantado como a Palavra de Deus assevera em Salmo 34.18: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito”. Agora o espaço da música deve ser limitado ao papel de inspirar o coração com um toque que seja sereno, propicie a reflexão e doce à alma humana.

Se isso não acontecer, e a música persistir sendo um fim em si mesma, teremos aquilo que poderíamos chamar de “avivamento musicalizado” e não um despertamento genuíno provocado pelo Espírito Santo de Deus. Algumas características desse avivamento musicalizado são:

(1) Forte emocionalismo, mas sem proposta de transformação de vida.

Que a música mexe com as emoções do ser humano não se tem como negar de boa mente. Basta fazer uma pesquisa sobre a influencia dela em recém nascidos e também como terapia já celebrada no meio cientifico. Agora o problema a meu ver, não são as emoções despertadas, mas sim o propósito pela qual elas são tocadas. Se a música desperta valor apenas para a sua melodia e sua dramaticidade artística algo está errado.

O louvor a Deus precisa ser inteligente, racional e lógico a ponto de a letra fazer mais sentido do que o arranjo harmônico. Compreendo que música seja o conjunto de melodia, ritmo e harmonia, mas percebo também que nos nossos cultos precisamos mais da mensagem que nos é passada pela letra, uma vez que a revelação de Deus nas Escrituras honrou as palavras como sendo expressões de contato entre a alma humana e Deus.

Por isso temos de cantar hinos e cânticos que tragam em suas letras forte conteúdo doutrinário e capacidade de estimulo para mudanças de valores visando uma vida santa e apegada aos valores de Deus.

Ronaldo Bezerra foi muito feliz quando fez um comentário sobre o Salmo 137: "Não devemos e nem necessitamos buscar inspirações e melodias da "Babilônia" (mundo)! Em Isaías 52:11, Deus nos orienta: "Meu povo, saia da Babilônia..." Nós músicos, não devemos estar tentando alcançar o nível musical da Babilônia. Eles são os que têm que buscar o nosso nível! Considere o Salmo 137:3 - "pois aqueles que nos levam cativos nos pedirão canções, e os nossos opressores, que fossemos alegres, dizendo: "Entoai-nos alguns cânticos de Sião". Nesta ocasião, quando o povo de Israel foi levado cativo para a Babilônia, vemos que os israelitas não estavam se "contaminando" com as músicas dos babilônios para ver o que podiam "aprender", ao contrário, os babilônios queriam escutar as melodias de Israel porque eram famosas no mundo inteiro. A nossa música deve ser um testemunho às nações (Salmos 40:3). Assim deve ser! Uma música com unção profética que transforme vidas, que se escuta nas nações, que exalta a Jesus, para que, como resultado, as pessoas venham até Ele. Esta é a música que temos tocado nestes dias?”

(b) Forte badalação personalista e fraca compreensão do valor comunitário na igreja.

Geralmente as pessoas compram CD´s de seus cantores prediletos como se eles sozinhos fossem responsáveis pela excelência de suas produções. Na realidade negamos o valor da comunidade eclesiástica que deveria estar por trás do sucesso de algumas das “estrelas” do mundo gospel. Qual a igreja, a tradição eclesiástica do seu cantor preferido?

Não há espaço para carreiras solos no Reino de Deus, a impressão que eu tenho é que faltam raízes na maioria dos músicos no nosso seguimento evangélico. Eles mudam de denominação com uma facilidade incrível, geralmente por motivos dúbeis e interesseiros. Não fincam raízes, porque alguns não suportam prestar contas de suas vidas a homem algum. São exclusivistas, gostam do glamour e dos holofotes.

É uma tragédia encontrar pessoas que falam e oram por um avivamento, mas desconhecem a história de sua denominação! Não sabem que como base de tudo o que temos pensado em relação à igreja está os “apóstolos e profetas” em primeiro plano sem dúvida segundo Efésios 2.20, mas também se encontram os pioneiros que disseram não ao cristianismo tradicional e fincaram as bases daquilo que chamamos de “Reforma Protestante”.

Um povo que não conhece a sua história não pode se manter de pé diante das pressões do presente. É povo sem memória, sem lastros de tradição e sem bagagem argumentativa em relação aos desafios de nosso tempo cada vez menos comunitário e mais personalista. Está na hora de darmos uma guinada em nosso pensamento evangélico, parando de valorizar estrelas individuais para honrarmos a igreja como um todo, um movimento de protesto ao estabelecido, um conjunto de santos e santos (algumas vezes anônimos) que optaram em fazer diferença numa sociedade tão corrompida.

Valorizamos pouco os santos anônimos que temos em nossas igrejas. Incensamos os medalhões, os pastores de multidões, os ministros de louvor que fazem seus shows em estádios superlotados e vez por outra não temos olhos para os “josés e marias” que ministram louvor a Deus e para a glória de Deus em suas igrejas pequenas, apertadas e localizadas fora dos grandes centros, mais com uma piedade gritante porque apenas fazem tudo com simplicidade e pureza, como o Senhor Jesus gosta.

