terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O NOVO ANO PROMETE!

Quero dedicar esse texto aos meus leitores, que me tem acompanhado em todo o ano de 2011. Em meus textos procuro sempre mencionar um apreço que tenho pela eternidade. Parto sempre do pressuposto que a nossa existencia aqui é apenas uma sombra do que viveremos no tempo "oportuno", de Deus. Dai então embaço minha última observação no blog nesse ano, com temor e tremor, na expectativa de que sua vida venha ser tocada pelo nosso Deus, soberano e imortal!


“E muitos do que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”. (Daniel 12.2)

Tenho para mim que o novo ano promete naquilo que você se compromete! Pode parecer uma frase pronta, mas vem de uma reflexão que há tempos venho fazendo da qualidade dos nossos crentes! Sei que vivemos em um tempo cheio de possibilidades e carências adoecidas de cristãos que insistem em viver um evangelho de “shows globais” ao invés de vivenciar o evangelho da cruz, com suas renuncias de direitos pessoais!

Vejo também nesse tempo um endeusamento do eu, onde homens e mulheres se prestam ao orgulho e se veem pressionados pelo ativismo a serem quem não são e a demonstrarem crer no que não creem, tudo para ganhar o louvor da maioria emburrecida do meio evangélico que parece estar muito à vontade aqui na terra para suspirar pelo céu!

Lembro-me de uma frase de C.S. Lewis sobre nossa expectativa em relação ao céu: "Na atualidade somos muito relutantes em querer mencionar o céu. Tememos ser zombados por causa da "cidade celestial" e que nos digam que em vez de cumprir com o dever de construirmos um mundo feliz aqui e agora, estamos nos "evadindo" na fantasia de um mundo feliz em alguma outra parte. Mas, ou existe uma "cidade celestial", ou não existe. Se não existe, o cristianismo é falso. Pois essa doutrina está entretecida em toda a sua urdidura (seu quadro tecido)".

Interessantíssimo! Temos de viver 2012 com os olhos na eternidade. Antevendo a glória do Cordeiro com face de leão! Crendo que o Senhor tem nos chamado enquanto igreja a sermos militantes, briosos e sobretudo, relevantes em nosso contexto de fé! Não há lugar para covardes no Reino de Deus! Aqueles que não estão dispostos ao sacrifício dos prêmios (e das “promessas”) do mundo em prol dos valores preciosos da vida eterna nunca conseguirão ser bem sucedidos no cumprimento do chamado que como crentes, temos em Cristo Jesus!

Desejo, do fundo do meu coração, um novo ano cheio de desafios e que, Jesus, o nosso Emanuel venha lhe presentear (isso mesmo, ele é o único aniversariante que se encanta em dar presentes em seu aniversário!) com favores incríveis para você investir grandemente na obra missionária que nossa igreja não vai perder de vista!

Estamos juntos?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A TRISTEZA DE SER ANTI-NATAL

Vem crescendo no meio evangélico brasileiro um movimento que eu chamo de "anti-Natal". São os que tem pavor dessa época do ano! Alguns chegam até a gaguejar na hora da entrega do presente: "oooolhhaa....não é de Naaatallll, nããão..."! São muitos os que se enveredam por um misticismo típico de meninos-teólogos: são os famosos textos em que eles defendem que a árvore de Natal já teve uma alusão nas Escrituras em textos referindo-se à "árvores sagradas", e isso toma um ar de intelectualidade bíblica que, assombra aos que são neófitos. Veja por exemplo o que colhi num desses sites de estudos tupiniquins, e deixo aqui na formatação que encontrei em http://estudosbiblicos.spaceblog.com.br/235174/10-MOTIVOS-PARA-NAO-CELEBRAR-O-NATAL/:

Árvore de Natal – é um ponto de contato que os demônios gostam. No ocultismo oriental os espíritos são invocados por meio de uma árvore. De acordo com a enciclopédia Barsa, a árvore de natal é de origem germânica, datando o  tempo de São Bonifácio, foi adotada para substituir o sacrifício do carvalho de ODIM, adorando-se uma árvore em homenagem ao Deus menino. Leia a bíblia e confira em Jeremias 10:3,4; I Reis 14:22,23; Deuteronômio 12:2,3; II Reis 17:9,10; Isaías 57:4,5; Deuteronômio 16:21 e Oséias 4:13.


