segunda-feira, 3 de outubro de 2011

VAMOS ACORDAR, POVO DE DEUS!


"Ai dos que vivem sossegados em Sião, e dos que estão seguros no monte de Samária, dos homens notáveis da principal das nações, e aos quais vêm a casa de Israel!" (Amós 6.1).

Não podemos mais viver sossegados. Quero lhes propor algumas linhas de atuação (que desafio em primeiro plano a nossa igreja (IBACEN), depois meus companheiros  de caminhada ministerial.

1) Chega de canções de prosperidade. Se queremos fazer valer as bênçãos do Deus Providente, temos de parar com nossos clamores por fartura em nossas cabeças e mesas. Temos que vestir a camisa do engajamento social com nossos protestos de uma ordem mais justa para os mais frágeis de nossa sociedade. Não adianta gritar "sou abençoado" e assistir passivamente a morte de nossos jovens sem uma atitude de quem de fato está na frente e não na retaguarda da batalha!!!

2) Chega de mensagens positivas. Os púlpitos estão cheios de pastores que não conseguem aquecer o coração de ninguém com suas pregações cheias de princípios de auto ajuda e ensinos do jeito "faça a sua parte que Deus te ajudará". Temos de ser francos e abertos com os pecadores que vêm até nós: todos, absolutamente todos, estão à beira do inferno, e... se não fosse... a mão misericordiosa do Altíssimo, estaríamos todos perdidos!!!

3) Chega de dividirmos evangelismo com ação social. Essa relação dicotomizada entre falar de Jesus e agir como Jesus definitivamente não existe! O cloro é um veneno por si só, bem como o sódio... mas quando eles são fundidos na medida certa (transformando-se em cloreto de sócio) passa a ser a fórmula do sal... justamente o sal... e Jesus estava pensando nisso quando disse que nós "somos o sal da terra" (Mateus 5.13).

4) Chega de falar que temos de orar. Todos estamos "carecas" de saber que, como crentes temos de orar e não há poder na vida sem uma vida de oração. Agora, vamos parar de falar e vamos começar a orar??? Um dos sinais da calamitosa vida de oração no nosso tempo está justamente porque temos falado muito de oração, mas não oramos!

Pastores e lideres vamos silenciar o nosso silêncio e nos fazermos ouvidos em cada rua, becos e esquinas de nossa cidade. Temos que nos mobilizar! CHEGA!!! Não é a toa que Martin Luther King disse: "No Final, nós nos lembraremos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos."

sábado, 17 de setembro de 2011

O QUE É UM CRISTÃO VERDADEIRO?

"Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento" (A. W. Tozer)

Essa frase é para mexer com a nossa consciência dita cristã! Percebo que temos vivido em uma sociedade altamente condescendente em termos de valores morais... eu sempre tenho tido que a raiz da pulverização ética que vivemos é o afrouxamento de nossa confiança na suficiência das Escrituras. A crise moral é filha do liberalismo teológico e irmã gêmea da tragédia que assistiremos em breve na igreja evangélica brasileira onde determinados “gurus virtuais” vão conseguir o que mais sonham: desfocar a missão da igreja, transformando as comunidades de fé em ambientes de entretenimento apenas!!!

E onde fica o Evangelho? John Stott em seu comentário sobre o livro de Gálatas é bem taxativo ao dizer que “o Evangelho não é, antes de mais nada, as boas novas de um nenê na manjedoura, de um jovem numa banca de carpinteiro, de um pregador nos campos da Galiléia, ou mesmo de uma sepultura vazia. O evangelho trata de Cristo na cruz”.

É cruz tem a ver com renúncia. Nossa geração precisa aprender a abrir mão de direitos pessoal, de achismos inconseqüentes para se sujeitarem às verdades eternas do Evangelho. Agora tudo fica mais difícil quando percebemos crentes arrogantes que se consideram superiores a tudo e a todos, que verbalizam “palavras de ordem” para suas congregações com termos já desgastados de seus verdadeiros significados como “unção”, “palavra profética”, “avivamento” e tantas outras que, embora sejam ricas em si mesmas, já se perderam suas essências pelo mau uso de pessoas que querem por que querem atrair algum tipo de beneficio pessoal com o uso das mesmas.