Não tem como gente, vida com Deus é coisa simples, o avivamento que tencionamos é uma brisa suave como aquela que visitou Elias na caverna em I Reis 19.8-18. Repare que eu e você influenciados pela barulheira do nosso tempo ficaríamos na expectativa de ouvirmos a voz de Deus no grande e forte vento, no terremoto e no fogo e nunca na voz mansa e delicada. Mas Deus age no simples, alguém já disse que Deus poderia ter se revelado a Moisés num vistoso carvalho ou numa bela palmeira, mas optou em se mostrar numa sarça (uma folhagem insignificante e frágil que era consumida pelo calor do sol)!

Na realidade, já chegando ao fim desse artigo, quem gosta de badalação e estrelismo curte o espírito da Babilônia e não o estilo de vida de Sião, e numa das minhas mensagens aqui na IBACEN eu perguntei: “você é um cidadão de Sião na Babilônia, ou um babilônio disfarçado na expressão local de Sião Celestial”. E eu quero terminar com uma citação de uma das mensagens de David Wilkerson em que ele citando o professor Milligton em 1885 identifica quem hoje é acometido do espírito babilônio. Leia com atenção:

"Babilônia não é a igreja de Roma, em particular. Não há dúvidas de que esta igreja pecou profundamente... mas não é a meretriz espiritual. Babilônia são todos os cristãos professos que amam os favores do mundo, mais do que o reprovam. São os que estimam a honra do mundo, mais do que vêem a vergonha dele. São os que amam o comodismo, mais que o sacrifício; amam o sucesso, cobiça - não tendo compaixão pelos pobres. Babilônia são todos que professam ser um dos 'pequeninos do rebanho' de Cristo, mas não são, pois O negam por seus atos.”.

Em outras palavras e como apelo final: obedeça ao que está proposto em Isaias 48.20: “Saí de Babilônia, fugi de entre os caldeus. E anunciai com voz de júbilo, fazei ouvir isto, e levai-o até o fim da terra; dizei: O Senhor remiu a seu servo Jacó;”. Somos de Sião, não temos compromisso com Babilônia, vivamos, pois, assim.

Ezequias Amancio Marins
Igreja Batista Central em Japuiba, Angra dos Reis, RJ.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

“QUE VENHA SENHOR, ENTRE NÓS O SEU AVIVAMENTO!”

“A igreja de Cristo é um hospital comum, em que todos estão nalguma medida doentes de um ou outro mal espiritual; para que possamos todos ter base para exercitar mutuamente o espírito de sabedoria e mansidão”. (Richard Sibbes)

Há um clamor entre os crentes sinceros de nosso país que pode ser ouvido a uma boa distância: “aviva-nos Senhor!”. Aqui em nossa igreja temos presenciado esse desejo estampado em grande parte do nosso povo, e temos encontrado desafios no meio dessa caminhada para evitar alguns mal entendidos.

Não podemos confundir “avivamento” com “pentecostalização”. Podemos até, para sermos sinceros com a história de evangelização de nosso país honrar a tradição pentecostal como um elemento de colaboração para que a nossa pátria esteja sendo evangelizada, mas temos de ser sinceros quanto aos seus exageros e manias perigosas, sobretudo de misturar vida de poder espiritual com o mero cumprimento de obrigações legalistas e comportamentais.

Há alguns que, levados pelo forte emocionalismo de seus discursos e ministrações pretendem levar o povo a um êxtase desnecessário, onde através de gritos e ditos proféticos (na realidade são arroubos inconseqüentes), visam à criação de um clima nem sempre espiritual, onde as pessoas choram, mas não de arrependimento de pecados, e sim, por serem conduzidas a uma febril consternação emocional e psíquica.

Avivamento também não pode ser limitado a um movimento denonominacional. Preocupo-me quando percebo alguns confundindo completamente os termos a ponto de acreditarem que o avivamento virá quando houver mudanças litúrgicas em nossas igrejas. Sou pastor de uma igreja com uma liturgia aberta, mas ando sempre preocupado com os excessos, policio a mim mesmo nesse quesito. Avivamento não pode ser um fim em si mesmo, desculpa para absurdos ditos nos cultos e expressões frívolas nos bancos!

Avivamento é sede de Deus. Avivamento espiritual acontece quando a igreja é tomada de choque pela maturidade cristã. Os valores são revistos quando passamos por um avivamento. Precisamos resgatar o tema da “espiritualidade cristã” em nossas leituras nesse tempo que vimos vivendo.

Estou na expectativa por aqui de começar a ler a monografia de mestrado do pr. Antonio Carlos da Costa com o título “As dimensões da espiritualidade reformada” (Editora Textus) em que o autor comenta sobre a obra de Martyn Lloyd Jones e o resgate da tradição calvinista de vida cristã.

Eu penso que devemos retomar essa tradição no pensamento teológico cristão. Espiritualidade tem a ver com o aprofundamento de nosso relacionamento com Deus que implica também no cultivo de um cuidado mais afetuoso das pessoas como “meninas dos olhos” de nosso Deus.