Trata-se de um absurdo chamar esse comentário acima como algo sério do ponto de vista teológico. Se não vejamos:

- Não me parece que os demônios tenham predileção em relação às árvores. E, mesmo que tivessem um princípio que precisa ser considerado básico em nossa análise é que o Senhor fez questão de criar um jardim no inicio de sua criação e colocar nele o homem, sua obra prima como seu cultivador por excelência. E como se pode inferir por lógica, nesse jardim havia diversas árvores, senão vejamos o que se encontra registrado no "livro dos começos":


Gênesis 2:9
9 - E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Importante se destacar nesse texto que foi o Senhor quem criou as duas árvores! Logo, não existe base para um maniqueísmo (bem x mal) nessa história de árvores sagradas e outras em homenagem à entidades demoníacas. Tudo é de Deus! Nada é do Diabo!

Todos os textos que se referem às árvores sagradas citadas pelo texto acima anti-Natal falam do uso da criação divina como instrumentos claros de idolatria, e isso é bem próprio do ser humano! Mas, não me parece que há evidências para se crer que por ocasião do Natal haja algum tipo de "culto à árvore", e sim um elemento artisticamente belo que serve para embelezar nossos lares e igrejas com uma imagem, cuja origem remonta-se a Lutero, que em um passeio em pleno inverno, por ocasião do Natal viu o efeito que o clarão das estrelas produzia às voltas de um pinheiro, daí então ele se viu no desafio de reproduzir essa percepção ótica em sua própria casa. Daí então, a tradição remonta que sua árvore por ocasião do Natal lhe serviu de um enfeite precioso, que deve ter lhe feito inclusive pensar e refletir ainda mais na beleza de Cristo em sua simplicidade e ternura!

Por favor, parem de inventar modas e tradições com ares de um zelo emburrecido por versos considerados fora de seus contextos, tudo para achincalhar essa época tão alegre! Tenho para mim, que para esses, cabe perfeitamente o dito por Tereza Teresa de Ávila que em um dia, fez um dia uma oração curiosa: "Poupa-nos, Senhor, de tolas devoções e de santos com cara amarrada"


Tenham todos um feliz Natal, com árvore ou sem árvore de Natal! Mas, não se esquecem da beleza alegre do Cordeiro com face de Leão: JESUS!


 

sábado, 10 de dezembro de 2011

GLOBO GOSPEL: NADA A VER!

"Jacó deu a Esaú pão e o guisado de lentilhas; e ele comeu e bebe; e,em levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura". (Genesis 25.34)

A história você já conhece: Esaú chega cansado de uma caçada improdutiva e logo, esfomeado põe-se a negociar com o seu arguto irmão para ganhar um prato de guisado (carne vermelha). Astutamente, Jacó honra o seu nome e "suplanta" o seu irmão, passando para tras com uma conversa afiada de maldades, em uma proposta sedutora: Esaú abriria mão do direito de receber a benção de "irmão mais velho", e em troca seu desejo por uma alimentação faustosa seria realizado! Isso é que é uma ideia tabajara: acabaram seus problemas! A benção por um prato de carne! Fazemos qualquer negócio!

O resultado você já pode esperar: em se aproximando da morte do pai dos irmãos negociantes, Isaque, Jacó toma o seu direito adquirido pela sórdida transação e recebe a benção tão sonhada e forjada no calor da canalhice! Esaú fica contrariado, aborrecido, mas sem muito o que fazer! Perdeu a benção por um prato de guisado!