A frase de Tozer se torna urgente... precisamos assumir que somos “estranhos”... não vemos o que adoramos, somos radicalmente depravados em nós mesmos (aquilo que chamo de “carniça interior”), perdemos para podermos ganhar, andamos na contramão do sistema do mundo, somos taxados e desrespeitados quando batalhamos pelo que é certo e ético, mas mesmo assim, não podemos abrir mão de nossa integridade.

Um dos meus sonhos mais candentes é justamente sermos uma igreja que receba menos moções de aplausos em nossas “câmaras municipais”, menos verbas para nossos eventos, menos “tapinhas” nos ombros, isso para que recebamos mais elogios do próprio Deus e o reconhecimento de que nossa “esquisitice” não é em decorrência de nossos cultos estranhos mas sim por nossa postura que ameaça o equilíbrio desse mundo caótico.

No dia que formos mais “estranhos” receberemos sem dúvida nenhuma a palavra de apoio que o próprio Jesus recebeu quando saiu das águas do Jordão: Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado". (Mateus 3.17). Ai sim, estaremos fazendo diferença e seremos menos homenageados pelos homens, mas sem dúvida, receberemos os louros das mãos do próprio Senhor da Igreja: Jesus Cristo.

Maranata, Ora vem Senhor Jesus!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O MUNDO É UM JARDIM DO INIMIGO?

"Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós". (Tiago 4.7)

Acabei de ler (e publicar, como faço sempre com os comentários nesse blog) um comentário virulento em minha postagem sobre a Angra Expo que não me abalou porque como diz o apóstolo Paulo, "eu sei em quem tenho crido". Mas, me parece que há um descompasso emocional em crentes que não permitem críticas de seus eventos ou líderes prediletos, eles são cegos em relação aos seus erros, equívocos e inclusive, heresias. Com isso defendem ardorosamente seus nomes prediletos como se fossem verdadeiros semi-deuses. Numa rede social que participo fiz um comentário (admito, jocoso) do Silas Malafaia, e quase fui incinerado, disseram até que eu deveria cuidar mais da minha vida! Ufa! Quanta limitação de mente! Eu creio que o único inerrante é o Senhor Jesus, e a Ele é quem devemos imitar, agora homens (Malafaia, Feliciano, Valnice, Terra Nova, André Valadão, dentre outros) todos eles precisam estar sob o peso de observações críticas e pontuais, sempre utilizando a Bíblia Sagrada como referência de padrão de verdade.

O tema acima, é uma provocação em relação à peça que nossa cidade receberá na FITA (Feira Internancional de Teatro de Angra dos Reis) nesses próximos dias, denominada "O Jardim do Inimigo". Eu assisti a peça, e quero fazer algumas pontuações. No Wikipédia há um resumo da peça e também alguns dados da produção, que eu transcrevo aqui:

"O Jardim do Inimigo é uma peça teatral realizada pela companhia de teatro Jeová Nissi, foi apresentada pela primeira vez entre os anos 2000, é vista e conhecida por muitas regiões do Brasil e muito comentada entre as igrejas evangélicas, posteriormente foi lançada em DVD em 2007. Foi escrita, dirigida e protagonizada por Caique Oliveira que é o fundador da companhia.
Possui o tema abordando vários fatos que acontecem em relações humanas e cristãs, como violência doméstica, uso de drogas, prostituição, miséria, pobreza, descompromisso com Deus e a igreja. O texto é narrado pelo personagem principal, dito como o Acusador, o Diabo (Caique Oliveira), que acusa todos aqueles que seguem o caminho pecaminoso de uma forma sarcástica e entretida com Humor Negro. Apesar de ser um drama trágico-impactante foi aceito pelos mais diversos publicos e idades, O teatro é feito para jovens e segue uma linha de humor e drama."
 
