"Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós". (Tiago 4.7)
Acabei de ler (e publicar, como faço sempre com os comentários nesse blog) um comentário virulento em minha postagem sobre a Angra Expo que não me abalou porque como diz o apóstolo Paulo, "eu sei em quem tenho crido". Mas, me parece que há um descompasso emocional em crentes que não permitem críticas de seus eventos ou líderes prediletos, eles são cegos em relação aos seus erros, equívocos e inclusive, heresias. Com isso defendem ardorosamente seus nomes prediletos como se fossem verdadeiros semi-deuses. Numa rede social que participo fiz um comentário (admito, jocoso) do Silas Malafaia, e quase fui incinerado, disseram até que eu deveria cuidar mais da minha vida! Ufa! Quanta limitação de mente! Eu creio que o único inerrante é o Senhor Jesus, e a Ele é quem devemos imitar, agora homens (Malafaia, Feliciano, Valnice, Terra Nova, André Valadão, dentre outros) todos eles precisam estar sob o peso de observações críticas e pontuais, sempre utilizando a Bíblia Sagrada como referência de padrão de verdade.
O tema acima, é uma provocação em relação à peça que nossa cidade receberá na FITA (Feira Internancional de Teatro de Angra dos Reis) nesses próximos dias, denominada "O Jardim do Inimigo". Eu assisti a peça, e quero fazer algumas pontuações. No Wikipédia há um resumo da peça e também alguns dados da produção, que eu transcrevo aqui:
"O Jardim do Inimigo é uma
peça teatral realizada pela
companhia de teatro Jeová Nissi, foi apresentada pela primeira vez entre os anos
2000,
é vista e conhecida por muitas regiões do Brasil e muito comentada
entre as igrejas evangélicas, posteriormente foi lançada em DVD em 2007.
Foi escrita, dirigida e protagonizada por Caique Oliveira que é o
fundador da companhia.
Possui o tema abordando vários fatos que acontecem em relações humanas e
cristãs, como
violência doméstica, uso de
drogas,
prostituição,
miséria,
pobreza, descompromisso com
Deus e a
igreja. O texto é narrado pelo personagem principal, dito como o
Acusador, o
Diabo (Caique Oliveira), que acusa todos aqueles que seguem o caminho pecaminoso de uma forma sarcástica e entretida com
Humor Negro.
Apesar de ser um drama trágico-impactante foi aceito pelos mais
diversos publicos e idades, O teatro é feito para jovens e segue uma
linha de humor e drama."
Diante dessa apresentação e à luz do que eu vi, posso dizer que a peça é um desserviço ao evangelismo. O autor (que é o personagem principal, praticamente em forma de um monólogo aterrorizante) faz apologia aos estratagemas do Diabo, colocando-o como responsável absoluto de todas as desgraceiras da vida, e com tentáculos inclusive no seio da igreja evangélica. O tom é de um sarcasmo irreverente, e sem nenhum cuidado em não "carregar demais nas tintas" o nosso arqui-inimigo é apresentado em cores tão atraentes que os incautos vão desejar servi-lo ao invés do próprio Deus.
É incrível como a teologia protestante brasileira se vê em confusão a respeito do Diabo. Digo isso porque é sabido que as igrejas (sobretudo pentecostais e neo-pentecostais) dão um cartaz promocional a Ele a cada culto, creditando-o todos os erros, abusos e irresponsabilidades que ao invés de serem assumidas são tercerizadas para o Diabo e seus demônios, isso posto porque é mais fácil espiritualizar tudo e demonizar nossas fraquezas do que assumi-las diante da Cruz de Cristo na confissão sincera de nossos pecados. Em muitos cultos de libertação o Diabo possui lugar de destaque, pois todas as vicissitudes da vida são atribuidas a ele. Parece-me que há o desconhecimento da podridão que é o coração humano em sua capacidade desmedida de fazer grandes males e de provocar tragédias insondáveis no mundo.
Não estou com isso, dizendo que o Diabo não está ao nosso derredor (I Pedro 5.8), ou ainda que o mundo não jaz no maligno (I João 5.19), ou ainda que ele não seja o pai da mentira (João 8.44). Longe de mim ser um "advogado do Diabo". Creio que ele é a única criatura do universo que não devemos esperar nenhuma possibilidade de salvação, mas não posso deixar também de afirmar categoricamente que ele é servo de Deus. Sim, o Diabo é um súdito do Reino de Deus, uma vez que ele não pode fazer absolutamente nada sem a permissão do Senhor. Lembra-se do episódio ocorrido na vida de Jó, e como Satanas precisou da permissão do Senhor para tocar em sua vida (Jó 1.12). É importante também recordar que, quando da tentação de Jesus, o Diabo foi colocado em seu devido lugar, apenas na citação pura e simples das Escrituras, três vezes pelo Senhor Jesus: Mateus 4.4; 7, 10.
Não podemos de maneira alguma compreender esse mundo (criado pelo Senhor com requintes de criatividade), que de acordo com o Salmo 24.1 pertence a Deus como "um jardim do inimigo", isso é heresia das mais hediondas. O mundo é de Deus, ele jaz no maligno em seus valores pervertidos por ocasião da queda do homem, agora o jardim do Eden (em simbolismo vivo, representando o lugar de deleite da presença de Deus) não se transformou em palco onde Satanás (o outro nome de Diabo) se tornou ator principal! Absolutamente! Quem continua ditando as regras nesse mundo é o Senhor. Gosto de afirmar e reafirmar isso categoricamente: Não há outro Senhor no céu e na terra!
Quando o famoso evangelista Billy Graham esteve no Brasil nos anos 60, foi lhe proposto sair em carro aberto para saudar a população do Rio. Ele secamente respondeu: "Deus não divide a sua glória com ninguém". Fico a pensar sobre o propósito de uma peça (dita evangélica) que atribui tanta glória ao Diabo que deixa sem dúvida, o espectador assustado, mas não mais temente ao Senhor! Quero terminar dizendo que a peça causa sim, assombro pelo Diabo, pelo Inferno, mas não provoca honra ao Criador, pois mesmo na confissão de pecados secretos há muito mais "pena de si mesmo" do que reconhecimento sincero que Deus é tudo em todos, e não levará ninguém ao céu por temor ao inferno! Termino com uma frase que gosto muito: "não é o temor do Inferno o que me há-de levar ao Céu; o Amor de Quem lá Se deixa ver e gozar, sim."
Tenho dito. E não verei e não recomendo a peça "O Jardim do Inimigo".