Parece-me que essa história pode ser aplicada em meio à aproximação da Rede Globo com o público evangélico. Eu leio no "Maré Gospel" dessa semana, um caderno evangélico em um dos jornais de nossa cidade, uma reportagem de uma página sobre o famigerado "Festival Promessas", e em meio ao tom da reportagem, citando a participação de crentes de nossa cidade no evento, uma declaração chama-me a atenção, justamente de um dos diretores da "Venus Platinada": "Não podemos de maneira nenhuma ignorar as expressões da cultura do nosso povo. E a música evangélica é um dos fenômenos dessa imensa força que se expande sem cessar".

Ficou patente nessa declaração uma constatação óbvia: a música evangélica deixou de servir ao Evangelho para servir à cultura do nosso povo! Martinho Lutero tinha a consciência de que a música é serva da Palavra, mas o que vemos hoje é a música servindo-se a si mesma! Há algum tempo comentei de que a pressão por composições "vendáveis" tem feito cantores consagrados por belas letras submetendo-se a produzir músicas "fast food", de consumo rápido, indolor e sem sabor. Nossas igrejas estão sujeitando-se (a contragosto, mas sem alternativas) a um estilo de músico pastoso, sem vislumbres de eternidade! Isso porque os mais renomados artistas gospeis não tem tempo de produzir algo com conteúdo, e quando produzem não tem mais público para consumir música com qualidade. O que se vende é o descartável: letras com fogo (para vender a pentecostais) e sobre conquista (para vender a neo-pentecostais).

O que a Globo se propõe a fazer com esse Festival, que vai ao ar próximo do Natal para delírio de evangélicos que pensam estar fazendo história, e não deixam de estar mesmo, pois estão participando do tempo em que a igreja está trocando a benção do Pai (santidade) por um prato de guisado (um evento televisivo). Eu já convivi com determinados figurões da música evangélica, e até mesmo recentemente tive o desprazer de relacionar-me com alguém... e posso dizer que termos como "ministério", "sacrifício", "renúncia", "amor"... olha, nos lábios de muitos deles são apenas palavras, meros vocábulos, o que lhes interessa é o retorno financeiro com suas medíocres canções!

É fato que estamos vivendo o tempo do evangelho maquiado, adornado para agradar a platéia! A denúncia de C. H. Spurgeon em seu tempo ainda vale: "A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões."

Vejo lideres interessados em faturar notoriedade, e sob o pretexto de celebrar ao Senhor, vendem seus ministérios a articulados diretores, que eles sim estão conscientes da realidade envolvida: trata-se apenas de uma exibição cultural, nada mais, nada menos! Vergonha! É a palavra que me vêm a mente! Para celebrar o "Dia da Bíblia" em nossa cidade não nos unimos! Para participar do prato de guisado da Globo consegue-se arregimentar um grupo significativo! Vergonha! Eu tenho vergonha!

É o que eu penso.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FERIDOS NA BATALHA! RECOMENDO!

Acabei de ler o livro "Feridos na Batalha" do meu amigo, pr. Renato Vargens. O livro é escrito com alma pastoral e coração tremendamente preocupado com os des-caminhos da igreja evangélica no Brasil. Fica muito patente aos olhos a percepção do autor, que eu compartilho igualmente preocupado, do surgimento de uma classe perigosa de líderes, que tem sido alçados à posição de "gurus" que não admitem serem questionados. Eu tenho de lidar vez por outra com homens assim! Melindrosos, receosos quanto à defesa de suas autoridades, e quando se sentem ameaçados em suas pretensões, eles são tirânicos no modo como usam as palavras e cá pra nós, eles se fecham às explicações dos outros. São eles que se bastam a si mesmos!

O livro do pr. Renato vem preencher uma lacuna em nossa reflexão pastoral neste tempo de apóstolos e mega-pastores: o que fazer diante do perfil humanista (no melhor sentido dessa palavra, a uso no corte de "próprio do que é ser humano") do pastor na perspectiva bíblica em relação aos contextos eclesiásticos que convivemos onde o regime de administração gerencial roubou-nos a simplicidade da igreja enquanto "comunidade"?