Diante dessa apresentação e à luz do que eu vi, posso dizer que a peça é um desserviço ao evangelismo. O autor (que é o personagem principal, praticamente em forma de um monólogo aterrorizante) faz apologia aos estratagemas do Diabo, colocando-o como responsável absoluto de todas as desgraceiras da vida, e com tentáculos inclusive no seio da igreja evangélica. O tom é de um sarcasmo irreverente, e sem nenhum cuidado em não "carregar demais nas tintas" o nosso arqui-inimigo é apresentado em cores tão atraentes que os incautos vão desejar servi-lo ao invés do próprio Deus.

É incrível como a teologia protestante brasileira se vê em confusão a respeito do Diabo. Digo isso porque é sabido que as igrejas (sobretudo pentecostais e neo-pentecostais) dão um cartaz promocional a Ele a cada culto, creditando-o todos os erros, abusos e irresponsabilidades que ao invés de serem assumidas são tercerizadas para o Diabo e seus demônios, isso posto porque é mais fácil espiritualizar tudo e demonizar nossas fraquezas do que assumi-las diante da Cruz de Cristo na confissão sincera de nossos pecados. Em muitos cultos de libertação o Diabo possui  lugar de destaque, pois todas as vicissitudes da vida são atribuidas a ele. Parece-me que há o desconhecimento da podridão que é o coração humano em sua capacidade desmedida de fazer grandes males e de provocar tragédias insondáveis no mundo.

Não estou com isso, dizendo que o Diabo não está ao nosso derredor (I Pedro 5.8), ou ainda que o mundo não jaz no maligno (I João 5.19), ou ainda que ele não seja o pai da mentira (João 8.44). Longe de mim ser um "advogado do Diabo". Creio que ele é a única criatura do universo que não devemos esperar nenhuma possibilidade de salvação, mas não posso deixar também de afirmar categoricamente que ele é servo de Deus. Sim, o Diabo é um súdito do Reino de Deus, uma vez que ele não pode fazer absolutamente nada sem a permissão do Senhor. Lembra-se do episódio ocorrido na vida de Jó, e como Satanas precisou da permissão do Senhor para tocar em sua vida (Jó 1.12). É importante também recordar que, quando da tentação de Jesus, o Diabo foi colocado em seu devido lugar, apenas na citação pura e simples das Escrituras, três vezes pelo Senhor Jesus: Mateus 4.4; 7, 10.

Não podemos de maneira alguma compreender esse mundo (criado pelo Senhor com requintes de criatividade), que de acordo com o Salmo 24.1 pertence a Deus como "um jardim do inimigo", isso é heresia das mais hediondas. O mundo é de Deus, ele jaz no maligno em seus valores pervertidos por ocasião da queda do homem, agora o jardim do Eden (em simbolismo vivo, representando o lugar de deleite da presença de Deus) não se transformou em palco onde Satanás (o outro nome de Diabo) se tornou ator principal! Absolutamente! Quem continua ditando as regras nesse mundo é o Senhor. Gosto de afirmar e reafirmar isso categoricamente: Não há outro Senhor no céu e na terra!

Quando o famoso evangelista Billy Graham esteve no Brasil nos anos 60, foi lhe proposto sair em carro aberto para saudar a população do Rio. Ele secamente respondeu: "Deus não divide a sua glória com ninguém". Fico a pensar sobre o propósito de uma peça (dita evangélica) que atribui tanta glória ao Diabo que deixa sem dúvida, o espectador assustado, mas não mais temente ao Senhor! Quero terminar dizendo que a peça causa sim, assombro pelo Diabo, pelo Inferno, mas não provoca honra ao Criador, pois mesmo na confissão de pecados secretos há muito mais "pena de si mesmo" do que reconhecimento sincero que Deus é tudo em todos, e não levará ninguém ao céu por temor ao inferno! Termino com uma frase que gosto muito:  "não é o temor do Inferno o que me há-de levar ao Céu; o Amor de Quem lá Se deixa ver e gozar, sim."