Por essa razão, tenho orado com Habacuque: “aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos...” (3.2). Tenho sonhado com um avivamento sem gritaria, atos proféticos (alguns deles são patéticos), palavras de ordem, canções que são mantras esotérico-evangélicos, enfim tudo o que temos visto em mídia e algumas vezes em comportamentos de crentes sinceros, mas equivocados.

Leonard Ravenhil, um conhecido avivalista americano em um de seus artigos (em 1959) cita a importância da redescoberta de uma vida de oração intensa para que haja abertura dos céus em um derramamento generoso do Espírito Santo sobre nossas igrejas em um avivamento que nos faça lembrar os dias áureos onde Deus descia para falar ao coração de seu povo: “Na oração, tratamos com Deus e coisas acontecem. Na oração, fome de ganhar almas é gerada; quando há fome para ganhar almas, mais oração é gerada. O coração que tem entendimento ora; o coração que ora adquire entendimento. O coração que ora, reconhecendo sua própria fraqueza, recebe força sobrenatural do Senhor. Oh, que fôssemos pessoas de oração, tal qual Elias – que era um homem sujeito aos mesmos sentimentos que nós! Senhor ajuda-nos a orar!”.

Eu tenho me apegado a muitos relatos de ricas reuniões de oração e o meu coração tem sido aquecido no desejo de viver esse clima em nossos encontros tanto na igreja local quanto em outros níveis de cooperação denominacional e interdenominacional. Tenho aprendido a sussurrar um verso do hino 116 do CC: “maravilhas soberanas outros povos tem, vem derrama a mesma benção sobre nós também”.

Creio que o Espírito Santo quer nos levar a três decisões que me parecem radicais e necessárias:

a) Temos de estar dispostos a levar a leitura da Bíblia mais a sério.

Temos de avançar no entendimento de que a Bíblia não pode ser apenas o livro de nossa cabeceira, mas deve ser o parâmetro para todas as nossas decisões e questões existenciais. Ela tem sido regra de fé e prática nos lábios, mas infelizmente seus conceitos têm se distanciado do coração de grande parte dos crentes. Há inclusive em alguns dos nossos seminários, pouco espaço na grade curricular para matérias tipicamente bíblicas, sobretudo se o interesse da instituição for o reconhecimento do Ministério de Educação. Tenho para mim que estamos ouvindo o som da trombeta e nos curvando perigosamente aos pés da estatua erigida por Nabucodonozor (Daniel 3). Temos nos deliciado com as benesses do poder, e estamos perdendo o vigor profético.

b) Precisamos trabalhar por uma adoração menos mística e mais inclusiva.

A tendência musical de nosso tempo é viciada por mantras e extravagâncias. É assustador, mas há poucas letras sérias na mídia evangélica. Daí termos de resgatar a rica hinódia da nossa história denominacional e ter um cuidado no uso de cânticos com letras pobre e intimistas. João A. de Souza Filho comenta que “alguns dos dirigentes de adoração trazem mantras enrustidos em seus cânticos, que deixam o adorador ‘prostrado’, não no sentido de prostração voluntária, de quebrantamento, mas de adoração depressiva, compulsória, em que o lamento e dor não dão espaço à alegria e ao gozo. Ao fim de uma hora ouvindo certas melodias, sentimo-nos verdadeiros trapos humanos. Seria bom se alguns dirigentes de louvor estudassem mais a fundo o poder oculto da música. A verdadeira adoração tem esse ‘fundo’ de tristeza e quebrantamento, mas também ‘picos’ de gozo e alegria”.

c) Precisamos de púlpitos mais ousados na exposição bíblica.

Tenho incentivado alunos de seminários e pastores amigos a dedicaram-se a exposição bíblica. É importante salientar que “pregação expositiva” não é um método de pregação, e uma postura em relação ao texto bíblico e à sua autoridade. Só se dispõe a pregar “todo o conselho de Deus” quem segue em seu programa de pregação um rigor de expor verso a verso a Bíblia em sua congregação. A alma do pregador precisa estar constantemente encharcada de verdades bíblicas. Isso me faz lembrar uma recomendação de John Piper, pastor batista em Chicago, “ao dizermos ao povo alguma coisa, sem demonstrá-la no texto, estamos simplesmente impondo sobre ele a nossa autoridade. Isto não honra a Palavra de Deus ou o trabalho do Espírito Santo. Quero encorajá-los a depender do Santo Espírito, saturando sua pregação com a Palavra por ele inspirada”.

Que venha o verdadeiro avivamento entre nós! E que ele leve os nossos crentes a superlotarem a EBD, cultos de oração, programas evangelísticos, projetos sociais, seminários, e também haja entre nós a quietude do Espírito passeando em nossos encontros de adoração.

Deus quer ser encontrado no sossego de nossa alma. Afinal de contas, somos dEle e para Ele retornaremos!

Aviva Senhor a sua obra em nosso meio, e que através deste despretensioso artigo sua vida seja levada a dar glória a Deus e a buscar com sinceridade o frescor do Senhor em sua vida devocional, desembocando em uma vida inteira dedicada ao Senhor com profunda intimidade e proximidade espiritual.