Em resposta a essa pergunta, encontrei no livro, alguns insights que estarão agora fazendo parte de meus pensamentos em busca de um paradigma, um modelo referencial do que vem a ser um pastor nesse tempo onde os "coronéis da fé" saem brigando uns com os outros, utilizando-se de xingamentos que deveriam ser impronunciáveis nos lábios de um mensageiro de Deus! Recentemente um obreiro disse a um grupo em reunião: "eu dou ao povo o que ele quer, para depois ele me dar o que eu quero!". É a ética do "vendilhão do templo" travestido de pastor evangélico! É pura soberba de quem está de olho na lã da ovelha e não de cuidar do rebanho que o Senhor Jesus lhe confiou!

Muitos são feridos por pastores que, em nome de um discipulado cego manipulam suas vidas em sacrifício de suas convicções pessoais! Há obreiros que tentam à moda do "rolo compressor" incentivarem seus liderados a trabalharem em eventos evangélicos (leiam-se "comerciais") com  o dinheiro público, como se o público fosse privado e o privado público. São verdadeiros enganadores, que não confiam unicamente na provisão do Senhor para as receitas (algumas delas de motivações justas) de suas igrejas!

Outros são feridos quando têm seus questionamentos e dúvidas feitas no privado do gabinete pastoral expostos no púlpito, como "exemplos" e ilustrações pessoais danosas, pois, sem autorização do confidente, tais pastores são covardes, pois falam no púlpito o que não têm coragem de verbalizar em outros contextos! O resultado é gente ferida, doente, magoada demais para voltar à igreja e a ter no pastor um modelo de homem confiável!

Mas, existe o outro lado! E o pr. Renato também comenta nessa direção: há igrejas que trituram seus pastores! Conheço histórias de pastores que penam nas mãos de conselhos e diretorias sanguinárias que, por não estarem dispostos ao confrontamento bíblico, silenciam seus pastores, inclusive vedando-lhes o salário (que já não é tão grande assim...) mensal! São diáconos, presbíteros e membros de famílias importantes da igreja que não gostam de se sentirem ameaçados em uma Exposição fiel do verdadeiro Evangelho, acostumados que estão a mandar e a não serem importunados em seus "pecados preferidos".

Igrejas que maltratam seus pastores são discípulas de Demas, aquele abandonou a Paulo, "tendo amado o mundo presente", II Timóteo 4.10. Interessante que no original temos "aion", que vem a ser "o mundo presente, com as suas preocupações, tentações e desejos". Tem muitos lideres de igrejas no Brasil afora preocupados apenas com os seus ganhos e status pessoais, e bem pouco interessados na promoção do Reino de Deus e o avanço da obra missionária! São verdadeiros lobos travestidos de ovelhas! Gente má!

Mas, por fim, o livro do pr. Renato, que recomendo fortemente tem um tom positivo. No final  o autor lança algumas soluções que podem ser sintetizadas em uma frase: "olhe para Jesus!". O coração do homem não pode ser um arsenal de ressentimentos! O perdão é uma declaração de guerra ao conflito interior que já está instaurado na alma humana. É como se fosse uma bandeira branca desfraldada indicando que a paz finalmente precisa entrar na guerra!

Desejo muito que esse livro (que pode ser adquirido pelo site www.renatovargens.com.br) seja para o Brasil a definição de um tempo onde torturados e torturadores possam se encontrar! E creio que o alvo, o fim mesmo disso tudo seja uma reconciliação com requintes de super-abundante-graça, onde o Senhor Jesus finalmente ministrará um tempo de bonança em sua igreja com feridos e algozes celebrando juntos a Ceia do Senhor, numa simbiose que fará surgir uma nova espécie na igreja: os saudáveis!

Que eu veja esse tempo na igreja do Senhor Jesus!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

EU, UM SERVO?