Tenho dito. E não verei e não recomendo a peça "O Jardim do Inimigo".

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O VALOR DA COOPERAÇÃO

Chegando do Haiti nessa semana, depois de 15 dias de um abençoado "Projeto Missionário", começo a refletir sobre o valor da cooperação ministerial, uma vez que nesse tempo tive a oportunidade de liderar pessoas de 12 igrejas diferentes, e pude ter o privilégio de focar todo o grupo numa visão: dar a nossa contribuição para a reconstrução do país mais pobre das Américas.

Há muito tempo venho pensando a respeito da importância de uma imagem correta do que vem a ser uma igreja do Senhor Jesus. A Bíblia vai se utilizar de metáforas ( comparações) para expressar a igreja: edifício, rebanho, geração eleita, sacerdócio real, povo adquirido, corpo, e tantos outros. Em todas essas idéias há um elemento presente: cooperação. A cooperação é a participação de cada indivíduo para o desenvolvimento de um projeto comunitário. Daí a necessidade de se ter cooperação para a existência de uma igreja.

Para resgatarmos esse princípio na vida da igreja encontro no texto de Êxodo 17.8-13 alguns principios muito sólidos do que vem a ser uma vivência que viva na prática esse conceito. No texto encontramos o povo de Israel em uma peleja árdua com seus inimigos imediatos, os amalequitas, e um episódio chama a atenção de todos. Enquanto isso, Josué liderava o povo na frente de batalha, Moisés sobe ao monte para visualizar a batalha, seguido por Arão e Hur, dois de seus assistentes.

Repare comigo que a ordem de Moisés foi clara a Josué: “selecione os homens para a batalha e saia à campo, e amanhã eu vou estar no cume do monte, com a vara de Deus.” A vara de Deus, foi a mesma que abriu o Mar Vermelho, no texto ela é símbolo da intervenção sobrenatural de Deus na história natural do homem.

Moisés se compromete a assumir posição de intercessão na batalha. Não se tratava de uma posição de camarote, mas sim uma posição de guerra. Ora, Arão era sacerdote, Hur era um ancião, a terceira autoridade em Israel, ambos estavam dispensados da batalha, poderiam assumir uma postura de criticismo. Mas eles preferiram, segundo o verso 10 subirem também ao cume do Monte. Eles queriam participar!

Uma verdade que você jamais deve se esquecer: o “nós” é bem mais forte do que o “eu”. A força da comunidade é um valor que não se percebe com facilidade em nossa sociedade individualista. Geralmente se fala em participação popular apenas em época de campanha eleitoral. Mas o fato é que “o povo não sabe ainda, a força que possui”, isso em termos de protesto, denúncias, mas principalmente no campo das construções, das realizações.

Arão e Hur, pela posição que tinham na comunidade, poderiam muito bem, ficarem de braços cruzados questionando: “prá mim, não foi boa idéia de Moisés de guerrear contra este povo.” E aí outro respondia : “eu estou pagando para ver!”. Mas não ambos somaram!

Isso me faz lembrar uma fábula. A centopéia é aquele animalzinho, parecido com uma lagarta, que tem cerca de 100 patinhas. Cada uma das patinhas é importante para a movimentação da centopéia. Certo dia o macaco perguntou à centopéia: “qual das cem perninhas você mexe primeiro para andar?”. A centopéia então ficou tão preocupada em saber qual das pernas ela mexia primeiro que não andou mais!

A igreja só existe por causa da participação de todos em um projeto só: ora, temos uma visão: “sermos uma comunidade de fé e amor que vive em um ambiente de comunhão, proclamando Jesus Cristo, como Salvador do Mundo”, e não podemos descansar enquanto esse projeto não for plenamente  realizado.

Agora, um dado que não pode passar despercebido, e isso serve para todos nós, que somos líderes e que, vez por outra nos cansamos e nos desgastamos no ônus da liderança, está no verso 12, lá podemos encontrar o seguinte: “as mãos de Moisés, porém, ficaram cansadas”. Às vezes pode-se pensar que a liderança da igreja, por serem formadas de pessoas espirituais não se cansa, mas o fato é que muitos dos nossos líderes tem cedido ao estresse!