O artista Leonardo da Vinci pintou o belo quadro da última ceia. Enquanto o pintava, procurava por pessoas que pudessem ser os modelos. Ele desejava um rosto belo e pura face para representar Jesus, e outro rosto ímpio e pecador para pintar Judas.

Afinal o artista encontrou um jovem com rosto belo e puro. Era Pietro Bandinelli, cantor de coro sacro. Passaram-se anos e o grande quadro ainda não estava terminado, pois o artista não conseguia encontrar um rosto que pudesse representar Judas.

Ele pensou: "Preciso encontrar um homem de coração mau, cuja fisionomia mostre o mal em sua vida". Um dia, nas ruas de Roma, viu um mendigo de fisionomia má e horrenda. O mendigo concordou em posar para o retrato de Judas. Logo o pintor pôde completar a face do traidor. Ao terminar o trabalho, e pagar o mendigo, o artista perguntou o seu nome. "Pietro Bandinelli", respondeu o mendigo. E acrescentou: "Eu posei também para o modelo de Jesus Cristo."

Parece-me que a cada dia o meio evangélico vem sendo acometido de uma forte tendência ao culto ao personalismo. E, com isso essa historieta contada acima passa a servir de uma séria advertência em relação ao nosso orgulho de nos sentirmos melhores do que os outros, por nós considerados menos afortunados espiritualmente. É muito comum encontrarmos discussões "para mais de metro" quando tratam-se de assuntos que deveriam ser citados sempre com muito temor no coração e paz nos lábios. Não posso me esquecer jamais do li de Francis Frangipane, quando ele disse que é necessário que tenhamos a mesma reverência quando falamos de nosso irmão da que temos em nossas orações a Deus! Isso é muito sério! Hoje podemos posar de Jesus, e amanhã podemos posar de Judas, isso pode acontecer em fração de segundos até. Hoje santos, amanhã perversos!

Essa nossa mundanidade precisa ser levada em consideração no nosso conceito de santidade. Pois Cristo é a essência de nossa vida pura diante de Deus e não os valores e exigências de nossa legalista forma de enxergar o cristianismo. Deixa eu trocar em miúdos esse pensamento: algumas pessoas são excelentes em 'performances santarrônicas" (neo-logismo), em exibições de santidade, em expressões puramente emocionais e porque não dizer carnais da fé! Não se muda nada, não se quebranta o coração, apenas exibi-se a imagem de um crente muito quebrantado e dedicado às coisas de Deus, mas depois que termina o show, e o picadeiro se transforma na própria vida, ai começa-se à desconstrução do personagem, e o palhaço exibicionista de grandes visões e revelações do Senhor fica às voltas com uma existência mecânica e apagada!

Toda essa polêmica sobre "cair no Espírito" reflete isso! Ora, do que adianta "cair no Espírito", se a Bíblia recomenda-nos a "andar no Espírito". Repare no que temos em Gálatas 5.16: "Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne". É muito claro que Deus deseja muito mais um povo que anda com ele, e "andar" aqui implica em amoldar a vida de acordo com os padrões do Espírito Santo de Deus, do que um povo que cai em showzinhos pirotécnicos onde o ser humano age como um "bobo da corte" que recebe justamente para fazerem outros rirem. E é verdade que junto com o "cair no Espírito" vem o "riso santo" e outras chocarrices.

Mas, e a pergunta que não quer calar é: Eu, um servo? E a resposta tem de ser, inexoravelmente, "sim". Porque você nasceu para servir e não para ser servido! Suas emoções precisam estar todas elas  rendidas ao Senhor em um culto vibrante e sincero, e fuja de grupos religiosos que tentam fazer de você atrações de um culto ao orgulho e ao sectarismo. Abaixo aos que tentam domesticar as vibrações espontâneas de nosso culto ao Senhor!

Tenho dito.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PESO ETERNO DE GLÓRIA!