Ora o que é estresse: “ir além dos limites”. O sentido original da palavra estresse veio da mecânica. Trata-se do trabalho de determinar a resistência de um material, o que é importante na construção de pontes, edifícios, aviões. Então para se determinar a resistência de um material é preciso submetê-lo a estresse, isto é, forças, até o ponto de ele se partir. Tomo um tijolo, coloco-o numa prensa e vou apertando, quando ele partir, eu terei chegado ao ponto de “estresse” do tijolo.

Moisés sobe ao monte, Arão e Hur o segue, e ele começa a perceber que quando ele levanta as mãos o povo de Israel prevalece, mas quando abaixa o povo perece. Mas ele não percebe que vem o cansaço. Nem sempre vamos poder estar dando o máximo de nós! Precisamos aprender a separar tempo para o nosso descanso! E, para isso, precisamos entender que não somos super-homens, muito menos, super-mulheres! Temos as nossas debilidades pessoais e vez por outra vamos precisar de pessoas nos apoiando com suas fortes e descansadas mãos.

Quero, aproveitar essa postagem para agradecer a feliz e singela homenagem que recebi ontem em nosso culto, pela passagem do meu aniversário, e pelos inúmeros recados e felicitações via redes sociais. Completei 37 anos no dia 26 de agosto, data que eu ainda estava no Haiti. Fico pensando em nossa igreja, e imagino os vários momentos de minha vida em que precisei que muitos desses irmãos e irmãs sustentassem minhas mãos na condução de várias batalhas. E, posso dizer: em Deus vencemos juntos, e hoje podemos dizer: "até aqui nos ajudou o Senhor!".

Obrigado.

PS. Esse artigo é para aqueles que carregam o peso da liderança e que precisam aprender, dentre tantas coisas, que precisam de pessoas. Como alguém já disse: "pessoas precisam de pessoas para serem pessoas".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

VENCENDO O PRECONCEITO! VIVA O HAITI!

Gosto de pensar em Jesus como um “quebrador de tradições humanas”. Esse é um dos títulos que mais me emociona ao pensar sobre o Jesus a quem eu sirvo. Empolgo-me em refletir em um Jesus que simplesmente vê as coisas por um “outro ângulo” e com isso, recebe quem não é recebido por ninguém e afasta aquele que é tolerado por todos. Um Jesus que, com suas armas pacíficas é capaz de enfrentar o mais furioso dos preconceituosos.

O preconceito é uma das doenças mais perversas de nossos dias. Não estava errado Albert Einstein quando sussurrou: “que triste é o nosso mundo; em que é mais fácil dividir um átomo do que destruir um preconceito!”. Mas, em matéria de demolir preconceitos, Jesus, estava à frente de seu tempo. E foi assim, num texto que meditei na semana passada para uma mensagem em minha congregação: Mateus 9.20-22 na história da mulher que padecia de uma hemorragia crônica e ousou tocar em Jesus.

Michael Harper em seu livro “As curas milagrosas de Jesus” faz um comentário interessante sobre essa passagem: “Esta estória é confortadora para os que sentem que ninguém tem tempo para eles, menos ainda Deus. É também desafiadora para os que são demasiadamente ocupados e cujas vidas são por demais programadas. Jesus sempre parecia encontrar tempo para lidar com a necessidade humana genuína e assim devíamos nos fazer”.

O fato é que Jesus estava tremendamente ocupado com a solicitação de um oficial judeu que estava com a sua filha à beira da morte. E no caminho para a casa do homem importante na sinagoga (lugar de cultos dos judeus no tempo bíblico), Jesus é surpreendido com um toque em meio a uma multidão. Ele então solicita que tal pessoa se manifeste e nisso a história dessa mulher foi eternizada.

Ela sofria de uma menstruação crônica e com isso, segundo a lei dos judeus, ela era imunda, e tudo quanto tocasse imundo se tornava (Levítico 15.25-27). Ela vivia em desespero de vida, e já havia gastado tudo o que tinha em procura de sua cura. Olha, a grosso modo, podemos perceber pelo contexto histórico, que como naqueles tempos não haviam os absorventes modernos, que aliviam, ao menos em uma certa porcentagem, os “maus jeitos” desses dias de sangramento, aquela mulher sofria profundamente.

Certamente não era casada. Não recebia um abraço de ninguém. Ninguém lhe beijava, ela não recebia nenhum  “chamego”, um sussurro de afeto. Era seca por dentro e gotejante de sangue por fora! Triste sina, diríamos hoje... Mas, essa mulher encontrou-se com Jesus e isso mudou a sua história.

Ela foi ousada em sua fé. E logo pensou: “olha se seu simplesmente tocar na pontinha das roupas de Jesus, ficarei curada”. Pensando sobre essa ousadia cheguei a algumas conclusões:

(*)  Essa ousadia nasceu no cansaço daquela mulher em buscar a cura por seus próprios recursos.

Chegou um determinado tempo que ela se cansou e aí veio a idéia: “tocar em Jesus”. O toque em Jesus iria mudar o seu estigma, e ela cria que Jesus não era um milagreiro qualquer, era o próprio Filho de Deus.

Essa nova consciência de quem Jesus de fato foi e continua sendo, fez com que um dos homens mais poderosos da história se curvasse diante do personagem Jesus. Esse homem foi Napoleão Bonaparte, olha a declaração que tenho arquivada dele: “Com todos os meus exércitos e generais, por um quarto de século não consegui subjugar nem um único continente. E esse Jesus, sem a força das armas, vence povos e culturas por dois mil anos.”

(*)  E por último, essa ousadia foi a atitude que levou a mulher a não sair de perto de Jesus sem ter uma página de sua história virada.

“Página virada” tem a ver com mudança de tom, de ambiente e de conceito de vida. Não é a toa que Jesus ao se referir a ela, no verso 22, a chama de “filha”. Ela que não era notada por ninguém, salvo para chamá-la de imunda ou talvez de “fetida”,  agora recebe um título familiar que reforça o carinho com que Jesus trata as pessoas. Para ele, todos nós, independente de nossos sangramentos existenciais somos “filhos e filhas”.

Olha, me emociono com esse Jesus, ele de fato é único em sua amplitude de ser. Mas também ele é único na amplitude de seu amor. Ele me ama como se eu fosse o único ser criado no universo, e isso me faz especial.

Por isso que, me dirigindo a você, posso lhe garantir: ninguém nunca lhe amará mais nessa vida do que Jesus. Tenha ousadia, toque nele, e eu posso lhe garantir:  a cura que você espera virá, e com ela você adquirirá a vivência na esfera da graça amorosa de Jesus, a participação em um novo ambiente familiar e um conceito novo de um Jesus que sempre terá boas intenções a seu respeito.

PS. Vou ao Haiti na próxima semana, fico lá até o dia 31/08. Serão 15 dias de "imersão missionária", envolvendo-me com pessoas que são alvos do amor de Jesus. São os "intocáveis" de nosso tempo! Peço que me acompanhem em oração e em breve trarei novas notícias daquele país que capturou o meu coração!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PAIXÃO PELA COLHEITA!

"Eu amo Sião e por isso não me calarei; não descansarei até que a sua vitória brilhe como o sol, e a sua salvação brilhe como uma tocha acesa". (Isaias 62.1)

Mais do que nunca, do que em qualquer outro período da história, o Senhor está comissionando a sua igreja a expandir suas tendas na direção dos povos perdidos. Percebo no mundo inteiro uma inquietude acerca da missão da igreja. Estudos estão sendo feitos, e jovens líderes tem se dedicado às especializações mais diversas no campo da missiologia, na obcessão de preencher um vácuo que ficou durante anos quando "missões" era algo que faziam para nós, e não algo que estava ao alcace de toda igreja local, por menor e mais modesta que fosse sua membresia.