"Toda a igreja cristã que não ensina aos seus membros a principal ciência da religião, a sofrimentologia, não está cumprindo o seu dever. Imponha a mortificação a si mesmo. Aprenda a sofrer e a não ceder. Pode chegar o tempo em que você poderá precisar deste conhecimento". (Richard Wurmbrand)

Quem escreveu essas linhas acima sabia do que estava dizendo, pois esse homem amava ao Senhor Jesus que pagou um alto preço pela sua ousadia em pregar o Evangelho na antiga Romênia, ainda sob o impacto do comunismo. Ele foi pastor luterano, que ficou mundialmente conhecido por passar 14 anos em campos de concentração em seu país, por causa de sua fé. Ele foi torturado por conta de sua obstinação em viver de fé em fé. Um exemplo para o nosso relaxado cristianismo!

Há algo na expressão de nosso cristianismo que me perturba, e é justamente a facilidade com que nos sentimos "vítimas" diante de situações espinhosas no nosso cotidiano. Deduzo que seja por conta da mensagem de um evangelho que não suporta provocações do Diabo ou ainda fragilidades de nossa própria natureza humana. Parece-me que o "vencer a qualquer preço" tem sido a filosofia de muitos dos nossos crentes hodiernos. E, como resultado temos crentes com uma fé que visa apenas o seu umbigo e a sua realização pessoal. Tenho sérias dúvidas que Deus está interessado em nossa alto estima! Tenho para mim que o propósito do Senhor é justamente nos desmamar de nossa auto-suficiência, e por meio das provas a que somos submetidos, provocar em nós um santo contentamento.

Esse "santo contentamento" não seria uma postura de "capachão" do tipo, "pode bater que eu gosto!", absolutamente, eu falo desse princípio como sendo algo espelhado na própria experiência do apóstolo Paulo: "Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece", Filipenses 4.12,13.

Temos de entender o sofrimento como sendo uma prova para o Senhor aferir nossa alma e nossa persistência espiritual. Uma vez, aprovados nesse teste de fidelidade, passamos a adentrar esferas mais sublimes de nossa experiência com o Senhor, como pode ser visto nas biografias de missionários que aprenderam à base de duras penas a dependerem unicamente no Senhor!

Isso me faz lembrar o excelente livro de John Piper, "completando as aflições de Cristo", da Shedd Publicações em que ele cita o exemplo de Adoniram Judson que depois de observar que uma grande proporção dos que saiam em missão para o Oriente morriam em cinco anos, disse: "Por isso, caminhe suavemente, a morte espreita de perto os seus passos!".

Essa é a melhor forma de viver, tendo a consciência de que a morte espreita nossos passos! Somos pessoas caminhando na direção da morte, por conta disso, não temos de viver brigando uns com os outros por posição ministerial ou por notoriedade, vamos para o mesmo lugar, independente de sermos ricos ou pobres! A morte está no nosso pé! A vida é passageira! Celebremos pois cada segundo como se fosse o nosso último!

Tenho dito. E morrerei um dia! Ela (a morte) está aqui do meu lado!

PS. Apesar do tom aparentemente sombrio de meu artigo, quero homenagear os membros fundadores da nossa igreja, IBACEN, que completa 19 anos nesse fim de semana. Refiro-me aos fundadores que ainda estão conosco, membros servos dessa igreja encantadora! Que vivamos o presente tempo, certos de que nossa contribuição será eterna! Parabéns IBACEN!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ADORADORES SERVOS!


Não tenho dúvidas de que a adoração é o tema central do livro de Apocalipse. Adolf Poth vai dizer o seguinte em seu comentário: "Neste escrito, cuja extensão perfaz aproximadamente a décima quarta parte do Novo Testamento, a palavra "adorar" ocorre nada menos do que 24 vezes, enquanto em todo o resto do Novo Testamento aparece apenas mais 35 vezes. Termos do mesmo grupo semântico, como "glorificar", "agradecer", "louvar", "dar honras", "receber honra", "servir a Deus", "clamar a Deus" e, no mais, a grande quantidade de hinos e orações reforçam a impressão de que o objetivo do livro é a adoração."