Hoje não! Há uma forte consciência, embora eu creia que ainda temos uma trilha a percorrer nesse sentido de que todo obreiro cristão pode mobilizar o seu povo a fazer mais pela salvação das pessoas que carecem de Jesus, não importando se elas encontram-se do outro lado da rua ou do outro lado do mundo! Tenho visitado igrejas todos os meses que emocionam-se, são generosas e compreendem que têm uma missão a cumprir nesse mundo cão que vivemos! E a missão não é expressa de outra forma a não no entendimento wesleyano de que "a nossa paróquia é o mundo", em outras palavras o nosso campo de atuação não é o nosso bairro apenas, mas o mundo inteiro!

Ouvi certa feita um pregador disser que quando a igreja não cumpre Atos 1.8: "mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espirito Santo, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra", ela está prester a viver Atos 8.1: "naquele dia levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samária".

Isso pode ser verificado ao longo das páginas de Atos dos Apóstolos (ou seria, do Espírito Santo?), uma vez que a igreja em Jerusalém encontrava-se acomodada demais, de repente o Senhor ministrou um tempo de severa perseguição para que o povo se dispersasse a fim de agitar a causa missionária, indo a lugares antes inimigináveis. Foi um "sacolejar" de Deus para tirar a sua igreja da inércia! Tenho para mim que é a mesma estratégia que o Senhor Deus vem usando em nosso tempo, ele ele está nos despertando de nosso sonho egoísta de termos uma boa estrutura patrimonial, mas sem alcance às nações!

Nossa igreja nesse segundo semestre está comprometida com sérias incumbências missionárias: em agosto vamos ao Haiti com cinco membros e mais 12 (incluindo mais 06 pastores) de outras igrejas no projeto de reconstrução de um templo, realização de um "seminário para liderança", visitação em orfanatos e igrejas locais, e estabelecimento de parcerias entre igrejas brasileiras e haitianas. Ainda em outubro vamos em nossa campanha de missões nacionais receber um missionário que trabalha na plantação de igrejas em comunidades ciganas ao longo desse Brasilzão, e para fechar bem o ano, em novembro, faremos uma conferência com o tema "batalha espiritual e missões", com o pessoal da MAIS (www.maisnomundo.org).

O desafio está posto, ontem levantamos mais de R$ 5000,00 para causa missionária em nosso Estado (Rio de Janeiro) e Haiti, mas estou consciente de que tudo não passa de um começo tímido, pois ainda temos muito mais o que conquistar em nossa peleja de alcançarmos uma colheita esplendorosa na causa de missões. Não podemos nos esquecer jamais do princípio clássico da natureza: só se colhe o que se planta! Por isso, mesmo não podemos nos contentar com os frutos colhidos atualmente, temos de transformar nossa fé em sementes de entrega para que amanhã, possamos nos maravilhar com os frutos colhidos fartamente.

Aproveito para deixar uma informação e uma disponibilidade para servir a você e à sua igreja: a minha agenda para 2012 está aberta para visitar igrejas que desejam receber inspiração missionária e colegas que desejam maiores informações sobre a igreja haitiana. Em julho de 2012 estarei liderando mais um grupo àquele país caribenho. Em desejando participar de mais uma empreitada, basta entrar em contato comigo no email: ezequias@ibacen.com.br

Por Cristo, eu vou até os confins da terra!

sábado, 23 de julho de 2011

NÃO DEIXE DE SEMEAR!


“Se você não puder ver os resultados, enquanto estiver nessa terra, lembre-se que você é apenas responsável por seu labutar e não pelo sucesso. Continue semeando, continue batalhando!” (C. H. Spurgeon).

Eu fico encantado com os pormenores do Salmo 126. O contexto narra um júbilo pela saída do povo de Deus do doloroso período de cativeiro em terras babilônias. O regozijo é estampado em várias expressões de alegria ao longo de toda a porção bíblica.