Pelo que eu já tenho visto nesse inicio de leituras mais profundas nesse livro que estou expondo em nossa igreja o que temos nas páginas sagradas dessa literatura tão especial não é meramente um guia litúrgico para incrementar os nossos cultos, mas a expressão viva de alguém que viu o céu aberto, que experienciou um encontr com o próprio Jesus!

Quando reflito sobre essa questão, não posso absolutamente, deixar de tecer criticas sérias ao modo como percebo na igreja o trato com tão pouco caso do "Dia do Senhor" e em relação ao compromisso com a igreja e o culto em geral. Tem muitos irmãos hoje em dia que mereciam, sem dúvida ouvir a denúncia de Spurgeon, já no século XIX, em que ele dizia: "Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus? Ai de mim. Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas: e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza."

É fato que, por fugirem do verdadeiro Deus, vemos crentes adorando um deus que é feito à própria imagem e semelhança de suas carnalidades e invencionices humanas! Eu tenho ficado cada vez mais decepcionado com a chamada "classe artistica" de nosso meio evangélico. As experiências que tive com cantores, cantoras e grupos dos mais diversos segmentos do mundo gospel, todas elas foram horrivelmente pesarosas! Tratam-se de meninos mimados, que, mesmo recebendo fartos honorários, ainda assim reclamam do melhor que a igreja consegue em termos de som e estrutura, e o último que convivi, ainda soltou xingamentos e chutes em caixa de som e tudo! Pasmem! Que tipo de Deus essa gente adora? Só posso lhes garantir que não é o Deus da Bíblia!

Fico enojado em considerar que nossos cultos ao Senhor muitas vezes são exibicionices de nossa própria performance e o tempo que passamos na igreja deixa de ser uma expressão de um "sacrificio vivo, santo e agradável", conforme Romanos 12.1 para se tornar arrogamente um tempo de exposição de um cantar bonito, uma exibição apoteótica nos instrumentos e o desejo de aplausos para si mesmos! A adoração passa a ser carnalidade quando deixa de honrar a Deus, e sim ao adorador! Eu tenho de tomar cuidado com generalizações, mas eu tenho para mim que quando o ministério de música se tornou independente do "ministério da Palavra", e as igrejas passaram a considerar os músicos de "levitas", a coisa toda desandou! Pois, os "tocadores" e "cantores" se colocaram ao mesmo nível dos "pastores e mestres" e nessa perversão hoje em dia, é preciso lembrar que todos são efetivamente servos, apenas isso, "servos"!

Warren Wiersbe, acerca do livro de Apocalípse diz que "deve-se abordar este livro como admiradores e adoradores, não apenas como estudiosos acadêmicos". E, eu indo além desse pensamento digo que como eu vejo que o Apocalípse é o "grand finale", o climax de toda a Revelação Bíblica, pois se propõe ser o descortinamento da pessoa e obra do Senhor Jesus à sua igreja, em consequência desse entendimento só consegue compreender as Escrituras Sagradas aqueles que tem o avental do serviço. Não se pode propor a interpretação das Escrituras aos pastores e líderes que antes não tem assento definitivo nas cadeiras da submissão e do quebrantamento. Somente os "puros de coração é que verão a Deus", conforme Mateus 5, logo os orgulhosos pedantes que se bastam a si mesmos em muito breve receberão a devida recompensa pelos seus feitos: o castigo eterno no inferno, no fogo que queimará suas vaidades pessoais!

Posso terminar dizendo que odeio os cantores e cantoras gospeis com seus grupos de músicos-artistas que, por não conhecerem suficientemente as Escrituras são mestres do entretenimento e do "show busines", uma vez que não entendem e nem aceitam o que vem a ser o serviço cristão desinteressado. Há excessões nesse meio, mas elas são na realidade para se confirmar a regra de que: há muita gente perversa cantando em nome de Deus nas nossas igrejas e eventos!

Eu já dei um "basta" nisso!