Em resumo, o povo que já havia pendurado suas harpas nos “salgueiros chorões” por não conseguirem cantar louvores ao Senhor em terra estrangeira agora se unem em um som festivo e delirante de louvor e adoração pelos feitos do Senhor em favor deles.

É fato que o povo de Deus nunca se sentiu “em casa” na Babilônia, embora saibamos historicamente que muitos optaram em permanecer em exílio, uma vez que já haviam lucrado dividendos com os babilônios, a verdade taxativa é que quem é de Jerusalém não se sente bem na Babilônia.

Agora, o texto a meu ver chega ao seu clímax no verso 06: “Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com jubilo, trazendo os seus feixes”. Aqui eu aprendo algumas lições sobre a semeadura que aplico para a minha vida pessoal:

(a)    Semear é um ato de responsabilidade.

O semeador não tem outra coisa a fazer se não ser fiel à sua missão (semear). Não há lugar para preguiçosos na trilha do sucesso! Alguém já disse que o único lugar em que “sucesso” vem antes de “trabalho” é no dicionário! Se não semear não se pode esperar a colheita. É uma verdade óbvia, mas desobedecida por muitos que, ficam esperando sentados a vitória cair em seus colos quando na realidade o desafio vital é justamente: sair para semear.

Sair de sua “zona de conforto”, do seu lugarzinho comum, buscar alternativas para os seus problemas, deixar a inércia, enfim, abandonar o seu pessimismo genético e insistir na conquista de novos territórios para a sua vida pessoal. Tenho aprendido que não ousar, por medo de arriscar é decretar para si mesmo a perpetuação da desgraça!

(b)   Semear é um ato de fé.

Quando se lança a semente na terra, o lavrador não tem mais controle da semente, agora tudo depende dela mesma! Ai entra o mistério da fé! A germinação de nossos sonhos (e das promessas que eu venho requerendo do Senhor) virá por meio da minha atitude de confiança no Deus que é eterno e bom!

Lendo um sermão de Martin Lloyd Jones me vi refletindo sobre um aspecto importantíssimo de nossa vida de oração, o ponto de que as alegações, argumentos e solicitações são legitimas em nossa oração. O grande pregador do século passado acrescenta: “Acredito que Deus, como Pai, Se deleita em ouvir tais alegações, arrazoados e argumentos. Esta flébil geração de cristãos parece que esqueceu aquilo em que nossos pais costumavam deleitar-se quando falavam em ‘reclamar as promessas’”.

A fé envolve esse elemento de “reclamar as promessas”, isto não tem nada a ver com as exigências pitorescas feitas pelos adeptos da chamada “confissão positiva”, tão comuns aos neo-pentecostais de nosso tempo. Essa atitude apregoada por Lloyd Jones e confirmada nas Escrituras é o de pedir insistentemente até o ponto de escutar o próprio Deus dando a resposta, com o apaziguamento de nosso homem interior pelo sopro fantástico do Espírito Santo.

(c)    Semear é um ato de paciência.

Para germinar a semente tem de morrer (João 12.24). É um morrer temporário, pois eis que a semente surgirá na terra em um pequeno espaço de tempo. Mas o semeador precisa ter paciência, porque ele precisa saber esperar. Já reparou que você pode estar esperando o leite ferver, mas é quando você vira as costas que ele derrama?

Paciência não tem a ver com obsessão em ficar observando sofregamente as semeadas à espera de resultados imediatos. Lembre-se da frase de Spurgeon acima, você é responsável pelo labutar e não pelo sucesso. Talvez não aja uma profissão que dependa mais da ação sobrenatural do Senhor Deus do que o agricultor. Porque ele dependia sempre de coisas que não estavam ao seu controle: chuvas, proteção de pragas, sol na medida certa, enfim, há uma dependência irrestrita do Eterno.

Estou decidido a viver esses princípios que acabei de compartilhar com vocês: semeando com responsabilidade, fé e paciência e tenho certeza que, em breve compartilharemos muitos “feixes de trigo” que servirão de alimento para as nossas almas tão carentes da verdade em um mundo onde o engano é tão bem aceito!

Você está comigo?